Primeira coletiva de Mano Menezes como técnico da Seleção Brasileira durou 45 minutos
Foto: AFP
O primeiro dia de Mano Menezes como novo técnico da Seleção Brasileira foi movimentado. Depois de ser apresentado oficialmente pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, coube ao treinador já anunciar sua primeira lista de jogadores convocados, na qual fez uma mudança radical do time que decepcionou na Copa do Mundo de 2010 (apenas quatro atletas do Mundial aparecem na relação).
Depois de anunciar os convocados, Mano encarou de frente à imprensa, com quem o ex-treinador Dunga teve uma relação bastante conturbada. Mostrando simpatia, o novo comandante da Seleção respondeu perguntas de todos os tipos durante 45 minutos.
Entre os assuntos estiveram a renovação da equipe, o esquema tático, as metas, os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, a Copa do Mundo de 2014, entre outros.
Confira abaixo todos os detalhes da primeira entrevista do treinador:
Importância de estar no Brasil
É mais próximo de tudo, também pretendo trabalhar bastante, acompanhar tudo muito de perto como gosto de fazer. É essencial estar aqui (no Brasil).
Comissão técnica
Pensamos eu como técnico, Sidney (Lobo), meu primeiro auxiliar, e Rafael Vieira, analista de desempenho. Pensamos em fazer o início de uma renovação.
Eu procuro sempre estabelecer um relacionamento amplo para essas coisas, não gosto de ser o único a decidir. Por exemplo, entendo pouco de medicina esportiva, seria muito mais lógico escolher um médico-chefe e que coubesse a ele escolher os profissioansi da sua área.
Metas
O trabalho tem o objetivo não só da Copa de 2014, mas também para a Olimpíada de Londres...Nessa convocação nós colocamos sete jogadores com idade olímpica, visando um trabalho paralelo de preparação e ambientação desses jogadores. Visando prepará-los para os momentos em que nós dirigiremos nossas atenções mais para a Olimpíada. É bem possível fazer isso. Mesmo que eles não joguem, vão vivenciar o ambiente e participar da preparação. Um conhecimento que o técnico precisa ter do comportamento e da personalidade, só o dia a dia dá isso... Você tem que partir de um ponto, esse é o ponto inicial, e a sequência da continuidade ou não de alguns vai depender do que acontecer a partir de agora.
Processo para criar lista de jogadores
(Demorei) dois dias (para formatar a lista). Nós trabalhamos, iniciamos o trabalho no sábado, ainda trabalhamos no domingo pela manhã, depois tivemos que voltar nossas atenções para o jogo do Corinthians. Iniciamos fazendo um levantamento dirigido pra esse objetivo, depois começamos a usar a estrutura da federação, eu fiz o contato, direto, pessoal, com todos os jogadores de fora. Eles estão vindo de uma parada de férias, queria saber se eles estavam bem e podiam aceitar o convite.
Tive uma conversa com os jogadores que são remanescentes e jogaram a Copa, pois tiveram um desgaste maior. Esse ainda é um momento de recuperação. Quando você não ganha você sente muito, você se desgasta. Não é necessário utilizá-los neste primeiro momento. Procuramos ainda informações com alguns profissionais, colegas, sobre jogadores dentro de clubes do Brasil
Novatos
Eles estão inseridos dentro de um início de trabalho. O Ganso já foi convocado para a Seleção de base (Sub-20), o Neymar ainda não (Neymar já participou da Sub-17), agora na Seleção principal vão ter a oportunidade de comprovar tudo aquilo que fizeram no Santos. Não cabe aqui fazer qualquer outro tipo de análise... Temos que enxergar as coisas para frente a partir de agora. Agora é importante a gente conduzir o trabalho com maturidade, com serenidade.
Para esse jogo essa é a lista ideal. Aquilo que não se pôde fazer, momentaneamente não se pôde fazer, vai haver sempre uma possibilidade momentânea. Nós não temos restrição à convocação de ninguém, nem mesmo com os jogadores que acabaram de disputar a Copa do Mundo a confiança que se estabelece em cima de um trabalho, temos que respeitar a idade porque ela vai chegando e nos tira algumas condições. Na Seleção, como em tudo na vida, a fila anda, outros vão estar mais capacitados a ocupar o lugar e isso vale como regra geral.
Londres 2012
Eu acho que é uma etapa importante deste trabalho, que vai ser dividido em três momentos: Copa América, Olimpíada e depois a Copa. Vai ser uma sequência natural, vamos utilizar algumas das datas que temos lá na frente especificamente para a Seleção Olimpica. Vamos elaborar um calendário, esclarecer com os clubes europes - que não tem obrigação de ceder jogadores em idade olímpica - mas nós pretendemos, como organização, apresentar para esses jogadores um projeto. Fazendo isso com bastante antecedência teremos a possibilidade de montar uma Seleção olimpica capaz de brigar pela medalha.
Planejamento
Tenho um plano, que vou mostrar ao presidente. Certamente o que precisamos, por tudo aquilo que ouvi, é preparar melhor a estrutura que vai produzir uma equipe final. Geralmente se enxerga o time dentro do campo e se pensa que aquilo é o trabalho q temos q fazer. Não, aquilo é o final do trabalho que temos que fazer.
Erros de 2006 e 2010
O futebol tem 17 regras e uma vez eu fiz um pequeno curso de arbitragem e aprendi que exisitiam 18. Tem uma que chama bom senso é isso que eu pretendo adotar para essas questões, não podemos nos eximir para entender que o que aconteceu nesta Copa do Mundo tem uma relação direta com aquilo que aconteceu na outra. Abrimos e justificamos a falta de resultados tão veemente por aquilo que aconteceu. Todos já estamos agora mais maduros. O que importa mais é o trabalho.
