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Filha Sophia é inspiração para Maurren Maggi no esporte

16 abr 2012
09h02

Maurren Maggi, campeã olímpica de salto à distância se viu em uma situação delicada da carreira no ano de 2003. Ao mesmo tempo em que era sua a melhor marca do mundo na temporada (7,06 m) no salto em distância, um exame antidoping que deu positivo mudou completamente seus planos.

Maurren Maggi e a filha Sophia. A dupla se apoia em todos os momentos
Maurren Maggi e a filha Sophia. A dupla se apoia em todos os momentos
Foto: Laílson Santos / Divulgação



Maurren ficou dois anos afastada, sem contato com atletismo ou qualquer outro esporte. Foi nesse período que tomou a decisão de ser mãe. E hoje, Sophia, de 7 anos, é filha da atleta que conquistou o primeiro ouro individual feminino no salto à distância da história brasileira.



Terra: Você acha que há um momento certo para uma atleta decidir ser mãe? Qual é esse momento?
Maurren Maggi:

Se eu soubesse que seria tão bom pra minha carreira, teria tido antes. Sempre um ano que é vago que tem o mundial, é um bom ano para engravidar tranquila. O nosso calendário anda junto com o das Olimpíadas, de quatro em quatro anos podemos engravidar.



Terra: Como foi a sua gravidez? A situação do doping ajudou na decisão de ser mãe naquele momento?
Maurren:

Minha gravidez foi perfeita, sem náusea, sem desejos, foi ótima. Mas com certeza o meu afastamento por causa do doping deu o empurrãozinho que faltava para eu ter a Sophia. Hoje,me programaria mesmo no meio da carreira, tenho uma vida estável, seria menos difícil.



Terra: E como foi voltar para a pista com a Sophia pequena?
Maurren:

Foi fácil. O esporte que escolhi permite que ela venha para a pista ficar perto durante os treinos. Meus técnicos me ajudavam a olhá-la enquanto estava treinando. Tê-la ao meu lado foi fundamental para o meu retorno ao esporte.



Terra: Você acha que sua performance mudou depois da gravidez?
Maurren:

Mudou com certeza. Hoje, brigo para fazer o melhor pra ela, e tudo acaba sendo consequência disso: saltar melhor, ficar bem, vencer, enfim. Brigo pela medalha para mostrar para ela. Tudo gira em torno dela. Inclusive nas derrotas, quando ela está lá para me abraçar.



Terra: Como a Sophia encara as competições que você disputa?
Maurren:

Ela participa, gosta, vibra e dá palpite. Ela já é uma entendedora, fala se eu queimei ou não.



Terra: Ela quer ser atleta também?
Maurren:

Ela gosta de fazer atividade. Aqui na pista a Sophia salta, coloca barreira, pega tempo, entra na minha frente pra saltar. Ela é apaixonada por esporte. Quando chegou da escolinha a primeira coisa que me contou foi "Nossa mamãe, tem uma quadra. A gente pode jogar". Nessa idade eles fazem Educação Física, quando tudo é bem educativo, com jogos de queimada etc. Ela fez balé, mas não gostou, disse que nunca mais quer fazer na vida. A Sophia é igual a mãe, gosta de dança mais gesticulada, clássica não é com ela, nem comigo.



Terra: O que o esporte trouxe de positivo para você desempenhar seu papel de mãe?
Maurren:

Tudo. Até a fase que morei no alojamento, na qual vivi durante quase sete anos, foi tudo lição de vida. Aprendi e ensino o que passei, o quanto sofri, o que tive de benefício, e a Sophia admira. Para mim, ver que ela respeita e admira tudo isso é muito legal. O esporte traz para sua vida valores como educação, respeito, ética, trabalho em grupo, determinação - valores que acho fundamentais para a minha filha. Ela me vê saindo cansada para treinar, e aprende o que é ter força de vontade e, o mais importante, me acha ótima.



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