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AS DIFERENÇAS ENTRE ROGÉRIO CENI E PAULO NOBRE E A CONVOCAÇÃO DE FELIPÃO | Blog do Sormani
AS DIFERENÇAS ENTRE ROGÉRIO CENI E PAULO NOBRE E A CONVOCAÇÃO DE FELIPÃO | Blog do Sormani

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AS DIFERENÇAS ENTRE ROGÉRIO CENI E PAULO NOBRE E A CONVOCAÇÃO DE FELIPÃO

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Ao acordarem nesta terça-feira, Rogério Ceni e Paulo Nobre encararam um dia diferente em suas vidas. O goleiro são-paulino tornou-se quarentão; o conselheiro palmeirense transformou-se no presidente do clube.

Há motivo para comemoração?

Do ponto de vista de Rogério Ceni, sem dúvida. O goleiro, mesmo envelhecido, mostra uma disposição e uma vitalidade de criança. Com uma vantagem: tem a experiência que apenas a vida é capaz de proporcionar.

Do ponto de vista de Paulo Nobre, há dúvidas. O dirigente é o segundo presidente mais novo na história do Palmeiras, mas poderá envelhecer rapidamente e perder a disposição e a vitalidade e ganhar uma experiência de vida que muitos talvez não estivessem dispostos a ter.

TOPO

Vi Gylmar dos Santos Neves, considerado o melhor goleiro da história do nosso futebol, apenas no final da carreira. Não é justo julgá-lo pelo pouco que assisti. Mas dos goleiros brasileiros que acompanhei ao longo da vida e da profissão de jornalista, Rogério e Taffarel são os dois melhores que vi em ação.

Infelizmente, muita gente ao analisar o goleiro são-paulino, mistura as bolas. Leva em consideração seu jeito antipático e o riscam da caderneta dos melhores de todos os tempos por conta disso. Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa — já dizia o filósofo. Não estou aqui analisando o caráter e nem a pessoa, mas o goleiro. E negá-lo como um dos melhores desde sempre é preconceito ou (desculpem-me) ignorância no assunto.

Rogério (foto Getty Images) faz 40 anos nesta terça-feira, mesmo dia que Luis Felipe Scolari convocou pela primeira vez sua seleção. Ceni não apareceu na lista. Deveria. Seria seu presente de aniversário. Mesmo quarentão, Ceni segue sendo imbatível aos meus olhos.

O segundo tempo do jogo de sábado diante do Mirassol, no Morumbi, comprova o que eu falo. Rogério teve que aguentar um bombardeio do pessoal do interior e se não tivesse a disposição e a vitalidade de uma criança a meta são-paulina teria caído. Mas Rogério não deixou.

Ceni é craque não apenas batendo faltas e repondo a bola. É craque debaixo dos paus. Não reconhecer isso é preconceito ou (desculpem-me) ignorância no assunto. Rogério é o goleiro brasileiro que melhor subtrai o ângulo para o atacante e é o que melhor consegue conjuminar defesas em bolas rasteiras, à meia altura e altas.

Dino Zoffi, lendário goleiro da Juventus e da seleção da Itália, foi campeão do mundo em 1982 com 40 anos de idade. Isso há mais três décadas, num tempo onde a medicina esportiva não tinha a mesma capacidade dos dias de hoje. Fisiologistas e nutricionistas praticamente não existiam. Os suplementos alimentares também não. Exames ultramodernos que detectam fadiga muscular e previnem lesões musculares eram peças de ficção.

Por conta disso, ao bater na casa dos 41 anos na época da Copa do Mundo, Rogério estará em melhor forma física do que Zoffi em 1982. Isso é inquestionável. A menos que seu ombro pregue-lhe uma peça. Fora isso, não há motivo para se duvidar dos reflexos e da qualidade física do goleiro são-paulino.

Portanto, digo aqui o que venho dizendo na Rádio Jovem Pan há um bom tempo: Rogério na seleção. Mas não apenas na seleção fazendo parte do grupo. Quero ver Ceni com a camisa 1, titular do Brasil.

Não há nenhum goleiro brasileiro melhor do que Rogério. Nem Júlio César e muito menos Diego Alves, os dois convocados por Felipão (sobre a convocação eu falo mais abaixo).

Rogério é o melhor. E na seleção têm que estar sempre os melhores.

RECESSÃO

Paulo Nobre é um empresário de 44 anos. Torcedor de arquibancada do Palmeiras. Desde criança ia com o pai ver os jogos do time do coração. Por ele chorou de alegria; mas ultimamente o choro é de tristeza.

O Palmeiras vive situação delicadíssima. Não só dentro do campo, mas, principalmente, fora deles.

Dono da quarta maior torcida do Brasil, o alviverde tem que abrir os olhos para não ser ultrapassado por quem vem atrás. A escassez de títulos, de grandes jogadores e de visibilidade entre os melhores afastam os mais jovens no momento de escolher o time do coração. E dificulta para os pais tentarem fazer de seus filhos palmeirenses também.

O Palmeiras vive situação delicadíssima, já disse. Ao tomar conhecimento de sua vitória na eleição desta segunda-feira, Nobre (foto Ricardo Matsukawa/Terra) foi claríssimo: “Serão dois anos de recessão”.

