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Debate sobre queixas de Pistorius divide cientistas

O Comitê Internacional Paralímpico defendeu nesta segunda-feira as regras em vigor sobre próteses usadas por atletas amputados, apesar da polêmica gerada pelo sul-africano Oscar Pistorius depois da sua derrota para o brasileiro Alan Fonteles na final dos 2

3 set 2012
17h19

LONDRES, 3 Set 2012 (AFP) -O Comitê Internacional Paralímpico defendeu nesta segunda-feira as regras em vigor sobre próteses usadas por atletas amputados, apesar da polêmica gerada pelo sul-africano Oscar Pistorius depois da sua derrota para o brasileiro Alan Fonteles na final dos 200 m T44, no último domingo em Londres.Pistorius, que fez história há um mês ao se tornar primeiro atleta duplamente amputado a ter participado de uma Olimpíada junto com atletas não deficientes, chegando às semifinais dos 400 m rasos e disputando a final do revezamento 4x400 m, criticou o aumento recente do tamanho das próteses usadas pelo brasileiro.De acordo com o CIP, o sistema utilizado para definir as próteses autorizadas ainda é o "melhor possível". No entanto, Peter Van Der Vliet, diretor científico da entidade, admitiu que as regras ainda devem ser avaliadas.O CIP rejeitou as reclamações de Pisturius e Van Der Vliet alegou que as regras, estabelecidas para garantir que as próteses fossem proporcionais ao corpo do atleta, "sempre contaram com a satisfação e a confiança dos atletas".O limite de comprimento das próteses está sendo calculado de acordo com uma fórmula matemática baseada na envergadura do atleta e na distância do esterno (peito) até a extremidade dos membros amputados.Além desta fórmula, 3,5% do cálculo está sendo efetuado com base na observação da corrida de um atleta não deficiente sobre a ponta dos pés.Este sistema de medida das próteses foi desenvolvido após consultas com atletas, treinadores e federações antes de ser aprovado pelo CIP.Van Der Vliet explicou que a determinação dessas regras a respeito dos equipamentos é muito complexa e segue um processo em constante evolução."Em relação ao comprimento das próteses, tentamos nos basear nos trabalhos científicos existentes e assim definimos as regras", explicou o diretor numa coletiva de imprensa, que admitiu a complexidade do constrovérsia gerada pelas reclamações de Pistorius."É impossível comparar dois tipos de próteses, todas são únicas", comentou.O próprio Pistorius se envolveu em outra polêmica quando teve que provar que suas próteses não davam a ele vantagens sobre atletas não deficientes.No domingo, ele alegou que só perdeu seu título nos 200 m T44 porque não tinha como competir com as próteses mais longas dos rivais, incluindo o brasileiro Alan Fonteles, que acabou faturando o ouro. "É impossível não notar a ironia da situação. Pistorius sempre disse que as próteses não influenciavam o seu desempenho e agora ele está falando que foi prejudicado pelas próteses do outro cara (Alan Fonteles)", disse à AFP David James, professor do Centro de Pesquisas de Engenharia do Esporte da Sheffield Hallam University, no norte da Inglaterra.Pistorius não podia participar das competições com atletas não deficientes até 2008, sob a alegação de que as próteses fazem com que gaste menos energia do que os demais competidores correndo na mesma velocidade. No entanto, o sul-africano sempre alegou que esta suposta vantagem era compensada pelo fato de ele ter uma largada mais lenta. De acordo com James, as próteses de fibra de carbono, que podem custar até 10.000 euros cada, são mais leves do que uma perna humana, permitindo uma passada mais rápida.Porém, a protesista Donna Fisher, que trabalha para a empresa Ottobock, explicou que "não é a lâmina que corre, é a pessoa que usa a prótese".Van Der Vliet disse que o debate científico ainda está em aberto e que ainda não existe um estudo que possa definir de uma vez por todas o quanto as lâminas impactam no desempenho do atleta. "Será preciso analisar essas tecnologias de forma mais detalhada. É algo que vamos fazer em breve", anunciou o diretor científico do CIP.kjl-phz/ak/dm

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