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Conheça a história de Ohno, o "Rocky" da patinação

20 fev 2010
21h38

GREG BISHOP
A evolução de Apolo Anton Ohno se desenrolou nos rinques de gelo, na televisão, ao longo de 12 anos e durante três Olimpíadas de Inverno. Ela envolveu um pai solteiro, um foco singular na pista curta de patinação de velocidade, um treinador exigente e danças com estrelas.

Ela trouxe Ohno até aqui, onde se igualou ao recorde de seis medalhas olímpicas, com três eventos remanescentes, provavelmente em sua carreira. Ao longo das últimas 16 semanas, Ohno se recuperou da gripe suína e se alimentou de algas, fazendo 1448 km de treino na esteira.

Sua evolução, pelo menos no senso atlético, é quase completa. De um punk rechonchudo a uma superestrela delgada com cavanhaque e sentimentos, Ohno construiu, aperfeiçoou, ajustou e poliu seu bem mais valioso: ele próprio.

"Tenho uma visão", disse Yuki Ohno, seu pai. "Apolo vai entreter o mundo com uma apresentação inacreditável. A batalha está só começando".

Ohno está em uma situação rara, trabalhando em tempo integral tanto como atleta olímpico quanto em sua própria marca. Seu perfil adorna a lateral do avião 737 da Alaska Airlines. Seu rosto frequentemente aparece na edição dos mais bonitos da revista People. Seu pulso carrega relógios caros que ele promove ao lado de George Clooney e Cindy Crawford.

Em uma enquete online da revista Smithsonian, Ohno ganhou 37% dos votos para o atleta americano favorito da Olimpíada de Inverno de Vancouver. O atleta de patinação artística Brian Boitano ficou em segundo com 21%. Nenhum dos outros, Shaun White, Bonnie Blair e Eric Heiden, recebeu sequer metade disso.

Mas Ohno não chegou até aqui sozinho. Ele é o produto de uma equipe formada por familiares, amigos, treinadores, técnicos e conselheiros. Eles guiaram sua evolução em treinos, dieta, programação, estratégia e estado de espírito.

Em 2002, Ohno contratou John Schaeffer, ex-boxeador que virou treinador. O currículo de Schaeffer incluía seu trabalho com nadadores, boxeadores, levantadores de peso, lutadores de artes marciais diversas e jogadores da NFL (liga de futebol americano), mas ele nunca havia encontrado alguém com a intensidade, capacidade de recuperação e resistência à dor de Ohno.

"Honestamente, não conheço ninguém que possa treinar com Apolo", disse Schaeffer.

Ele viajou com Ohno para a Itália na Olimpíada (Turim 2006) e para Los Angeles quando o atleta participou do programa Dancing With the Stars. Em certo período, ele levava Ohno até as montanhas perto de Reading, Pensilvânia, três vezes ao dia durante três dias. Ele fez do treinamento na região abdominal e dorsal seu foco principal.

Três meses atrás, Schaeffer se mudou para a casa de Ohno, nos arredores de Salt Lake City. Lá, eles asseguraram que Ohno, um atleta no fim de sua carreira, fosse para os Jogos na melhor forma de sua vida.

Ohno perdeu cerca de 7 kg, duplicou sua força, reduziu seu índice de gordura corporal para 2,8% e não sacrificou a velocidade. Yuki Ohno comparou o filho a um Lamborghini, a mesma marca da Olimpíada passada, mas com uma forma diferente: menor nos quadríceps, mais magro no tronco, mas igualmente explosivo.

Uma rotina de treino típica: oito sequências de duas repetições com cada perna levantando cerca de 450 kg de cada vez e segurando o peso entre cada sequência. Depois, saltos com as duas pernas, então, saltos com uma perna. E na parte da tarde, treino na esteira, alternando cada minuto entre 19 e 24 km por hora com 20 rotações.

Schaeffer também mudou a dieta de Ohno, usando carne magra para obter energia ao invés de carboidratos, o que eliminou nutrientes tóxicos. Ohno comia apenas vegetais, frutas e peixes, exceto na noite anterior e na manhã de cada competição, quando ele se alimentava de massa integral preparada com óleo de coco e gorduras essenciais. "É intenso", Ohno disse, explicando. "Você nem imagina".

A evolução mental se deveu em grande parte a Yuki, que ganhou custódia integral do filho quando ele ainda era um bebê (Ohno nunca fala sobre a mãe de Apolo). Ohno descreveu o pai como sua fortaleza, um sócio igualitário do empreendimento.

