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Em recuperação, Vonn busca primeiro ouro nesta quarta

17 fev 2010
14h10
atualizado às 14h53

Shira Springer

As imagens recentes de Lindsey Vonn exibem qualidade semelhante a fotos de paparazzi. Podemos vê-la, com os esquis nas mãos e o cabelo aninhado rigorosamente sob um chapéu de inverno decorado com os anéis do símbolo olímpico, sorrindo cautelosamente para a câmera e mancando ligeiramente ao caminhar.

Também a vemos testando seu tornozelo direito lesionado, em manobras casuais encosta abaixo, parecendo mais uma esquiadora iniciante do que uma atleta olímpica. E a vemos como uma celebridade apanhada de surpresa e forçada a responder perguntas sobre o que sente com relação aos treinamentos e provas adiados.

Já que o clima terminou por comprometer o cronograma do esqui alpino em Whistler, Vonn vem sendo o tema de muitas atualizações de notícias em tom ligeiramente sensacionalista, e de comentários pouco amáveis. As feministas criticaram a foto dela que foi publicada na capa da revista Sports Illustrated, porque seu traseiro parecia ser o foco do interesse da edição dedicada às previsões olímpicas da publicação.

Os narradores esportivos locais fizeram menções desairosas à presença dela na edição de fotos de maiô da mesma revista. "Adivinhem que modelo de maiôs estava liderando o pelotão", comentou um narrador durante uma prévia sobre os resultados do primeiro treinamento da prova de downhill feminino. "Uma dica: Não era Kathy Ireland e não era Elle McPherson".

A resposta, claro, era Vonn. Na primeira sessão oficial de treinamentos, na segunda-feira, Vonn superou todas as concorrentes e se reafirmou como favorita para a prova desta quarta-feira. Julia Mancuso, sua colega na equipe americana, obteve o segundo melhor tempo. O treinamento feminino foi dividido em baterias diurna e vespertina, devido a problemas de agenda causados pelo mau tempo.

Outra sessão de treinamento foi cancelada na última terça-feira, devido à neve pesada que caiu durante a noite, e isso representou mais uma pequena vantagem para Vonn. Cada adiamento e cada cancelamento propiciaram tempo adicional para que ela repouse seu tornozelo. Mas cada adiamento também serviu para desviar a atenção quanto àquilo que a bicampeã da Copa do Mundo faz de melhor.

"Eu fiquei realmente feliz por termos mais um dia de folga", disse Vonn, que passou a última terça fazendo terapia depois de agravar sua lesão na segunda. "Estou realmente entusiasmada com a prova. A situação envolve muita correria e muita espera, com os cancelamentos todos. Mas estou certamente ansiosa por iniciar a disputa. Sou muito lutadora e quero sair à pista e iniciar logo a prova".

Uma apresentação que valha medalha nesta quarta - ela largará em 16° lugar, uma posição bastante favorável - faria muito para devolver Vonn à posição de esquiadora acima de tudo, aquietando os cínicos e os críticos. As concorrentes com melhor classificação no ranking largam da 16ª à 22ª posição, o que significa que Vonn esquiará antes de suas principais rivais, Anja Paerson (21ª) e Maria Riesch (22ª).

A americana continua circunspecta quanto ao desempenho que poderá apresentar. A pista ondulada foi difícil de tolerar nas sessões de treinamento. Vonn classificou a pista de downhill como "a pior para o meu tornozelo", depois de concluir o treinamento.

"Fiquei honestamente surpresa", disse Vonn, que foi a mais rápida na porção superior da encosta. "Quase saí da pista uma ou duas vezes. Não é que eu estivesse esquiando mal. O problema era a dificuldade de me manter na pista. Não é uma pista agradável; não é uma pista divertida; é uma pista que requere que você se concentre e desça sem erros. Se você esquiar com agressividade, sem perder a concentração, será bem veloz".

Quando Vonn divulgou sua lesão, antes do início dos Jogos de Vancouver, havia a preocupação de que isso pudesse excluí-la completamente da Olimpíada. Na semana passada, Paerson, sua rival sueca, declarou-se cética quanto à severidade da lesão da concorrente.

"Não sei dizer até que ponto é séria", disse Paerson, depois de ver Vonn se preparar para uma sessão de treinamento na quinta-feira, o dia em que a americana descreveu seu problema como "lancinantemente doloroso".

