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Em cerimônia, Seleção de beisebol é recebida por Cônsul Geral do Japão

5 fev 2013
22h31
atualizado às 22h54
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No final do ano passado, o beisebol brasileiro conseguiu um grande feito e, com uma vitória sobre o Panamá pelo placar de 1 a 0, a Seleção fez história e se classificou pela primeira vez para o World Baseball Classic (WBC), considerado a Copa do Mundo da modalidade. Não bastasse isso, os brasileiros passaram da fase classificatória com 100% de aproveitamento, depois de terem batido o mesmo Panamá na primeira partida, por 3 a 2, e a Colômbia, na sequência, por 7 a 2.

E nesta terça-feira, dia 5 de fevereiro, os atletas e a comissão técnica da Seleção Brasileira foram recebidos na Casa do Cônsul Geral do Japão, Noriteru Fukushima, com direito a cerimônia de gala. O evento contou com a presença de representantes da Major League Baseball (MLB), liga profissional norte-americana que promove o WBC, de dirigentes relacionados ao esporte e à colônia japonesa e teve até apresentação de um grupo de Taikô, os famosos tambores tradicionais do Japão.

No dia 2 de março, o Brasil estreia na competição, contra o Japão, país que é bicampeão do torneio, em duelo que será realizado na cidade de Fukuoka (JAP). Integrante do grupo A que, além dos japoneses, também conta com a presença das seleções de Cuba e China, a Seleção Brasileira, assim como foi na fase de classificação, chega como ‘zebra’ ao WBC. Mas os jogadores brasileiros não se mostram nem um pouco preocupados quanto à situação.

Pedro Ivo Okuda, que atualmente joga na filial venezuelana do Seattle Mariners, faz questão de ressaltar que o país chega sem grandes responsabilidades no Mundial. "O Brasil não esperava que o beisebol estivesse classificado para a Copa do Mundo. Foi uma surpresa para todos. Estamos contentes e confiantes para a próxima fase, no Japão", diz o shortstop (atleta que joga entre a segunda e a terceira base).

"Vamos jogar. Temos que jogar. O Brasil tem um beisebol bom. Japão e Cuba são as maiores forças, os dois países mais fortes, mas só jogando que dá para saber. Os favoritos são eles, eles que vão estar com a pressão contra o Brasil. Porém vamos mostrar o beisebol do Brasil e, quem sabe, sair com uma vitória, contra Japão, contra Cuba, ou contra China, um desses três", continuou o atleta, adotando um discurso otimista.

Atualmente com 22 anos de idade, Okuda também lembra que basta um triunfo da Seleção Brasileira para que a vaga para a próxima edição do WBC seja assegurada. "Buscando uma vitória nesse grupo, contra um dos três adversários, a gente já fica com a classificação garantida para o próximo Mundial", frisou.

E um dos principais trunfos do Brasil para se sair bem no torneio vem do banco de reservas. Barry Larkin, ex-jogador do Cincinnati Reds e integrante do Hall da Fama da Major League Baseball, é o técnico da Seleção. O norte-americano, natural da mesma cidade do time que defendeu por toda a carreira, conheceu a cultura do beisebol no país, se ofereceu para ser treinador do time nacional brasileiro e, agora, se mostra feliz com a evolução pela qual a modalidade vem passando no Brasil.

"Eu acho que o aconteceu até agora com o beisebol no Brasil é admirável. O país já teve o primeiro ‘major leaguer’ nascido aqui, o Yan Gomes. E ele foi muito importante na nossa vitória na fase classificatória", destacou Larkin, que sonha com dias nos quais os futuros atletas sonhem em se destacar no esporte.

"A expectativa é que os jovens não queiram ser o próximo Neymar, o próximo Ronaldo, ou outro jogador de futebol, mas sim o próximo André Rienzo, o próximo Yan Gomes, o próximo jogador profissional de beisebol. É um processo longo. O beisebol é um esporte muito difícil. É um esporte baseado na falha. Mas com o sucesso da Seleção que participa do World Baseball Classic, talvez as pessoas possam entender que algo pode ser conquistado", prosseguiu.

O técnico do Brasil também não poupou elogios aos seus jogadores. "Eu realmente aprecio a disciplina e a paixão deles. Eu acho que esses atletas sabem o que é necessário para serem bem-sucedidos e sabem aplicar o que aprendem em situações de jogo. Eles querem continuar a aprender, continuam trabalhando em suas funções, seguem fazendo perguntas, tudo para se tornarem melhores jogadores de beisebol", admitiu.

E se Larkin admira seus atletas, o mesmo acontece da outra parte. André Rienzo, arremessador do Chicago White Sox e um dos principais talentos do Brasil, analisa a importância do comandante para a Seleção Brasileira.

"Quando eu falava com meus amigos dos Estados Unidos, eles perguntavam: ‘por que ele (Barry Larkin) está lá, o que ele está fazendo?’. Há três anos ele vem dar clínicas aqui no Brasil e ele conheceu a cultura do beisebol brasileiro. E é o que ele gosta: da nossa cultura e do nosso respeito pelo jogo. Além de um grande jogador que foi, um grande técnico, ele te ajuda sempre, deixa a parte negativa de lado e traz sempre a parte positiva. É uma experiência enorme para todo o time. Ter um integrante do Hall da Fama sendo o nosso treinador é uma grande honra, uma grande oportunidade. Algo grandioso", destacou o jogador de 24 anos.

Estevão Sato, vice-presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), é outra pessoa que admira ex-jogador dos Reds. "O Barry Larkin, posso falar sem erro, que ele é para o Brasil no beisebol o que o Pelé é no futebol. A gente conta com uma pessoa extraordinária, tanto como técnico, como pessoa, como líder e como incentivador do esporte aqui no Brasil. Ele é o ícone. É a pessoa que luta pelo Brasil e que aceitou a grande responsabilidade de dirigir uma Seleção que não tinha nenhuma tradição no esporte, e conseguimos conquistar a classificação", observou.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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