Brasil 2014

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Segunda, 29 de outubro de 2007, 09h03  Atualizada às 10h47

Fifa não vai permitir CPI, avisa Ricardo Teixeira

Allen Chahad
Vagner Magalhães
Direto de Zurique
Allen Chahad/Terra

Teixeira diz que está confiante que Brasil será anunciado nesta 3ª
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O cenário já está desenhado. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) disse em entrevista exclusiva ao Terra, em Zurique, às vésperas da oficialização do Brasil - candidato único - como sede da Copa do Mundo de 2014, que não vê a possibilidade de sair alguma coisa errada. Pelo menos no anúncio de terça-feira da Fifa. Mas o cartola sabe que está longe de ter uma vida tranqüila dali em diante. Por isso, avisa. A Fifa não vai permitir que o Comitê Organizador do Mundial seja submetido a uma CPI. E mais. Coloca panos quentes na choradeira dos Estados que temem ficar sem uma fatia do bolo.

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Para Teixeira, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que pretende investigar lavagem de dinheiro no futebol, especialmente no caso MSI/Corinthians, é só uma fachada. "Eu tenho visto várias entrevistas das pessoas que estão propondo a CPI e o projeto deles final é atingir a Copa de 2014 para saber como vai gastar, como não vai gastar, como que vai ser... Sejamos muito objetivos. (A Copa) é uma iniciativa privada. Então, isso definitivamente a Fifa não vai permitir", diz.

"Não usem subterfúgios para tentar politicamente atingir em específico a Copa de 2014", completa Teixeira, ciente de que a entidade máxima do futebol poderá, a qualquer momento, tirar a Copa do Mundo do País, mesmo após o anúncio oficial das 12h30 (de Brasília) desta terça-feira. "Nós temos sete anos para ela (a Copa) ser do Brasil".

Antes de viajar a Zurique, o presidente da CBF passou as semanas em Brasília trabalhando nos bastidores e conseguiu adiar a instalação da CPI, pelo menos para depois da escolha oficial da sede da competição. Já na cidade suíça topou com um novo obstáculo. Precisou acalmar à distância os Estados que temem ficar fora do mapa de 2014 - 18 estados disputam até 12 sedes - após a repercussão do relatório divulgado pela Comissão de Inspeção da Fifa. O grupo de trabalho passou alguns dias no Brasil analisando a viabilidade da realização da Copa.

"Nenhuma cidade das 18 está definida como sede. Assim como nenhuma está excluída", garante Teixeira. "Tem de pensar que não tem só a Copa do Mundo. Tem o sorteio da Copa do Mundo, tem congresso para a Copa do Mundo. Tem Copa das Confederações. O evento Copa do Mundo é muito abrangente", argumenta.

A partir desta segunda-feira, o cartola poderá repetir o discurso para pelo menos os nove governadores que acompanham a comitiva política, liderada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Estarão ainda na apresentação final da candidatura brasileira, na terça-feira, o atacante Romário e o técnico Dunga, da Seleção Brasileira.

Leia a íntegra da entrevista:

Terra - Como o senhor tem passado as últimas horas antes do provável anúncio da Fifa de que o Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014?
Ricardo Teixeira - Acredito que tudo que tinha que ser feito o Brasil já fez. Apresentou o caderno de encargos e cumpriu todas as exigências da Fifa. Agora temos de aguardar a análise que vai ser feita pelo Comitê Executivo no dia 30 e a posterior, digamos assim, nomeação. Se o Brasil pode ou não fazer a Copa do Mundo de 2014. O que nós deveríamos fazer já foi feito. Agora temos de aguardar a análise que já foi feita pela comissão que foi até o Brasil e complementada pela análise do Comitê Executivo.

Terra - O senhor vê alguma possibilidade de sair alguma coisa errada no dia 30? Depois, claro, o Brasil terá que cumprir com uma série de obrigações. Mas na terça-feira algo pode dar errado?
Ricardo Teixeira - Não. Inclusive, gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer que é um completo absurdo como o assunto tem sido conduzido por parte da imprensa no Brasil sobre o relatório por parte da Fifa. Eu sou um membro do Comitê Executivo da Fifa, sei exatamente como as coisas funcionam. A comissão que foi ao Brasil analisou a viabilidade do Brasil fazer a Copa, e não a viabilidade de alguma cidade fazer a Copa. Nenhuma cidade das 18 está definida como sede. Assim como nenhuma está excluída. Dessa forma, tem sido emocionalmente analisado esse ponto. Acho que nós temos de ter muito equilíbrio. Temos de analisar esse projeto da Copa do Mundo como uma coisa séria e apolítica, a bem do País. E não a bem de quem quer que seja ou de qualquer órgão que tenha interesse com relação a esse assunto.

