Blog do Sormani
LAKERS, O REAL MADRID DA NBA, FAZ ÁGUA ATÉ O MOMENTO
Demorei, mas abri o botequim. Os problemas são os de sempre: conexão. Parece que agora tudo foi resolvido — assim espero.
Tarde para falar da rodada de ontem. Mas em tempo de analisar o Lakers. O que acontece com o Real Madrid da NBA?
O time não se ajeita. É inconsistente demais. Quando parece que vai, tudo faz água; e a equipe volta a decepcionar.
Contratou o melhor jogador disponível na “off-season” (Dwight Howard); trocou o treinador (Mike Brown por Mike D’Antoni). E nada.
O que acontece com o Lakers?
Essa é a pergunta que todos se fazem. Time mais perdulário desta temporada (US$ 100,3 milhões é o total de sua folha de pagamento), o Lakers cai diante de equipes frágeis, como ontem, em Los Angeles, diante do Orlando (113-103).
Orlando, diga-se, de quem ele “roubou” Dwight Howard (foto Getty Images), o melhor jogador disponível na “off-season”. Howard que voltou a ser um fiasco, pois não sabe bater lances livres e isso tem comprometido o time.
Ontem fez 9-21 (42,8%). D12, como ele é chamado, é também o jogador que mais vezes visita a linha do lance livre neste campeonato. E é o jogador que tem o mais baixo percentual de aproveitamento.
Sabedor disso, Jacques Vaughn, treinador do Orlando, apelou para a tática desprezível do “Hack-a-Shaq” no quarto final, quando o time abriu dez pontos de vantagem no placar. Os jogadores do Magic mandaram Dwight para a linha do lance livre em 14 oportunidades no último quarto e ele acertou só a metade: sete.
Se D12 não resolver essa questão, os torcedores do Lakers vão se perguntar ao final da temporada: terá valido a pena contratá-lo?
Dwight já cobrou 187 lances livres na temporada, que não atingiu nem um quarto de sua totalidade. Essa totalidade de lances livres, como disse acima, significa o maior número de vezes que um jogador foi para a linha fatal até o momento neste torneio. D12 acertou 87, o que dá um aproveitamento total de 46,5%.
E irá mais vezes ainda. Esse é um dos pontos vulneráveis do Lakers neste campeonato.
O outro é Pau Gasol. O gigante espanhol é outro desastre. Na partida de ontem, quando o bicho estava pegando no último quarto, Gasol foi mandado para o banco quando faltavam 6:07 minutos para o final da contenda, sendo substituído por Antawn Jamison. Não voltou mais.
O Lakers, é bom dizer, entrou o último quarto na frente em 77-73. Quando Gasol deixou a quadra, o time angelino ainda vencia: 84-83.
Mas ele desapontava. Sabe o que Gasol fez nesses 5:53 minutos em que ficou em quadra? Nada; ou melhor, pegou dois rebotes, um na frente e outro na defesa. Errou seus quatro arremessos.
Um desastre, como disse.
Depois do jogo, Kobe Bryant, sem mencionar seu nome, disse que neste momento é preciso trocar as calças curtas pelas calças compridas. Ou seja: deixou claro que Gasol comporta-se como um frouxo neste delicado momento da equipe, pois ele não joga nada e vive reclamando de uma contusão que eu, sinceramente, nem sei onde é.
Aliás, sobre Gasol vale dizer o seguinte: o Lakers só espera pelo retorno de Steve Nash para ver se o pivô reage. D’Antoni entende que o canadense pode despertar o espanhol com seu jogo organizado.
Poderá ser o último suspiro do catalão no time do Lakers. Se até o final do ano (Nash deve voltar em duas semanas) Gasol (foto EFE) não mudar de atitude, será trocado.
E ao que tudo indica, por Amar’e Stoudemire.
Como se vê, o problema do Lakers está no garrafão. Dwight é uma desgraça batendo lances livres; Gasol está uma droga nesta temporada.
Por isso, o time não consegue jogar. Não, não me venham com essa história de que a defesa…
Ok, ontem a equipe tomou 40 pontos no último quarto de um time que tem o terceiro pior ataque da competição. Mas essa fragilidade defensiva, pra mim, é mais mental do que tática.
O Lakers não funciona. E isso reflete na defesa, que é basicamente “desire”. Sem vontade, é impossível defender, o que é diferente de atacar, que exige habilidade e criatividade.
Kobe, que visivelmente quer ver seus companheiros mais envolvidos no jogo, não consegue cumprir essa tarefa. Bola vai, bola vem, e lá está ele novamente tendo que decidir as partidas.
D12 é pífio nos lances livres, Gasol vive a choramingar, Metta World Peace é um cara que acerta uma bola de três e na seguinte manda um tijolo na tabela numa simples bandejinha.
Desta forma, Kobe tem que chamar a responsabilidade. Mas ele é um só. E está ficando cansado por conta não apenas da situação, mas por conta da idade também.
Kobe já olhou com cara feia pro ex-treinador, já deu bronca na rapaziada, já foi fominha; enfim, já fez de tudo. E nada parece resolver.
O Lakers tem uma campanha de 8-9 na temporada. É o oitavo colocado no Oeste. E com um aproveitamento de 47,1%. Oeste que sempre viu seu nono, décimo colocados com aproveitamento superior a 50%.
Ou seja: a conferência, ao contrário de anos anteriores, está fraca. E nem assim o Lakers deslancha.
Contratou o melhor jogador e o time não joga. Trocou o técnico e não resolveu.
O que fazer?
Não se surpreendam se daqui a pouco aparecerem faixas e gritos no Staples Center pedindo a volta de Phil Jackson.
Mas depois de tudo o que aconteceu, P-Jax voltaria?
Claro que não. E nem será chamado, pois se o for a família Buss estará assinando atestado de burrice.
Vamos dar tempo para Mr. Pringles.
Isso é tudo o que eu tenho a dizer para encerrar minha exposição.