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Desempenho brasileiro na canoagem em 2013 anima treinador

10 dez 2013
12h11

No comando da Seleção Brasileira de Canoagem Velocidade desde abril, o espanhol Jesús Morlán avaliou como positiva sua primeira temporada com a equipe, ressaltou os bons resultados e se mostrou otimista para o futuro. A contratação de um dos maiores treinadores do mundo da modalidade faz parte do planejamento do Comitê Olímpico Brasileiro (COB e da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) para aumentar o nível do esporte no País, já pensando em medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016.

"O primeiro ano foi melhor do que o planejado porque normalmente uma temporada tem 46, 48 semanas de treinamento e, desde a minha chegada, tínhamos apenas 21 semanas disponíveis até o mundial. Tratava-se então de conhecer a equipe e fazer o possível dentro deste período. O resultado do mundial foi muito melhor do que o esperado. Até eu fiquei surpreso. Os atletas se saíram muito bem", afirmou Morlán.

Ao assumir a Seleção Brasileira, o treinador mostrou por que é considerado um dos melhores do mundo ao conquistar duas medalhas no Campeonato Mundial disputado na Alemanha, em outubro. Na disputa, ele conseguiu um ouro no C1 500m e um bronze na prova olímpica C1 1000m, ambos com Nivalter Santos.

Além dos lugares no pódio, ele ajudou Nivalter e a dupla Erlon Souza e Ronilson Oliveira a chegarem em outras finais. Antes de trabalhar com a equipe, Morlán se destacou com a Seleção Espanhola, principalmente com David Cal, que faturou cinco medalhas nas últimas três edições dos Jogos Olímpicos.

Como não teve muito tempo para treinar com os brasileiros antes do Mundial, o espanhol afirmou que implantou um novo tipo de treinamento, que causou estranheza no começo, mas deu resultados em pouco tempo.

"O método de trabalho era novo e muito diferente para eles. Utilizamos muitos dados matemáticos. É quase como fazer robôs para a canoagem. Nos primeiros dias, eles ficavam perdidos, não entendiam o treinamento. Até que um dia, o treinamento saiu. E, a partir daí, tudo fluiu. Saíam os tempos, as parciais, tudo estava certinho. Os tempos estavam muito bons e tínhamos quase certeza que ganharíamos uma medalha no mundial", afirmou o técnico.

"O que mais me surpreendia era o dia a dia. Eram semanas muito fortes de treinamento e eles sorrindo como que não sentindo a dificuldade dos treinos. O que eu pedia eles davam. O que eu acreditava que eles poderiam, eles faziam. Eu pensava: será que somos capazes de fazer isso? Eram. Será que aguentam? Aguentavam. Cada dia era algo mais", completou.

Boa primeira impressão - Se a primeira impressão é a que fica, Morlán deixou todos muito otimistas. Logo na sua primeira competição no comando da Seleção, na etapa da Copa do Mundo de Poznan, em junho, o Brasil conquistou dois ouros e duas pratas, bom desempenho que foi ainda mais confirmado no Mundial.

"Todo mundo só falava de nós. O fim dessa história foi ver o Isaquias, um brasileiro campeão do mundo pela primeira vez, na Alemanha, um país super entendido de canoagem. Aplaudiam muito o Isaquias. Foi um pódio muito bonito. Nunca esquecerei isso na minha vida. No mundial, a equipe brasileira foi o grande destaque. Todas as equipes estavam falando do Brasil. Os treinadores de todo o mundo me cumprimentaram mais pelos resultados dos brasileiros no mundial deste ano do que por todas as medalhas olímpicas que conquistei. Não tenho explicação para o que aconteceu, mas sei que eles treinaram muito e quanto mais eu pedia, mais eles davam", lembrou.

Muito feliz com a performance da equipe, o atleta já traçou o plano para os próximos anos, mirando os próximos mundias.

"Temos que continuar trabalhando forte. Nada aconteceu. O importante é ganhar as vagas em 2015 e as medalhas em 2013. Você pode ganhar os mundiais de 2013 e 2014, mas se a medalha não vier nos Jogos Olímpicos, você não fez nada. É isso que vale. Vamos guardar tudo de 2014 para gastar em 2015. Temos que fazer um grande 14 para fazer um 15 bem intenso. É aí que estão as vagas", concluiu.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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