Foi Yuki que mandou Apolo para uma cabana isolada, onde ficou sozinho por oito dias, após o fracasso nas classificatórias olímpicas em 1998. Foi Yuki quem determinou limites quando as exigências de tempo aumentaram, quem tomou conta da agenda do atleta e quem enfrentou a segurança desta Olimpíada para entregar comida ao filho depois que Ohno ganhou a medalha de prata nos 1.500 metros.

Yuki construiu a mentalidade, a mudança de foco, que se desviou de vencer competições e assegurar recordes olímpicos e se concentrou na luta pela perfeição. Apolo Ohno muitas vez soa como um mestre Zen, e isso é influência de seu pai.

"A mente dele é muito clara e focada", Yuki Ohno disse. "Quando dirijo com ele, sinto seu nível de testosterona. É tão alto que fico com medo. Não quero desafiá-lo em uma conversa. É como um leão dominante e focado sentado ao meu lado".

A evolução estratégica veio de Jae Su Chun, ex-técnico da poderosa equipe sul-coreana que superou o esquadrão americano em 2007. Yuki deu a seu filho o nome de Apolo porque significa "conduzir" em grego, e Chun explorou o senso de direção extraordinário de Ohno, sua forma de separar os competidores na pista apertada ao patinar no ângulo certo.

Chun ajudou a tornar Ohno um patinador mais eficiente e tecnicamente melhor, que gasta menos energia para ganhar velocidade.

"Apolo sabe que a pista curta é um esporte mental", Chun disse. "O último homem de pé é o mais forte mentalmente, com maior autocontrole. Não existe patinador como Apolo".

Os Ohno evitam perguntas sobre a história, sobre onde Ohno se encaixa entre os Heiden e os Blair. Ohno disse que seu recorde prova que ele havia "passado no teste do tempo" e "deixado uma pequena marca como atleta e esportista".

Por enquanto, eles estão preocupados apenas com o momento. No mês passado, uma lesão óssea profunda no tornozelo de Ohno interrompeu seu treino. A gripe suína também o atrapalhou, depois de contrair o vírus em novembro do ano passado.

O patinador que Schaeffer conheceu em 2002 era "mais um garoto petulante", mas ao longo desses oito anos e três Jogos Olímpicos, Ohno ganhou controle de suas emoções, desenvolveu paixão pelo que Yuki chama de "olimpianismo", se tornou embaixador do esporte e de sua competição suprema.

"Ele está muito mais consciente do seu entorno, do que ser um atleta olímpico significa", Schaeffer disse. "Nunca o vi tão calmo e controlado na minha vida".

Às vezes, Ohno olha para os bancos e vê técnicos com quem ele competiu no passado, quatro gerações de coreanos e chineses. Em momentos de tranquilidade, ele ouve seu pai contar histórias de outros atletas olímpicos, de sua dor e luta, coisas com que ambos os Ohno se identificam.

Logo, Ohno passará para outras empreitadas, como ator, mentor e dono de um negócio de suplementos nutricionais chamado 8 Zone. Logo, os Estados Unidos perderão o patinador que Chun descreveu como "a história da pista curta dos Estados Unidos".

"Talvez a gente volte a ter uma vida normal", Yuki Ohno disse. "Mas a vida nunca é assim. Novos desafios, novas coisas. Pois você está evoluindo. Pelo menos não estaremos no topo de uma montanha, com a sensação de que seremos aniquilados, ou que teremos que aniquilar alguém para sobreviver. Estamos dentro do rinque. Estamos lutando. Estamos perseguindo algo. Isso vai terminar, mas outra coisa vai aparecer".

Para Ohno e sua equipe, uma fase termina esta semana, mas a evolução continua, quer Ohno ganhe três medalhas ou nenhuma.

Amy Traduções

Entenda a prova da patinação no gelo ¿ traçado curto

A patinação no gelo - traçado curto ¿ é realizada em uma pista oval de 111,12 m na qual curvas estreitas dificultam o controle dos atletas. Eles competem uns contra os outros, sem se importar com o tempo.

A disputa consiste em uma série de eliminatórias envolvendo quatro ou seis esportistas. Os dois primeiros em cada uma delas avançam à próxima rodada, em um sistema que é mantido até quatro chegarem à final.

Esse estilo de patinação inclui ainda o revezamento masculino e feminino, que ocorre em dois dias. Oito times de quatro patinadores ¿ mais um reserva ¿ participam dessa prova. São as equipes que decidem quantas voltas cada membro completará, sendo que pelo menos um deles deve girar ao menos duas vezes.

Em vez de passar um bastão, cada atleta que estiver na pista precisa apenas encostar em seu companheiro para completar a troca.

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