Everest 10 anos

A conquista brasileira do Everest em 1995



Divulgação

Niclevicz no cume do Everest
A estrada que levou Waldemar Niclevicz ao cume do Everest começou em 1991, quando o alpinista recebeu um convite de uma expedição francesa que visitaria o Himalaia no mesmo ano. Até então, embora já tivesse escalado montanhas na América do Sul e na Europa, Niclevicz nunca havia pensado em chegar ao topo da montanha mais alta do mundo.

Depois de cinco meses em busca de patrocínio, o brasileiro partiu para o Nepal no dia 11 de agosto de 1991. Após uma passagem pela Europa, enfrentou o rigoroso outono do Himalaia, e a expedição se viu derrotada aos pés do Everest, a 8.504 metros de altura.

Quatro anos mais tarde, em melhores condições, Niclevicz decidiu reviver a aventura e, desta vez, atingir o pico culminante do planeta, tido no século 19 como o terceiro pólo terrestre.

A primeira tentativa havia sido pelo Nepal, rota tida como "mais fácil". Mas restrições do governo do país levaram Niclevicz a optar pela rota tibetana, que naquele ano enfrentava ventos de até 160 km/h nos pontos altos. Na soma das conquistas, o Tibet também levava desvantagem --dos 548 alpinistas que alcançaram o cume do Everest até aquele ano, apenas 108 haviam empreendido a viagem pelo flanco tibetano.

Mesmo assim, Niclevicz embarcou. Depois de um período de aclimatação, chegou ao acampamento base pelo lado nepalês no dia 16 de abril de 1995, enfrentando 13 graus negativos.

Dia após dia, enfrentou cansaço, frio, neve, ventos, labirintos e abismos de rocha e gelo. Aprendeu com gente de toda parte do mundo até que, ao lado do carioca Mozart Catão, atingisse o cume, às 11h22 do dia 14 de maio de 1995. Eles passaram mais de três horas no topo, de onde avistavam, emocionados e por cima das nuvens, cumes de montanhas vizinhas e, lá embaixo, a mais de 3.200 metros, o acampamento base. O sonho estava realizado.

O Everest

O Everest foi conquistado pela primeira vez em 1953, pelo neozelandês Edmund Hillary e pelo sherpa (habitante do Himalaia) indiano Tenzing Norgay. Antes, durante 101 anos, 15 expedições fracassaram, e 24 pessoas morreram na tentativa.

A escalada está cheia de armadilhas. Desde tempestades, avalanches ou trechos que exigem técnica e bom preparo físico, até o ar rarefeito, que prejudica a oxigenação do cérebro, retarda o raciocínio e pode provocar alucinações. A 8.848 metros, o alpinista tem disponível apenas 30% do oxigênio que respiraria ao nível do mar.

Para enfrentar o desafio de rocha e gelo, além do preparo físico, é preciso ter equipamento adequado - desde barracas para acampamentos intermediários, passando por vestuário especial para se proteger do frio, lanternas, tubos de oxigênio, panelas e fogareiros, não só para preparar as refeições, mas também para derreter a neve e obter água.

Agora, na comemoração dos dez anos da conquista, Waldemar Niclevicz e Irivan Gustavo Burda vão percorrer a rota nepalesa. A viagem começa no dia 22 de março, e o início da escalada está previsto para o dia 24 de abril. A expectativa é atingir o cume até o dia 24 de maio.