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Seleção Brasileira

Índios e policiais se enfrentam em estádio da Copa em Brasília

27 mai 2014
18h29
atualizado às 18h40

A polícia dispersou com bombas de gás lacrimogênio um protesto pacífico contra a Copa de indígenas e movimentos sociais, nesta terça-feira, em frente ao estádio Mané Garrincha, que vai ser o palco de vários jogos do Mundial em Brasília, constatou a AFP.

A apenas 16 dias do início da competição, policiais da tropa de choque lançaram gases contra cerca de mil manifestantes, inclusive idosos e crianças, para impedir que se aproximassem do estádio.

Alguns manifestantes responderam atirando pedras contra os cerca de 500 agentes que cercavam o estádio.

Pouco antes, cerca de quinhentos chefes indígenas de cem etnias de todo o Brasil - inclusive o cacique Raoni, de 84 anos, um ícone da defesa da Amazônia - subiram no teto do Congresso para reivindicar políticas para seus povos.

"Subir no Congresso foi um ato de coragem, demonstração de que somos guerreiros e defendemos nossos direitos", disse à AFP Tamalui Kuikuru, da região do Xingu, no Mato Grosso (centro-oeste).

Os índios, que estavam pintados, usando plumas, arcos e flechas tradicionais, desceram pacificamente do teto do Congresso logo depois, percorreram a Esplanada dos Ministérios e, em seguida, juntaram-se às centenas de manifestantes contrários à Copa e ao movimento dos sem-teto que marchavam na direção do estádio.

Duzentos policiais acompanham o protesto e o mesmo número resguarda o estádio Mané Garrincha, onde está o troféu da Copa, em exibição para o público nas cidades sede antes do torneio.

"A Copa é para quem? Não é para nós!", clamava um manifestante com um alto-falante. "Não quero a Copa, quero esse dinheiro para a saúde e a educação", gritava.

O protesto acontece em um contexto de protestos contra a Copa do Mundo e greves em vários setores às vésperas do Mundial, que se estenderá entre 12 de junho e 13 de julho.

Uma greve de motoristas de ônibus paralisou nesta terça Salvador (nordeste), uma das 12 cidades-sede da Copa, e o policiamento foi reforçado para garantir a segurança das unidades em circulação.

Em Brasília, os indígenas iniciaram seu protesto com orações tradicionais, ao ritmo de chocalhos, na Praça dos Três Poderes, cercada pelo Palácio do Planalto - sede da Presidência -, pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal.

Alguns mais velhos usavam fumaça para "espantar o mal", explicaram à AFP.

"Antes de fazer a Copa do Mundo, o Brasil devia pensar melhor na saúde, na educação, na moradia. Vemos manifestações dos povos: não se gastam tantos milhões para um evento que não traz benefícios", disse o indígena Neguinho Truká, da etnia Truká de Pernambuco (nordeste), com um cocar tradicional de plumas azuis e vermelhas na cabeça.

Os indígenas multiplicaram seus protestos na capital durante o governo da presidente Dilma Rousseff, a quem acusam de deter a demarcação de suas terras ancestrais e de favorecer os grandes agricultores.

O Brasil foi sacudido por uma onda de protestos em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, contra os elevados gastos públicos nos estádios.

Os protestos, que continuaram durante meses, embora com menos intensidade, têm sido mais vinculados nas últimas semanas a movimentos sociais organizados, de sindicatos a partidos radicais de esquerda, ONGs críticas ao Mundial, o Movimento de Camponeses Sem-terra ou os Sem-teto.

Vários setores, de policiais a professores, passando pelos motoristas de ônibus de várias cidades como Rio, São Paulo, Salvador e São Luís do Maranhão, têm aproveitado a proximidade da Copa para pedir aumentos salariais e fazer greves.

Os trabalhadores do metrô de São Paulo, que transporta diariamente 4,5 milhões de pessoas, devem votar nesta terça-feira se entram em greve. "O mais provável é que aprovemos a greve. Só teríamos que definir a data", declarou à AFP um porta-voz do sindicato.

Os motoristas de ônibus de São Paulo fizeram uma greve de dois dias na semana passada, que afetou mais de um milhão de pessoas e provocou engarrafamentos gigantescos.

Os professores da rede de ensino público do município e do estado do Rio também estão em greve e na segunda-feira, 200 deles bloquearam rapidamente a saída do ônibus que transportava a seleção brasileira até a concentração, em Teresópolis. "Não vai ter Copa; vai ter greve", diziam alguns cartazes.

Trabalhadores dos setores de transporte e saúde do Rio de Janeiro também estudavam entrar em greve. Os vigilantes bancários do Rio estão paralisados há quase um mês.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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