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Após medalha inédita, Cesar Castro foge de crise e mira treino nos EUA

22 mai 2013
08h04
atualizado às 08h12
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Em duas semanas de maio, Cesar Castro conseguiu evolução que não havia sido possível nos últimos meses: o brasileiro competiu em três Grand Prix de saltos ornamentais, obtendo melhora que o levou, em Porto Rico, à inédita medalha de ouro no trampolim de 3 m. A experiência abriu a possibilidade de deixar o Brasil para focar os treinamentos para o Mundial de Barcelona, permanecendo o mais longe possível da crise aberta pelo fechamento do Parque Julio Delamare no Rio de Janeiro, cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Cesar Castro compareceu a audiências e deu entrevistas sobre o Julio Delamare
Cesar Castro compareceu a audiências e deu entrevistas sobre o Julio Delamare
Foto: Getty Images

"O sonho de me preparar para uma Olimpíada no Brasil, infelizmente, não vai poder ser realizado. Vou ter que treinar lá fora", disse o atleta, em entrevista por telefone ao Terra. Com apoio do Mackenzie e dos Correios, seus patrocinadores, Cesar Castro vai embarcar para período de trabalho em Athens, uma cidade de 115 mil habitantes localizada no estado da Georgia, nos Estados Unidos. Treinará em um centro esportivo que já conhece, e ali se aprontará para o Mundial de Barcelona, que será disputado de 19 de julho a 4 de agosto.

"Há alguns anos que vou lá treinar. Antes ia para passar duas semanas. Agora vou ficar quase dois meses", afirmou. A questão que mais tem incomodado é o fechamento do principal local de treinamento para desportos aquáticos no Rio de Janeiro. Em 1º de abril, o Parque Julio Delamare foi desativado. Mais de 13 mil pessoas treinavam no local. A disputa judicial continua nos bastidores, mas a expectativa é de que seja demolido para virar estacionamento para o Maracanã, principal sede e palco da final da Copa do Mundo de 2014.

Desde então, Castro foi acolhido pelo Fluminense, onde seguiu os treinamentos, mas se envolveu na campanha contra a demolição em audiências e, principalmente, no contato com a mídia. "De abril até a viagem, dei mais entrevista sobre o parque aquático do que sobre a competição que eu participei", contou o atleta. Foi fora do Brasil, quando a questão deixou o cotidiano de Cesar Castro, que os treinos renderam efetivamente. Por isso, ele não descarta manter sede fora do País para chegar pronto aos Jogos Olímpicos de 2016.

"Isso vai depender. Esse estágio servirá para ver como será minha adaptação ao local. Se for legal e sair tudo bem, a ideia é dar continuidade. Mas esse é um segundo passo. Primeiro vamos até o Mundial. Aí, se nada acontecer (no Brasil), posso continuar por lá", explicou Cesar Castro, que encara a mudança de forma positiva. "Estou com uma expectativa boa. Estou bem contente de sair de perto dos problemas".

Cesar Castro conquistou resultado inédito após deixar crise no Brasil e focar treinos
Cesar Castro conquistou resultado inédito após deixar crise no Brasil e focar treinos
Foto: Getty Images
Medalha de ouro inédita

Cesar Castro estreou no cenário mundial em 2013 no dia 2 de maio, no GP de Gatineau, no Canadá. Estava sem ritmo de competição, “meio tenso”, mas mesmo assim foi bem: terminou com a 7ª colocação e o índice para o Mundial de Barcelona. Na semana seguinte, em 9 de maio, em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, se sentiu menos nervoso e saltou melhor, apesar de terminar com o 10º lugar, novamente eliminado na semifinal. Em 19 de maio, em San Juan, em Porto Rico, ele subiu ao lugar mais alto do pódio.

"Antes de viajar, estava com muitos problemas por conta do Julio Delamare, com reunião aqui e ali, entrevista. Tudo isso tira um pouco o ritmo de treino. Só quando saí consegui dar uma continuidade", disse o saltador, que classificou o desempenho como o "melhor da vida". A vitória causou certa comoção. "Quem acompanha sabe que não é sempre que se vê um brasileiro no pódio. Foi a primeira vez que tocou o Hino Nacional no circuito mundial", ressaltou.

Aos 30 anos, Cesar Castro se considera um veterano dos saltos ornamentais. Esteve em três Olimpíadas. Seu melhor desempenho foi em 2004, em Atenas, quando quebrou jejum do País depois de 52 anos sem colocar representante na final da modalidade, terminando em 9º - o último havia sido Milton Busin, 6º lugar em Helsink 1952. "Eu já participei de muitas etapas do circuito mundial. Já fui prata, fui bronze. Mas por tudo que estou vivendo, por essa situação toda, conseguir o ouro foi bastante especial. Foi gratificante. Dá um alívio", contou.

Fonte: Terra
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