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"Celebridade" do curling, jornalista troca chaleira por aulas

21 ago 2010 10h17
| atualizado às 10h24
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Emanuel Colombari
Direto de São Paulo

Você se lembra de Fabio Chiorino? O jornalista paulistano ficou nacionalmente conhecido no fim da Olimpíada de Inverno de Vancouver - evento com transmissão exclusiva do Terra - ao ver divulgada, via Twitter de sua mulher, uma imagem sua "jogando" curling em casa, com uma chaleira e um rodo. E nesta semana, a convite do Terra, Fabio topou trocar a chaleira por pedras de granito, o rodo por vassouras profissionais e experimentou o esporte de verdade em São Paulo.

Chiorino, 28 anos, esteve no shopping center que hospeda o rinque ao lado de sua chaleira - agora autografada por Linn Githmark, capitã da seleção norueguesa, com quem se encontrou na última semana em evento. Despido da aura de "celebridade" da internet, mostrou-se animado ao longo do caminho, quando contou ser seguido até hoje no Twitter por fãs de curling. "Durante o Mundial (masculino, em abril), as pessoas comentavam, diziam que esperavam meus comentários abalizados", riu o jornalista, enquanto se dirigia à pista.

Já diante de 20 metros de gelo, Fabio foi apresentado a seu treinador: Brian Chick, 29 anos, jogador de curling em Toronto. Foi Chick quem orientou o canhoto Fabio a colocar uma sapatilha especial em seu pé direito, responsável pelo impulso correto em sua jogada, e que deu dicas a Chiorino em sua aula: saiu a chaleira, entraram o slide, o arremesso, as jogadas, o "sweeping" e a pontuação.

O gelo dificultou as primeiras lições no slide, o movimento de "arrancada" dos curlers nas jogadas. Com o pé esquerdo, Fabio apoiava no suporte e esticava para dar impulso. Com o direito, apoiava-se e deslizava com a pedra de 19 kg na mão. No começo, desequilibrou-se um pouco. Depois, segundo Brian, "melhorou" e se manteve em pé com mais firmeza.

Depois, veio o arremesso. Primeiro, Brian mostrou como se fazia. Fabio seguiu com as lições. Uma delas, girar a pedra para dar efeito. Comparando a alça do objeto ao ponteiro das horas de um relógio, o treinador pedia para que o arremesso fosse iniciado com a pedra segurada "às 10h (virada para a esquerda) ou às 2h (à direita)", mas que fosse terminado "às 12h", para frente. Depois, mostrou que o impulso da pedra teria que se concentrar na perna e no quadril, jogando o corpo para frente e apenas soltando a pedra a partir de uma distância.

Fabio conseguiu nas primeiras, mas depois admitiu alguma dificuldade com a sincronia dos movimentos. "É difícil manter a velocidade e o equilíbrio", contou, já após sua experiência. "Dá pra perceber com eles que é quase um prolongamento, um movimento só, isso de dar o impulso e soltar a pedra", comentou.

Mais tarde, Brian ensinou jogadas a Fabio. A principal delas, o "tap", usava a batida de uma pedra em outra para empurrar uma terceira - no bilhar, o equivalente ao "telefone sem fio". Tentou também o "double tap", no qual essa terceira pedra ainda tenta movimentar uma quarta pedra, mas sem sucesso. "Lixo!", praguejou o bem-humorado Brian diante da tentativa. Mais tarde, mostrou o "guard", uma pedra posicionada de forma a proteger outra.

Por fim, veio o lado mais exótico do curling: o "sweeping", as famosas varridas que os jogadores dão em frente à pedra. "Você quer aprender primeiro o jeito fácil ou o jeito difícil?", perguntou Brian ao aluno brasileiro. "O jeito fácil", respondeu Fabio, a quem foram ensinadas duas formas distintas de varrer o caminho - uma mais básica, outra com o jogador praticamente na ponta dos pés, apoiado na base de sua vassoura.

O próprio Brian explicou o motivo do uso do exótico sweeping. "Há duas funções, na verdade. Quando você joga, o caminho limpo diminuiu o atrito com a pedra, que vai mais longe. Isso é bom especialmente quando o arremesso precisa de velocidade. Além disso, quando ela está parando, você pode incrementar a trajetória da pedra. Se varrer para a direita, ela vai mais para a direita; se varrer para a esquerda, ela puxa mais para a esquerda", detalhou o treinador.

Fabio pegou o jeito. Com alguns arremessos de Brian, optou pelo método mais fácil e varreu. O instrutor lembrou detalhes do movimento, como a proibição de tocar a pedra com a vassoura e a permissão para varrer - a partir do momento em que a pedra é solta, e até o momento em que ela cruza o centro do alvo seguinte. Explicou também a pontuação, na qual o time que tiver a pedra mais próxima do centro "abre a contagem", encerrada apenas quando uma pedra adversária aparecer dentro do "house" (o alvo).

Enfim, uma hora depois, Fabio estava pronto. Sem chaleira, mas com dois tombos no aprendizado, o jornalista começaria sua primeira partida de curling - contra o próprio Brian Chick.

No primeiro, Brian abriu um ponto logo nas primeiras pedras. Fabio teve a chance de tirar o ponto do canadense, mas um "tap" mal-executado colocou uma segunda pedra de Brian no house. Resultado: 2 a 0 para o instrutor no primeiro end. No segundo e último (contra dez ends do jogo original), Brian fez o básico e marcou dois pontos. Fim de jogo: 4 a 0 para Brian.

Após o resultado, Brian fez questão de elogiar seu aluno. "Ele é um talento natural", brincou. "É muito bom. Os brasileiros têm sido surpreendentemente bons aqui. Não sei, deve ser essa coisa do gingado de vocês que ajuda no slide", analisou.

Com a aula, Fabio voltou para casa satisfeito com seu desempenho. "É bacana, bem diferente", disse o jornalista. "É bom ver que vai além da cozinha. É bem difícil. Mas com um tempo, dá para ter a noção e se divertir", disse Fabio, a caminho de casa.

Fabio, porém, nem pensa em aposentar a chaleira ("do curling raiz") que o deixou famoso. "Não, nem pensar", disse, admitindo que guardará o utensílio e algumas de suas reportagens para mostrar para a filha Maria Eduarda no futuro. "Essa chaleira já está aposentada. Até compramos outra já."

Curling entre os brasileiros

Fabio não faz parte da Seleção Brasileira de curling, mas ela existe. Entre 5 e 7 de fevereiro, antes mesmo da disputa da modalidade na Olimpíada de Vancouver, Celso Kossaka, Marcelo Mello, Cesar Santos e Luis Augusto Silva participaram de uma série melhor de cinco contra os Estados Unidos, em confronto que valia lugar no Mundial masculino da modalidade, dois meses depois. Entretanto, frente à experiência americana, os brasileiros perderam os três primeiros confrontos da disputa, com placares de 10 a 3, 8 a 1 e 8 a 2.

Em São Paulo, a pista está montada no Shopping Eldorado, onde funciona até 22 de agosto, das 10h às 22h. A organização reserva horários aos interessados, mas apenas pessoalmente e para o mesmo dia. As entradas são gratuitas para mulheres, e custam R$ 10 reais para homens. A renda toda será duplicada e revertida pelos patrocinadores do eventos para a Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), administrada pelo Hospital das Clínicas de São Paulo.

Chiorino trocou curling com chaleira por aulas com instrutores canadenses
Chiorino trocou curling com chaleira por aulas com instrutores canadenses
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Fonte: Terra
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