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18 de janeiro de 2013 • 11h07 • atualizado às 13h45

Empresa pede indenização de R$ 24,5 milhões por mentira de Armstrong

Americano Lance Armstrong acena durante desfile final da Volta da França, em julho de 2010
Foto: Francois Lenoir / Reuters

A confissão de doping feita pelo ex-ciclista Lance Armstrong em uma entrevista televisiva à apresentadora americana Oprah Winfrey pode ser tão nociva para sua conta bancária quanto para a sua reputação. Uma empresa já anunciou que pretende pedir uma indenização de US$ 12 milhões (R$ 24,5 milhões) ao antigo heptacampeão da Volta da França, que perdeu todos os seus títulos devido ao uso de substâncias proibidas para melhorar o rendimento esportivo.

A texana SCA Promotions está exigindo a devolução dos prêmios pagos a Armstrong por suas vitórias na Volta da França. Isso inclui a quantia de US$ 5 milhões (R$ 10,2 milhões) referente ao título de 2004, quando Armstrong já estava sob suspeita de doping. A SCA inicialmente não quis pagar o prêmio, o que só ocorreu com a definição de um acordo judicial de 2006 - quando a quantia foi acrescida de US$2,5 milhões (R$ 5,1 milhões) em juros e custas advocatícias.

Armstrong passou anos negando as acusações de doping e nunca teve nenhum resultado positivo para substâncias proibidas em exames. Mas em outubro do ano passado um relatório da Usada (agência antidoping dos EUA) o apontou como consumidor e distribuidor de doping, o que o fez perder os sete títulos da Volta da França.

Em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, cuja primeira parte foi ao ar na quinta-feira, Armstrong finalmente admitiu ter consumido substâncias de melhoria do desempenho, como o hormônio EPO.

"As declarações de Lance Armstrong foram de deixar meus clientes de queixo caído, porque ele basicamente admitiu que tudo o que contou a nós em seu depoimento jurado era inverídico", disse Jeff Tillotson, advogado da SCA. "Ele não merece nem tem direito àquele dinheiro".

Juristas dizem que a confissão a Oprah pode resultar em outros problemas jurídicos para Armstrong, embora dificilmente levem à reabertura das investigações criminais contra ele.

"Agora que ele disse que ‘eu fazia aquilo o tempo todo', ele jogou fora aquela que seria a sua verdadeira defesa", disse Geoffrey Rapp, professor de Direito da Universidade de Toledo.

Além de vários processos civis já abertos, Armstrong pode enfrentar outras acusações de difamação por parte das numerosas pessoas que ele atacou durante os anos em que passou alegando inocência.

"Ele errou com essas pessoas. Algumas delas podem ter hesitado em ir atrás dele quando ele estava negando e tinha recursos para se defender em um processo. Eu não ficaria surpreso se houver alguns acordos extrajudiciais agora", comentou Rapp, que acompanhou o caso em detalhes.

 

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