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Melancólico, Campeonato Carioca chega à reta final sonhando com o Maracanã

21 abr 2013
21h33
atualizado às 21h34
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Última rodada da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca. Muito pouco em jogo e pouco interesse do público e das equipes - tanto que nem um gol de Rhayner logo aos 6min do primeiro tempo em Fluminense x Bangu serviu para empolgar a partida pela ultima rodada. E quando um gol de Rhayner já nem é mais novidade, é bom olhar para a torcida e ver o que se pode encontrar.

<p><span style="text-align: justify;">Em São Januário, Jarbas Carlini tenta incentivar público a acompanhar jogos da Seleção Brasileira</span></p>
Em São Januário, Jarbas Carlini tenta incentivar público a acompanhar jogos da Seleção Brasileira
Foto: Marcus Vinícius Pinto / Terra

No meio da pequena torcida tricolor presente ao Estádio de São Januário (855 pagantes e 1883 pessoas nas arquibancadas, com renda de R$ 14.065), foi possível encontrar algumas historias – como as de Jarbas Carlini, um botafoguense que anda pelos estádios promovendo a Seleção Brasileira. A história pode parecer um pouco sem sentido, mas são coisas que só a paixão pelo futebol pode explicar.

Jarbas é um quase ex-jogador frustrado, que parou no juvenil do Campo Grande nos idos dos anos 80. Em 94, a imagem de Dunga levantando a Copa do Mundo o deixou arrepiado. "Daquele dia em diante, resolvi fazer uma réplica daquela Copa para ter em casa. A família gostou, começou a tirar fotos, pedir emprestado", conta, lembrando que hoje já tem até uma fôrma, para o caso de sua réplica quebrar. "Ela é feita em gesso, barro e cimento", explica.

Mas foi a proximidade da Copa do Mundo que fez Jarbas voltar a frequentar os estádios para, agora, promover os jogos da Seleção. "Quarta-feira tem Brasil x Chile no Mineirão, e vim aqui para todo mundo saber", diz ele com uma bandeira do Brasil, uma do Chile e um boneco do Neymar.

"Nunca mais vou ter a chance de ver uma Copa do Mundo no Brasil, e quero viver cada minuto. E ainda tenho que ver algum jogo", diz, lembrando que vai fazer de tudo para estar no Maracanã no próximo sábado, em um jogo amistoso entre os amigos de Bebeto e Ronaldo só para convidados, mas que comprou ingresso para ver México x Italia no dia 16 de junho pela Copa das Confederações.

O torcedor é um frequentador assíduo de treinos, comemorações, festas de futebol, e seu álbum de fotos é seu orgulho. Mas até um apaixonado como ele tem que admitir que o Campeonato Carioca deste ano é o pior em muitos anos. "O fechamento do Engenhão tirou o brilho do Estadual. Mas ainda podemos terminar com alguma coisa boa - por exemplo com o Botafogo inaugurando o Maracanã na final", sonha.

<p>Fluminense e Bangu jogaram para pouco público; no fim, vitória tricolor por 2 a 0</p>
Fluminense e Bangu jogaram para pouco público; no fim, vitória tricolor por 2 a 0
Foto: Ricardo Ayres / Photocamera

Pode parecer sonho, mas o fato é que o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Rubens Lopes, confirmou ao Terra que negocia com a secretaria de Esportes do Estado para que a final da Taça Rio e as finais do Estadual - caso o Botafogo não vença a Taça Rio - sejam no Maracanã. "Não vejo motivo para que nao seja assim. O Mineirão, o Castelão e a Fonte Nova ja estão recebendo jogos e acho que pode ser bom para testar o estadio como quer a Fifa" disse.

Falando em Estadual ruim, pouca coisa mais aconteceu no jogo depois do gol de Rhayner. Rubens Lopes foi a São Januário ver "o seu Bangu" e teve que amargar um estadio vazio, um jogo fraco e pouca motivação: tônica de um campeonato que se arrastou por dois turnos, com 16 clubes e com o "castigo" de Vasco e Flamengo fora da disputa pelo segundo turno, e pelo campeonato, já na terceira rodada. "Hoje não vem ninguém porque o jogo não interessa", desconversou Rubinho.

E sendo assim, sem nada o que contar de interessante no campo, além de mais um gol de Rafael Sóbis nos acréscimos do jogo, ainda tem uma última historia. São Januário se despede do Carioca de 2013 no dia que completa 86 anos. Lá pelos idos de 1927, o estádio era inaugurado e em pouco tempo serviria de palco para os desfiles e discursos históricos do presidente Getúlio Vargas. Então, 86 anos depois, o Getúlio Vargas estava de volta. Desta vez, com um homônimo no gol do Bangu, e com mais pena que glória. Igualzinho ao Estadual, que parece, enfim, vai chegar ao fim dentro de mais três ou cinco jogos. Triste tarde de domingo para o futebol carioca.

Fonte: Terra
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