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16 de janeiro de 2013 • 10h37 • atualizado às 11h37

Confissão pode complicar Armstrong na Justiça, dizem especialistas

Lance Armstrong deu entrevista para a apresentadora Oprah
Foto: Reuters
 

A confissão do uso de doping pode criar novos problemas jurídicos para o ex-ídolo do ciclismo mundial Lance Armstrong, segundo juristas. O USA Today e outros meios de comunicação americanos disseram na segunda-feira que Armstrong confessou o uso de substâncias proibidas durante entrevista a Oprah Winfrey, a ser transmitida nesta semana. Na terça-feira, a apresentadora, falando à rede CBS, confirmou o teor da entrevista.

O Departamento de Justiça dos EUA, que no ano passado arquivou uma investigação criminal de dois anos contra Armstrong, sem imputar acusações formais, pode agora retomar o caso, embora especialistas achem isso improvável. Mas vários processos civis, inclusive um aberto pelo ex-colega de equipe Floyd Landis, podem ganhar força depois da confissão televisiva, de acordo com juristas.

"De um lado da balança estão as consequências jurídicas e a exposição financeira, e do outro lado estão as consequências em termos de relações públicas", disse Geoffrey Rapp, professor de direito da Universidade de Toledo, em Ohio. "Acho que ele decidiu que o valor do seu nome, e resgatar algo dele, supera os custos jurídicos."

Armstrong perdeu todos os seus títulos esportivos e foi banido do ciclismo depois que a agência antidoping dos EUA (Usada) divulgou em outubro um devastador relatório apontando-o como mentor de um sofisticado esquema para a distribuição de substâncias proibidas para ele e outros atletas.

Patrocinadores como Nike e Anheuser-Busch, que haviam ficado ao lado dele durante os vários anos de suspeitas sempre negadas por Armstrong, começaram a abandoná-lo logo depois do relatório da Usada, que foi depois corroborado pela União Ciclística Internacional (UCI).

De acordo com especialistas, Armstrong parece estar protegido das acusações de perjúrio e falsidade ideológica, já que sua última declaração jurada a autoridades foi em 2005. Desde então, eventuais crimes de perjúrio já estariam prescritos. Não se sabe, porém, se ele conversou em sigilo com investigadores federais nesse período.

"Sem conhecer detalhes da entrevista, é difícil ler nas folhas de chá a respeito das implicações das suas admissões", disse o ex-procurador federal Matthew Rosengart. "Mas é razoável supor que a exposição deveria recair na alçada cível, e não na criminal."

Andrew Stolmann, advogado de Chicago que costuma representar atletas profissionais, disse que, com a confissão, Armstrong se arrisca a ver o processo penal ser retomado. "Por que cutucar o urso?", disse.

Rapp, o professor de Direito, disse que também dificilmente Armstrong será processado por ex-patrocinadores. Embora os contratos geralmente contenham cláusulas sobre moralidade, os patrocinadores raramente tentam reaver o dinheiro pago a atletas que caem em desgraça. O golfista Tiger Woods, por exemplo, não sofreu esse tipo de consequências após se envolver em um escândalo extraconjugal.

 

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