0

Presidente do Cruzeiro anuncia saída do clube da Primeira Liga

10 dez 2015
18h49
  • separator
  • comentários

Se não bastasse o anúncio e a apresentação de Deivid como novo técnico do Cruzeiro, o presidente cruzeirense, Gilvan de Pinho Tavares, fez questão de tornar o dia do clube mineiro ainda mais movimentos nesta quinta-feira. De acordo com o mandatário, a diretoria celeste rompeu com a Primeira Liga, de forma que a Raposa não participará da primeira edição do torneio no que vem.

Segundo o mandatário celeste, a última reunião entre os clubes para formatação da Primeira Liga foi decisiva para a retirada celeste da competição. Apesar de não comentar o assunto, Gilvan estaria insatisfeito com a forte participação de Mauro César Petraglia no desenvolvimento da competição, tendo em vista que o atual presidente do Atlético-PR deixará o cargo no final do ano.

“Já posso confirmar. O Cruzeiro não fará mais parte da Liga Sul-Minas (Primeira Liga). Surgiram questões com as quais não concordei, assim como Flamengo e Fluminense. Existe uma grande possibilidade de eles também saírem. Temos um momento muito conturbado no futebol brasileiro. Haverá uma eleição para eleger um vice da CBF”, colocou o Gilvan, que entende que apenas presidentes em exercício podem compor o grupo que conduzirá a formação da Liga.

Como a Liga ainda não acertou com nenhum canal televisivo as cotas de transmissão da Liga Sul-Minas, o presidente do Cruzeiro também salientou os momentos financeiro complicado vivido pelo futebol brasileiro, o que, segundo Gilvan, é mais um motivo para o clube celeste não se aventurar em uma competição que não será rentável.

“A Liga não interessa ao Cruzeiro. A gente precisa administrar e dirigir o futebol como empresa. Futebol, você não pode dirigir com ambição. Para jogar futebol, o clube precisa ser remunerado. Você não pode fazer torneio sem uma cota de televisão, com despesas de clubes que passarão por aperto financeiro. Discordamos de coisas que aconteceram na última reunião da Liga. Diante disso, trouxemos isso para a diretoria do Cruzeiro. Com unanimidade, decidimos que o Cruzeiro não deveria correr riscos de disputar um torneio que não será rentável. Temos que caminhar para a formação de uma linha nacional nas séries A, B, C e D, com a CBF cuidando apenas da Seleção. O formato atual não interessa ao Cruzeiro”, analisou.

Perguntando se o desacerto entre os clubes quanto à definição das divisões das receitas da Primeira Liga teria motivado a saída do Cruzeiro do torneio, o presidente cruzeirense, inicialmente, se esquivou. Contudo, logo depois, Gilvan Tavares deixou claro, de uma maneira geral, a sua insatisfação com a divisão de cotas de televisão no futebol brasileiro.

“Isso não chegou a ser discutido. Chegou a ser ventilado um formato diferente de distribuição, que seria como o do Campeonato Inglês e ele atende menos aos clubes que recebem cotas menores do que o formato atual. A gente caminha para que o pay-per-view (PPV) seja a maior receita de televisão dos clubes. Nesse aspecto, Atlético-MG e Cruzeiro seriam mais bem pagos nessa cota de televisão, porque estamos bem colocados no ranking nacional. Só Corinthians, Flamengo e Palmeiras teriam receitas maiores de PPV do que Cruzeiro e Atlético”, comentou.

“No capitalismo, não há como negar que televisão tem de faturar. E ela faturará com clubes que têm receita maior. Há disparidade no futebol brasileiro como no mundial, é preciso acabar com isso e encontrar uma fórmula diferente. Temos superado, em Minas, isso com competência. As cotas de Flamengo e Corinthians são 170 milhões e as de Atlético e Cruzeiro são de 60 milhões, isso abre uma disparidade. Mas nós temos agido com competência para superar isso e contratar bons jogadores. O Cruzeiro foi bicampeão brasileiro e o Atlético-MG ganhou Libertadores, Recopa Sul-Americana e Copa do Brasil. Isso é competência. Temos de lutar para melhorar essa divisão de cota. Isso pode criar um elitismo”, encerrou o presidente do Cruzeiro.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
  • separator
  • comentários
publicidade