A sessão de treinamento foi cancelada devido a neblina e neve, mas Paerson acrescentou que "eu acabo de vê-la uniformizada; para mim, isso significa que não está lesionada, porque está na linha de largada. Esquio com Lindsey há muito tempo, e sei que ela é muito batalhadora. Não quer recuar só porque sente dor. É assim que as coisas funcionam entre os esquiadores alpinos; quase todos nós sentimos dor em algum lugar, mas saímos à pista e lutamos".

Depois de responder a diversas perguntas sobre Vonn, Mancuso disse que "Lindsey está sempre lesionada. Estou aqui para correr, e só". Paerson, que obteve o melhor tempo do dia em uma segunda sessão de treinamento na parte inferior da encosta, deve disputar o ouro com Vonn.

Conhecendo bem as concorrentes, Alex Hoedlmoser, técnico da equipe feminina de esqui de velocidade dos Estados Unidos, destacou Paerson como a atleta a ser observada. Sete vezes campeão mundial, bicampeã da Copa do Mundo e dona do ouro olímpico no slalom nos Jogos de Turim, em 2006, a sueca é uma das raras esquiadoras cujas realizações impressionam mais que as de Vonn.

"Do lado da velocidade, não se pode esquecer Anja Paerson", disse Hoedlmoser. "Ela está de volta com toda a força, e será uma forte candidata nas modalidades de velocidade. Sabe como enfrentar esses eventos grandes. É óbvio também que Maria Riesch, amiga de Lindsey, tem chance de se sair bem em diversas provas".

"E sempre existe a chance de que alguma concorrente menos conhecida consiga disputar a melhor prova de sua vida. Nos grandes eventos, todo mundo sai e faz o seu melhor, tentando o máximo. É por isso que essas provas são tão, tão perigosas: temos 35 pessoas na disputa e todas elas podem de fato conquistar um lugar no pódio".

Como Paerson e Riesch, Vonn tem a experiência a seu favor. Ela é a atual campeã mundial de provas downhill e tem dois títulos de Copa do Mundo nessa modalidade. Além disso, o fato de que o downhill é seu evento favorito também pesa em seu favor.

"Lindsey é uma competidora tenaz, e não haverá nada que a segure, tenho certeza", disse Jim Tracy, técnico da equipe feminina de esqui alpino dos Estados Unidos. "Tivemos uma excelente sessão de vídeo na noite de segunda-feira, e há pontos em que ela precisa melhorar seu desempenho... Haverá quatro ou cinco meninas capazes de vencer na disputa".

Na sessão da tarde de terça-feira, Vonn concluiu em 20°, logo adiante de Riesch, da Alemanha, outra candidata à medalha de ouro. Vonn, que fala alemão fluentemente, passa o Natal com a família de Riesch, e muitas vezes estuda pistas na companhia da amiga. Elas conseguem equilibrar a amizade e a competição, especialmente este ano, com Riesch atrás de Vonn por uma margem ínfima na pontuação total da Copa do Mundo.

"Conversamos na pista", disse Vonn. "Trocamos ideias sobre a situação do terreno e sobre o que pretendemos fazer. Mas quando estamos na linha de largada, é claro que desejamos vencer. É bom ter alguém que conhece sua vida, e toda essa situação da mídia, e todas as expectativas e tudo mais. Ela sente a mesma coisa em seu país. Conversamos a respeito disso. Ajuda a reduzir o desgaste".

Entre sua lesão, as fotos para a Sports Illustrated e as perguntas ininterruptas sobre ambos os temas, Vonn precisava de alguma coisa para diminuir a tensão, nos últimos dias.

Ironicamente, foi sua presença na edição de fotos de maiô que gerou uma boa risada. Momentos depois que Vonn revelou sua lesão no tornozelo, em entrevista concedida em companhia de seus colegas de equipe, começaram a surgir perguntas sobre as fotos em que ela aparece de biquíni. "Acho excelente¿, disse Mancuso. "Foi ótimo ver Lindsey de biquíni na Sports Illustrated. Vou pedir um autógrafo no meu exemplar". As duas esquiadoras riram.

Mas Vonn não se incomodaria se fotos que a mostrem no tipo do pódio olímpico, em traje de esqui, viessem a receber igual interesse. Se ela conquistar uma medalha de ouro, ou até mais, haverá muitas imagens novas disponíveis.

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Tradução: Paulo Migliacci

Técnica do ski jumping
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Foto:
The New York Times
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