Terra - Com relação à formalização das garantias para que o projeto seja executado. Virão o presidente Lula e mais nove governadores a Zurique. Politicamente está tudo acertado ou algo ainda precisa ser costurado?
Ricardo Teixeira - Acredito que é uma demonstração tácita do apoio governamental na medida que você tem a presença do ministro do Esportes (Orlando Silva), da ministra do Turismo (Marta Suplicy), de vários governadores, de vários segmentos empresariais do país. É óbvio que isso representa um apoio tácito ao projeto Copa do Mundo. Obviamente vários passos terão que acontecer. Várias garantias terão que acontecer até o final do ano de 2008. Garantias essas, eu quero deixar bem claro e é importante que se diga, nada diferente do que a Alemanha deu. Nada diferente do que a África do Sul vai dar. E nada diferente do que nenhum outro país que vai postular a Copa de 2018 também vai dar. As garantias terão prazos para ser complementadas. E eu tenho convicção de que havendo interesse, e esse interesse tem sido demonstrado por parte de toda a estrutura desportiva e política do Brasil, isso acontecerá.

Terra - Você disse que nenhuma das possíveis sedes está excluída, mas ao mesmo tempo não haverá lugar para todo mundo. Já começou a choradeira por parte dos Estados?
Ricardo Teixeira - Acho que o mais importante é nós levarmos a Copa. Não temos nem direito a levar a Copa e estamos discutindo aqui se nós vamos ter o direito de fazer a Copa no Rio de Janeiro se a Copa nem está no Brasil... É uma precipitação absurda. Mas, admitindo essa hipótese, tem que pensar que não tem só a Copa do Mundo. Tem o sorteio da Copa do Mundo, tem congresso para a Copa do Mundo. Tem Copa das Confederações. O evento Copa do Mundo é muito abrangente, tem muito mais do que a Copa do Mundo somente. Ela envolve vários eventos além, digamos assim, dos jogos em si. E volto a dizer: não tem nenhuma sede que esteja definida, nem nenhuma sede que esteja descartada.

Terra - Uma CPI neste momento poderia atrapalhar os planos brasileiros de organizar uma Copa para 2014?
Ricardo Teixeira - Se a CPI fosse uma que definitivamente estivesse determinada para o objetivo que está escrito, eu não veria problema. Mas você sabe que não é verdade. Eu tenho visto entrevistas várias das pessoas que estão propondo a CPI e o projeto deles final é atingir a Copa de 2014 para saber como vai gastar, como não vai gastar, como que vai ser... Sejamos muito objetivos. É uma iniciativa privada. Então, isso definitivamente a Fifa não vai permitir. Mas há um dado muito importante que precisa ser visto. Se por ventura este é um projeto que politicamente não interessa, se existe definitivamente alguém que não tem interesse, que assuma a posição. "Eu sou contra o projeto Copa do Mundo". Porque a melhor maneira de se atingir a Copa do Mundo é exatamente, amanhã ou depois, você levar a Fifa a dar explicações dentro de uma CPI no Congresso Nacional. Coisa que vocês da imprensa sabem perfeitamente que nunca aconteceu a história do mundo em nenhum esporte do mundo. E eu acho muito estranha uma coisa... Confesso que eu fico surpreso às vezes quando eu vejo o seguinte: você acabou de realizar o campeonato lá de corrida (de Fórmula 1) e não teve nenhum problema, ocorreu em São Paulo, maravilha. Você acabou de fazer o Pan, não teve nenhum problema no Rio de Janeiro, correu tudo bem. A Copa do Mundo nós nem temos ainda. A Copa do Mundo nem é do Brasil. Nós temos sete anos ainda para ela ser do Brasil. E já está se criando essa celeuma toda, coincidentemente sempre pelas mesmas pessoas e os mesmos políticos.

Terra - Com relação ao caso Corinthians/MSI. A parceria deve ser investigada? De que maneira a política colaborar com a investigação?
Ricardo Teixeira - Deixe eu lhe fazer uma pergunta. O objetivo de toda CPI, que eu saiba, é levar os seus levantamentos até fazer uma denúncia para o Ministério Público, para aí o Ministério Público levar até a Justiça, para aí a Justiça cumprir o seu papel, punir os que forem culpados, que eventualmente tenham cometido algum tipo de crime. Não é isso? Bom, nós estamos começando na contramão. Esse caso já está na polícia, o presidente do Corinthians já foi destituído, já tem um novo presidente. Esse caso tem prisão pedida aí pelo mundo afora, de duas ou três pessoas envolvidas nesse projeto. Este projeto já está na Justiça, já está na Interpol, já está no contexto do futebol. Eu pergunto: o que pode se acrescentar mais nisso? Eu não sei, acho que está começando pela contramão. A grande realidade é a seguinte. Eu não vejo nenhum problema de fazer qualquer tipo de levantamento em qualquer tipo de coisa que seja importante no contexto de seriedade do nosso País. Mas, por favor, não usem subterfúgios para tentar politicamente atingir em específico a Copa de 2014.

Terra - Qual seria a final dos sonhos em 2014 se a Copa realmente vier a ser realizada no Brasil?
Ricardo Teixeira - Brasil e alguém...

Terra - Para esse alguém, nenhuma preferência?
Ricardo Teixeira - Nenhuma preferência. Desde que o Brasil esteja na final, qualquer um.

Redação Terra