Ele estava sendo transparente. Com isso, deixou bem claro para os torcedores (especialmente aqueles mais fanáticos) que não se deve esperar muito nestes próximos dois anos de mandato.

O orçamento estimado do Palmeiras para este ano é de R$ 150 milhões. O COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) diz que o ex-presidente Arnaldo Luís Tirone já usou R$ 88 milhões. Até abril, estarão vencendo dívidas no valor de R$ 60 milhões. Sobram apenas R$ 2 milhões.

O que fazer com uma merreca dessas?

Os direitos de imagem dos jogadores estão dois meses atrasados. Nesta quinta-feira vence o terceiro. Há que se pagar, sob o risco de jogadores entrarem na Justiça pedindo desvinculação com o clube.

Torra-se dinheiro no Palmeiras de uma maneira vergonhosa. O que se paga a Valdívia (R$ 500 mil por mês) é o exemplo mais bem acabado do que não se deve fazer ao administrar um clube de futebol. Outra loucura pode ser cometida nas próximas horas: a contratação de Juan Riquelme.

Tirone, o ex-presidente, ofereceu ao argentino salários de R$ 300 mil e bonificação de R$ 150 mil por objetivos atingidos (leia-se “presença em campo”). Se este primeiro ano for satisfatório, a garantia de mais dois anos de contrato e um cargo no departamento de futebol ao abandonar a carreira.

A troco?

Em junho próximo Riquelme completa 35 anos. Vocês acham que um jogador que não entra em campo desde a final da Libertadores, quando seu Boca Juniors perdeu para o Corinthians, um jogador que está parado todo esse tempo e com essa idade toda tem condições de jogar futebol em alto nível? Se o cara não quer jogar mais nem no seu time do coração, que estímulo ele terá para vestir a camisa palmeirense?

Nobre disse que vai conversar com Gilson Kleina. Quer saber o que o treinador pensa sobre a contratação de Riquelme.

Em conversa com amigos, Kleina deixou claro que esta é apenas uma jogada de marketing; nada além disso. E afirmou que se for consultado, veta a contratação.

A menos que Kleina tenha mudado de opinião nas últimas horas, ele poderá evitar que essa loucura seja cometida e esse assalto aos cofres palmeirenses seja feito. Palmeiras que não tem dinheiro, não se esqueçam.

Nobre tem que ser inteligente. Como ele mesmo disse, tem que separar o torcedor do administrador. Ganhar a Libertadores é muito difícil. Mas voltar à Série A do Campeonato Brasileiro é obrigação.

É nisso que o Palmeiras tem que pensar. E esse pensamento pode evitar que tolices sejam feitas, como montar um time para ganhar a Libertadores, o que, repito, não é impossível, mas pouco provável.

O Palmeiras, infelizmente, não tem dinheiro para montar dois times, o que seria o ideal. No momento não tem, mas no futuro poderá ter. Desde que Paulo Nobre aja com a razão e não com o coração.

SELEÇÃO

Luis Felipe Scolari (foto Mowa Press) convocou pela primeira vez sua seleção brasileira. Cometeu apenas um grande erro: esquecer-se de Rogério Ceni. Mas acertou ao envelhecer a seleção.

Como disse acima, Rogério é o melhor goleiro brasileiro na atualidade e um dos melhores de todos os tempos. Perder sua qualidade profissional e sua experiência é uma bobagem que Felipão comete.

Até porque Júlio César e Diego Alves não são nenhuma brastemp.

Julio defende o gol do QPR, um time que está à beira do rebaixamento na Premier League: é o último colocado. Viveu quatro, cinco anos no máximoo de grande futebol quando foi goleiro da Inter de Milão. Atingiu o auge na Copa de 2010. Mas no melhor de sua forma cometeu uma falha grotesca que custou a eliminação do Brasil no Mundial da África do Sul diante da Holanda.

Diego Alves é uma espécie de “mão de alface”. Ou seja: não transmite segurança.

Sobre o envelhecimento da seleção, esta foi a nota positiva. Nossos três principais jogadores são crianças: Neymar, Lucas e Oscar. São extraordinários. Neymar é gênio; Lucas e Oscar dois craques. Mas ainda são crianças. E Copa do Mundo experiência conta muito.

Por isso, o Brasil não podia abrir mão da experiência de alguns jogadores, grande pecado cometido por Mano Menezes.

Voltaram Júlio César (eu teria chamado Rogério Ceni na vaga de Diego Alves), Fred, Luís Fabiano e Ronaldinho Gaúcho.

Mais pra frente voltarão Kaká e Lúcio, podem ter certeza. E se Robinho retornar ao Brasil e voltar a jogar bola, será igualmente chamado.

Copa do Mundo é igual playoffs da NBA: nessas duas competições separam-se homens de crianças. O Brasil não pode jogar em casa, pressionado pela torcida e pela mídia, muito mais pressionado do que qualquer outra seleção, com um bando de garotos.

O veterano Luis Felipe Scolari sabe disso. Nesse ponto ele acertou.
 

Fábio Sormani Fábio Sormani

Fábio Sormani

Fábio Sormani trabalhou na Placar, Folha de S.Paulo, TVs Record, Bandeirantes, ESPN Brasil, SporTV, BandSports, e rádios Bandeirantes e Jovem Pan. Atualmente trabalha para a Fox Sports Brasil.



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