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Taylor conhece Sucar e Magnano afaga: "é brasileiro como os outros"

3 jul 2012
05h00
atualizado às 08h43

O americano Larry Taylor e o argentino Antônio Sucar se conheceram na última segunda-feira. Um encontro da chamada "Geração de Ouro" e do grupo atual, organizado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) em São Paulo, propiciou o contato entre o primeiro jogador a defender a Seleção como naturalizado e o armador que sonha com uma vaga nos Jogos Olímpicos de Londres.

Armador americano briga por vaga entre os 12 convocados para a Olimpíada
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Foto: Wagner Machado / Especial para Terra

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Nascido em San Isidro de Lules, província de Tucumán, Sucar também se naturalizou para jogar pelo Brasil. Pioneiro, o ex-pivô participou da conquista do título do Mundial de 1963 e das medalhas de bronze nos Jogos Olímpicos de Roma em 1960 e Tóquio em 1964. Para o técnico argentino Rubén Magnano, as críticas à presença de Taylor no time nacional são, em parte, decorrentes do desconhecimento da trajetória de seu "compatriota".

"As pessoas que foram contrárias (à naturalização de Taylor) não sabem a história gloriosa do Brasil no basquete. Acho que não repassaram essa história, esqueceram dela. Agora, temos novamente a possibilidade de contar com um naturalizado e com certeza posso falar que o Larry é tão brasileiro quanto todos os outros, já tem jeito de brasileiro, se sente brasileiro e fez uma coisa muito legal", afirmou Magnano.

Há quatro temporadas no Bauru, Taylor alcançou destaque na disputa do Novo Basquete Brasil (NBB), a ponto de a CBB sugerir a sua naturalização para defender a Seleção. Consultado pela entidade, Magnano aprovou e viu os primeiros jogos do armador com a camisa do time nacional na série de amistosos disputados em São Carlos, na semana passada.

"Vocês viram os jogos que fizemos (vitórias sobre Nova Zelândia, Nigéria e Grécia). Eram partidas de preparação, mas ele lutou muito, brigou muito e defendeu muito. É uma coisa muito boa para nós e para o Larry que ele esteja se encaixando muito bem no grupo. É uma pessoa boa e isso ajuda muito", explicou o treinador.

Ao incluir Taylor na lista olímpica, o treinador reiterou que, apesar da naturalização, ele não teria vaga garantida em Londres. No entanto, o jogador nascido em Chicago está cada vez mais perto de repetir Antônio Sucar e participar do torneio, uma vez que os também armadores Nezinho e Vitor Benite foram cortados na segunda-feira, reduzindo o grupo para 13 atletas - 12 serão selecionados para viajar à Inglaterra.

Para Magnano, a concorrência de Taylor com os armadores brasileiros por um lugar em Londres é positiva. "Ele está lutando por uma vaga e estou fazendo a avaliação. Mas esse é um lindo problema. Antes, não tínhamos esse bom problema, tínhamos um problema muito ruim e agora, não", declarou.

Uma semana depois da vitória por 73 a 49 sobre a Nova Zelândia, Taylor ainda saboreia a experiência de entrar em quadra para defender a Seleção Brasileira pela primeira vez na carreira. No dia em que conheceu seu antecessor, dono de duas medalhas olímpicas, o americano disse sonhar com um lugar no pódio em Londres.

"Eram as minhas primeiras partidas pela Seleção e fiquei meio nervoso, mas foi bom para sentir como é estar na quadra durante os jogos, porque é diferente dos treinos. Não estou aqui só para fazer parte, mas sim para ganhar. A gente tem condições de voltar para o Brasil com uma medalha. Temos jogadores com talento, disciplina e um bom técnico. Podemos jogar de igual para igual com qualquer time", disse o atleta.

Desde que vislumbrou a possibilidade de disputar os Jogos Olímpicos com a camisa da Seleção, Taylor passou a estudar o hino nacional. Ele admite que ainda não conseguiu aprender a canção inteira, mas já fala como brasileiro e se diz fã de pagode e churrasco, além de apostar no inédito título do Corinthians na Copa Libertadores.

"Ainda estou enrolado com algumas palavras no final do hino, mas já sei mais do que algumas pessoas que nasceram aqui. Agora, eu sou brasileiro, estou conhecendo mais. Não sou estrangeiro, sou brasileiro, mesmo. A torcida inteira meu deu muito carinho em São Carlos, todos falaram que estavam torcendo por mim e que gostaram de minha naturalização", contou.

Com os cortes de Vitor Benite e Nezinho, oficializados pela CBB nesta segunda-feira, a chance de Taylor participar dos Jogos Olímpicos aumenta - além de Marcelinho Huertas, Raulzinho também disputa uma vaga como armador. Questionado sobre a concorrência acirrada, o americano fala com cautela.

"Todo mundo aqui tem condições para ficar no time, mas infelizmente são só 12 vagas e cada um tem que lutar por seu espaço. Para mim, não é diferente, é uma competição entre os armadores, como em qualquer posição. Tem que entrar na quadra, fazer o máximo e no final o Rubén vai decidir com quem ele quer ficar", disse Taylor, com cada vez menos sotaque.

Londres 2012 no Terra

O Terra, maior empresa de internet da América Latina, transmitirá ao vivo e em alta definição (HD) todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Londres, que serão realizados entre os dias 27 de julho e 12 de agosto de 2012. Com reportagens especiais e acompanhamento do dia a dia dos atletas, a cobertura contará com textos, vídeos, fotos, debates, participação do internauta e repercussão nas redes sociais.



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