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Primeiro algoz corintiano na Libertadores vê "gol maldito"

15 fev 2012 07h31
| atualizado em 16/2/2012 às 10h42
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Diego Garcia
Direto de São Paulo

"Era uma bola parada para o Internacional. Acho que um cruzamento, um escanteio. Não, um cruzamento na área mesmo. Aí a defesa do Corinthians aliviou, mas a bola veio parar comigo. O Vaguinho também veio, dividiu, aí eu pensei: 'já que estou aqui não vou perder a viagem'. Foi uma porrada. Pegou no ângulo... Sensacional". Foi assim, simples, que Vacaria lembrou do gol que decretou empate do Internacional contra o Corinthians no Morumbi: 1 a 1. Nascia aí uma "maldição" alvinegra na Copa Libertadores da América.

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"Começou aí essa sina, nesse gol. O time se perdeu até certo ponto, queríamos o gol a qualquer custo. Era ganhar ou ganhar... O empate seria uma derrota, até porque teríamos três jogos fora de casa depois disso, um deles contra o próprio Inter. Na época, era quase impossível vencer os gaúchos no Sul", continuou Zé Maria, que havia aberto o placar aos donos da casa. Coincidentemente, foi dos pés do próprio corintiano que saiu a "assistência" para o tento colorado.

"O Edu correu pela direita, cruzou na área para o Dario, mas o Jairo saiu de soco, tirou, aí eu dei um carrinho, cortei e afastei a bola dali. Então eu vi ela ir parar nos pés do Vaguinho, mas o Vacaria chegou antes, dividiu e ganhou o lance. Aí ele cortou para a esquerda e bateu de canhota. Um petardo na gaveta", contou o corintiano, com lamentação. Para ele, um "gol maldito", responsável por uma obsessão que já dura 35 anos pelo título continental: "pode ter definido toda a nossa história até hoje".

"O Morumbi estava lotado e todos falavam que ali era o 'ninho' do Corinthians. Eles ganhavam de todo mundo ali e tinha uma razão nisso. Era um estádio grande, e lembro que nossa entrada no campo foi uma coisa emocionante. Uma vaia desgraçada saiu das arquibancadas. E, no meu gol, ela se repetiu. Sabíamos que estávamos fazendo algo grande naquele momento", contou Vacaria.

Depois do gol, o Corinthians se perdeu em campo. Ainda eram 12 minutos do segundo tempo, mas o experiente time do Inter passou a administrar o resultado e, como em 76 (na final do Brasileiro), calou a massa alvinegra. Saiu de São Paulo com um empate precioso, crucial para a classificação em uma chave que contava com dois inexpressivos clubes: El Nacional e Deportivo Cuenca, ambos do Equador. "Os dez minutos finais foram de desespero. Se tivéssemos ganho, a história seria outra", diz Zé.

Fracasso corintiano na sequência, adeus e maldição

Atordoado pelo empate em casa, o Corinthians sucumbiu contra os dois rivais equatorianos e reviu o Inter em Porto Alegre. Perdeu. "Aquele empate em São Paulo foi determinante, sabíamos que era uma 'final antecipada' da chave. Depois, embalamos e pegamos o Corinthians já abatido em Porto Alegre, quase eliminado. Ganhamos de novo e avançamos", exaltou Vacaria. O Inter venceu no dia 24 de abril por 1 a 0 e eliminou o rival paulista do torneio.

Antes disso, o Corinthians havia perdido, fora de casa, para o El Nacional (2 a 1) e Deportivo Cuenca (2 a 1), e depois do revés para os colorados derrotou, já eliminado, os mesmos dois times do Equador (3 a 0 e 4 a 0, respectivamente). "O que nos surpreendeu foi a tal altitude para alguns jogadores. Tínhamos feito jogos fora, mas a tensão maior foi na altitude. Foi uma experiência amarga", relatou Zé Maria.

Embalado, o Inter daria seu adeus apenas na semifinal, contra o bom time do Cruzeiro. Mas, do lado corintiano, o que ficou mesmo foi a sensação de que a eliminação aconteceu naquela estreia, naquele domingo, diante daquelas 94.599 pessoas e contra aquele Internacional. "Se ganha do Internacional a história seria outra. Até no Brasileiro, perdemos e não ganhamos mais nada. Só nadávamos e ganhávamos Paulistas. Só fomos ganhar Brasileiro nos anos 90", lamentou Zé.

Nesta quarta-feira, após quase 35 anos do embate histórico contra o Inter, o Corinthians volta a estrear em uma Copa Libertadores. Mais forte, tanto econômico quanto tecnicamente, o clube alvinegro encara o Deportivo Táchira, na Venezuela, às 22h (de Brasília). Será mais uma noite de sofrimento, e o início de uma nova chance alvinegra de superar sua maior obsessão em 102 anos de história. "Hoje vejo o Corinthians como uma força real", acredita o ex-lateral.

Será, também, mais uma oportunidade de o torcedor descobrir se existe a chamada "maldição" do clube na Libertadores. Se, de fato, aquele gol colorado foi o "começo de uma sina", conforme profetizou Zé, e se também Vacaria, o primeiro "algoz" corintiano, está certo em sua análise: "de repente esse tabu pegou mesmo pelo gol e o Corinthians não consegue ganhar mais de jeito nenhum, não é? Pode ser sido um pouco de maldição...". Veremos, Vacaria... Veremos.

Veja a campanha do Corinthians na Libertadores de 1977:

03/04/1977 - Corinthians 1 x 1 Internacional
04/04/1977 - El Nacional (EQU) 2 x 1 Corinthians
13/04/1977 - Deportivo Cuenca (EQU) 2 x 1 Corinthians
24/04/1977 - Internacional 1 x 0 Corinthians
30/04/1977 - Corinthians 3 x 0 El Nacional (EQU)
04/05/1977 - Corinthians 4 x 0 Deportivo Cuenca (EQU)

Confira todas as estreias do Corinthians em Libertadores:

03/04/1977 - Corinthians 1 x 1 Internacional
20/02/1991 - Flamengo 1 x 1 Corinthians
13/03/1996 - Corinthians 3 x 0 Botafogo
26/02/1999 - Palmeiras 1 x 0 Corinthians
17/02/2000 - América (MEX) 2 x 0 Corinthians
05/02/2003 - Corinthians 1 x 0 Cruz Azul (MEX)
15/02/2006 - Deportivo Cali (COL) 0 x 1 Corinthians
24/02/2010 - Corinthians 2 x 1 Racing (URU)
26/01/2011 - Corinthians 0 x 0 Tolima (COL)

Vacaria, terceiro em pé da esquerda para a direita: primeiro algoz do Corinthians na Libertadores
Vacaria, terceiro em pé da esquerda para a direita: primeiro algoz do Corinthians na Libertadores
Foto: Gazeta Press
Fonte: Terra
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