Blog do Sormani
JUVENAL JUVÊNCIO CRITICA PRESIDENTES DE CLUBES E ALERTA: “VÃO QUEBRAR!”
O presidente Juvenal Juvêncio disse neste começo de tarde, no Morumbi, que os clubes brasileiros, especialmente os do Rio de Janeiro, vão quebrar se não pararem de pagar o que estão pagando para alguns jogadores.
“Vai chegar uma sexta-feira 13 e eles vão quebrar”, disse Juvenal, mas no caso referindo-se não apenas aos cariocas, mas aos perdulários que se reproduzem feito erva daninha no futebol brasileiro. “Sei que isso vai contra a emoção, mas o dirigente tem que trabalhar com a razão”.
Juvenal é tido como um dirigente folclórico. Mas ele fala coisa com coisa e quando põe o dedo na ferida, geralmente tem razão.
É o caso desse caso.
A maioria dos clubes brasileiros parece criança que ganha um pirulito, criança que nunca teve em mãos um doce e sempre quis. Fica todo enlambuzado.
Os clubes brasileiros passaram a faturar como nunca faturaram. Dinheiro da tevê, patrocínio em camisa que teve valorização absurda, programa sócio-torcedor e venda de jogadores num mercado que se inflacionou demais.
Mas ao invés de pegarem parte desse dinheiro e sanearem suas dívidas, especialmente com o governo, eles estão torrando tudo o que está entrando; e mais um pouco. Alguns adiantam cotas da televisão e deixam, com isso, engessada a gestão seguinte.
Torram tudo comprando jogadores e pagando salários completamente fora da realidade do nosso futebol.
Robinho pediu R$ 1,1 milhão por mês limpinho ao Santos, dinheiro esse que com os impostos sobe para R$ 1,7 milhão. Carlos Eduardo, ex-Grêmio, atualmente no Rubin Kazan da Rússia, quer R$ 450 mil limpinhos para assinar com um clube brasileiro, dinheiro esse que com os impostos sobe para R$ 700 mil. Barcos renovou com o Palmeiras por mais quatro anos ou R$ 24 milhões pela totalidade do contrato. O mesmo Palmeiras paga R$ 500 mil para Valdívia e ofereceu algo em torno de R$ 450 mil mensais para Riquelme, um jogador que não entra em campo há mais de seis meses, tem 34 anos, contrato, importante dizer, com duração de três anos, diga-se.
Juvenal tem razão. Quando começar a quebrar (e alguns já quebraram), a quebradeira será geral, salvando-se um outro.
Uma coisa é você se endividar e ter condições de pagar suas dívidas. Isso é saudável, pois você aumenta seu patrimônio. Outra coisa é se afundar em dívidas e tornar-se inadimplente.
Esse é o perigo. E é disso que Juvenal fala.
Se os clubes fossem empresa e os donos dependessem do dinheiro deles para sobreviverem, eu duvido que essa gastança desenfreada estaria acontecendo. Como não é eles têm medo de torcedores e querem fazer média com eles, acabam gastando o que não têm.
E as quebradeiras que o Juvenal falou vão acontecer. E sabem quem vai socorrer? O governo vai socorrer, como, aliás, acontece na Espanha com o Real Madrid, que só não deixou de existir exatamente porque os políticos locais sempre aparecem para salvar os merengues.