Futebol

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11 de março de 2011 • 16h03 • atualizado em 24 de Março de 2011 às 14h16

Após acordo, atleticano alfineta dissidentes, Record e Globo

Alexandre Kalil disparou contra clubes dissidentes do Clube dos 13
Foto: Fernando Borges / Terra
 
Celso Paiva
Direto de São Paulo

Um dos defensores mais ferrenhos do processo de licitação promovido pelo Clube dos 13 pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, aproveitou o acordo da entidade com a RedeTV! para alfinetar as concorrentes Globo e Record, além dos clubes dissidentes ao processo.

O dirigente afirmou que o acordo de R$ 1,548 bilhão com a emissora, por três anos de contrato (2012 a 2014), poderia ser ainda maior se Corinthians, Palmeiras, Santos, Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense, Cruzeiro, Grêmio e Coritiba não tivessem deixado as negociações.

"O que trabalharam para não abrir este envelope hoje, é brincadeira. Eu acredito que graças aos outros clubes não quererem concorrência, fazerem de tudo para não ter uma concorrência, a perda foi de cerca de R$ 200 milhões por ano".

O presidente aproveitou para disparar contra as redes de televisão que saíram do processo, ressaltando que o dinheiro da Record viria de origem duvidosa e rebatendo o discurso da Globo, de que o futebol não trouxe lucros para emissora nos últimos anos.

"O valor está aí, foi colocado na mesa de forma limpa. É bom para acabar com as dúvidas do dinheiro, assim não tem dinheiro de igreja. O diretor da RedeTV! (João Alberto Romboli) deixou claro que todas as cotas (de patrocinadores) de 2012 já foram vendidas, e que não adianta ninguém ir lá atrás para buscar, porque já esta tudo vendido. Isso mostra que o produto é bom, diferente de que outros disseram por aí".

Kalil aproveitou para afirmar que não sairá do Clube dos 13 por uma proposta menos lucrativa, apenas para agradar uma emissora de televisão. "A impressão é que esta todo mundo nadando em dinheiro. Parece que os clubes não estão endividados...Eu não sou apaixonado por uma emissora de televisão. Sou apaixoando pelos meus filhos, minha mulher e meu time", disse.

"Patrocínio também não manda em nada. Não adianta clube vir falar que não vai fechar com tal emissora por conta do patrocinador, porque é uma mentira. O que dá dinheiro para futebol é televisão, internet e pay per view. Se patrocinio fosse importante, não tinha clube com camisas entulhadas por aí como tem hoje em dia".

No ano passado, o Cade entrou em acordo com o Clube dos 13 e proibiu que a Rede Globo, atual detentora, tivesse privilégio de cobrir a maior oferta pelos direitos do Brasileiro.

Para cumprir o pedido, a entidade dos clubes criou uma série de regras para a licitação dos Brasileiros dos próximos três anos anos, mas alguns times ficaram temerosos em perder a parceria com a emissora de maior audiência do Brasil.

O Corinthians, de Andrés Sanchez, foi o primeiro a reclamar do processo e anunciou que iria negociar de forma separada, além de requisitar a saída do Clube dos 13.

Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Grêmio, Coritiba, Santos e Cruzeiro saíram em seguida. Insatisfeita também com o processo, a Globo optou por deixar a licitação e negociar com os times de forma separada.

Nesta sexta-feira, foi a vez de a Record anunciar a desistência em nota oficial emitida momentos antes do anúncio na sede do Clube dos 13. No documento, a emissora alegou que a concorrência dividiu a entidade e que alguns clubes "indicam que têm acordos pré-acertados com outra emissora".

Assim, avisou que "não aceita participar de um jogo com cartas marcadas". Com isso, a RedeTV! se tornou a única emissora que restou no processo e foi a vencedora.

Terra