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Seleção Brasileira

Brasil encara Camarões para ganhar confiança e carimbar vaga nas oitavas

22 jun 2014
21h50
atualizado às 21h53

Depois de duas atuações pouco convincentes diante de Croácia (3-1) e México (0-0), a seleção brasileira encerra sua participação no grupo A contra Camarões, nesta terça-feira às 17h00 em Brasília, precisando apenas de um empate para garantir sua vaga nas oitavas de final.

Este jogo será o centésimo da 'amarelinha' em Copas do Mundo. As chances de o Brasil ficar fora da próxima fase são muito remotas, com uma combinação improvável de resultados: derrota para Camarões, que já está eliminado, e empate entre México e Croácia, que se enfrentam no mesmo horário, na Arena Pernambuco. É a primeira vez desde 1978, na Argentina, que a seleção encara a terceira rodada sem ter a vaga nas oitavas já garantida.

Se avançar, terá pela frente uma equipe do grupo B, Chile ou Holanda, que disputam o primeiro lugar às 13h00 de segunda-feira, em São Paulo.

Neste panorama, o técnico Luiz Felipe Scolari já saberá qual dos dois terminará na liderança da outra chave, o que levou o treinador da Holanda, Louis Van Gaal, a criticar a ordem dos jogos, alegando que o Brasil poderá 'escolher' o adversário.

"Primeiro, temos que pensar que temos que ganhar amanhã, temos que classificar. Alguns se manifestam dizendo que vamos escolher adversários. Ou são burros, ou mal-intencionados. Se perdermos, nós podemos não classificar. Dizer que queremos escolher o adversário é um tremendo desrespeito a Camarões. Não temos que escolher adversário, temos que classificar e ganhar", rebateu Felipão.

Contudo, com a classificação praticamente em mãos, o verdadeiro objetivo do duelo contra Camarões será ganhar confiança e acabar com as dúvidas que nasceram depois das duas primeiras rodadas.

Contra Croácia e México, a seleção não mostrou a agressividade e a qualidade na saída de bola que viraram marca registrada há um ano, quando conquistou a Copa das Confederações com vitória arrasadora por 3 a 0 sobre a atual campeã mundial, Espanha, dando ao torcedor a confiança e o sonho de faturar o hexa em casa.

"Na Copa das Confederações, esse time ganhou uma identidade, uma cara, um esquema tático, os jogadores sabiam exatamente o que tinham que fazer. Antes disso, as outras equipes não nos respeitavam como respeitam hoje", lembrou Júlio César.

Já David Luiz considera que os jogos difíceis da primeira fase serviram de aprendizado.

"Eu queria grandes jogos, espetáculos, duas grandes vitórias, o Brasil voando. Mas não teríamos a oportunidade de enxergar o valor real de uma Copa do Mundo nem o que vamos enfrentar mais para frente. Às vezes, você ganha de 3 a 0 na primeira fase, perde por 1 a 0 nas oitavas e vai embora para casa. Foi bom porque teremos que saber sofrer em 80 minutos para, de repente, ganhar em 10", resumiu o zagueiro.

Felipão acabou com qualquer dúvida sobre a escalação na entrevista coletiva que concedeu neste domingo no estádio Mané Garrincha. "Não vou fazer mudança nenhuma, confio no time que coloquei no primeiro jogo", disse o treinador.

O atacante Hulk, que ficou de fora da partida contra o México por sentir dores na coxa, treinou normalmente nos últimos dias e começará jogando.

Do lado de Camarões, o técnico Volker Finke descartou escalar como titular o atacante Samuel Eto´o, que desfalcou os 'Leões Indomáveis' na goleada de 4 a 0 sofrida para a Croácia por conta de uma lesão no joelho.

"Ele pode ajudar alguns minutos, mas não acredito em milagres do dia para a noite, é impossível que seja titular", sentenciou o treinador alemão.

"Mesmo eliminados, eles vêm com orgulho ferido e têm oportunidade de conseguir uma vitória sobre o Brasil, que seria como um título para eles, de certo modo", avisou David Luiz.

A seleção camaronesa, porém, enfrenta vários problemas internos e quase não viajou ao Brasil por conta de uma falta de acordo sobre premiações.

Existem, inclusive, suspeitas de manipulação do resultado, da parte de apostadores que pagariam os jogadores de Camarões para fazer 'corpo mole' e deixar passar um número pré-definido de gols.

O diretor de segurança da Fifa, Ralf Mutschke, admitiu na sexta-feira que partidas da terceira rodada da fase de grupos com equipes já eliminadas tinham "risco maior" de manipulação. No sábado, Delia Fischer, diretora do departamento de comunicação da entidade, informou que "nenhuma ameaça de manipulação havia sido detectada".

"Depois das duas derrotas, foi difícil motivá-los, mas vi nos últimos dias que eles querem terminar numa nota positiva. Nos preparamos como se o jogo fosse decisivo", assegurou Finke.

As duas equipe se enfrentaram quatro vezes, com retrospecto favorável ao Brasil, que venceu três partidas e perdeu uma, justamente a última, quando foi derrotado por 1 a 0 na Copa das Confederações de 2003, na França.

BRASIL: Julio César - Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo - Luiz Gustavo, Paulinho - Hulk, Oscar, Neymar - Fred.

CAMARÕES: Itandje - Nyom, N'Koulou, Chedjou, Bedimo - Mbia, Nguemo, Enoh - Aboubakar, Webo, Choupo-Moting

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