Convocação de quem atua no Brasil
Uma coisa: eu acho que precisa ficar claro nesse novo momento. Nós não vamos convocar jogadores da Europa só porque estão jogando na Europa e momentaneamente talvez tenham um pouco mais de repercussão. Quando o jogador brasileiro, jogando no Brasil, estiver bem, ele vai fazer parte da Seleção também. A gente sabe que quando ele está no Brasil e vai para a Seleção, ele não ficará no Brasil por muito tempo. Vamos seguir uma linha: quem estiver bem, vamos convocar.
Relação com categorias de base
Nós teremos durante a semana a presença do Sidney (Lobo, seu auxiliar) no Paraguai pra acompanhar o desempenho de alguns jogadores (no Torneio Sub-20, que a Seleção participará)...Alguma coisa precisa ser melhorada nesse aspecto. Cabe a nós melhorar alguma coisa.
Necessidade de supervisor técnico
Uma certa época eu tive um desgaste porque foi discutida a minha interferência ou omissão na saída de um diretor executivo. Não vou deixar isso acontecer novamente. Diretor executivo fica acima do técnico, só darei opinião se me pedirem. O supervisor técnico eu acho que é necessário. Um profissional que formule um calendário, com especificadade de dados. Nesse cargo eu coloquei um organograma que estabeleci como primeira ideia de trabalho.
Pressão da torcida em 2014
As transformações sempre são mais difíceis, algumas mais lentas, outras nem tanto, para esse momento essa foi na medida certa. A Copa sendo no Brasil, vai ser mais difícil por um lado, com mais apoio por outro. O país-sede tem uma presença de público muito maior e com o futebol de alta qualidade que a seleção tem, acho que o fator local deve ser um aliado significativo. Mas 2014 ainda está muito distante, temos muito chão para percorrer até ter uma Seleção com capacidade de suportar essa pressão, mas também capaz de passar por tudo isso e se colocar como candidata ao título.
Jogadores do Corinthians fora da lista
Não sei, precisamos perguntar para eles. Naturalmente as coisas vão acontecer em um trabalho longo. Quem se acha em condições de integrar a Seleção continue fazendo seu trabalho que será convocado, independente do clube. Você procura dentro de uma linha, obedecendo o equilíbrio de funções, vai conhecendo os jogadores, vai observando a evolução de cada um, vai surgir o espaço pra todo mundo que está se destacando. É um trabalho longo pela frente, pode ter calma, a hora chega para todo mundo que estiver bem.
Jogador que recusou convocação
Dizer que não está bem para ir para Seleção é uma postura respeitável. Vou guardar o nome e considerar muito as opiniões dele...Não começa com K (o nome do jogador). Vamos estabelecer uma regra de relacionamento: não minto, mas omito algumas coisas. Não foi o Kaká.
Copa América
Vamos esperar um pouco para falar de Copa América. É um exercício de futurologia, sem objetividade.
Futebol competitivo x Futebol bonito
Ganhamos as duas últimas jogando. Todo mundo diz que ganhamos jogando feio em 1994, depois ganhamos com três zagueiros em 2002. Futebol tem muitas maneiras de se ganhar, eu respeito todas. Vamos procurar uma maneira que nos coloque mais próximos de vencer. Se conseguirmos deixar a Seleção próxima de vencer jogando mais bonito vai ser o que queremos. A luta é para chegar próximo disso ou isso.
Recuperar a condição de "melhores do mundo"
As derrotas sempre são difíceis de digerir em um futebol que se considera o melhor do mundo. Nos consideramos melhores que a maioria, embora nos últimos anos tenhamos tomado umas tamancadas fortes. Nas últimas Copas nao conseguimos ser isso, temos que recuperar essa condição.
Maturidade dos jogadores
Talvez tenhamos que investir mais na maturidade dos nosssos jogadores, a saída precoce atrapalha muito. Conversei com um dos técnicos e tocamos no assunto. Perguntei do estágio atual de um dos jogadores e me disse que ele não está pronto ainda.
Formação tática
Não vejo na vida dos clubes uma possibilidade de escolher um jeito de jogar e dizer "vamos jogar desse jeito". Para a Seleção, que se pode escolher os jogadores, isso é possível. Gosto de jogar mais vezes 4-2-3-1, que é o que se viu muito na Copa e que é o que em 2006 eu já fiz no Grêmio. Porque dá uma condição de você ter força ofensiva, jogadas pelos flancos, chegada de trás, saída de volantes (pode escolher dois volantes q apoiam) e os clubes europeus estão usando muito um tripé por dentro, de formação de meio campo e três jogadores mais adiantados. Talvez seja o caminho para os próximos anos, mas o futebol é cíclico. Vai depender da consistência do trabalho.
Gosto de jogar com linha de 4, então sempre verei os laterais pretendendo essa montagem de equipe. Talvez hoje seja a posição que temos maior dificuldade, porque muitas equipes no Brasil jogam com linha de 3. Lateral não é ala. Ala é um jogador com outras características, muio mais amplas. Defensivamente joga mais a frente, não faz cobertura por trás do zagueiro.
Contrato com a CBF
Ainda não terminamos os detalhes da negociação, sempre valorizo o principal.
Poucos jogos oficiais até 2014
Certamente vai ser uma preocupação (poucos jogos oficiais), vai precisar ser compensada com a escolha dos adversários que vamos enfrentar (nos amistosos). Além de ser tradicional, precisa ser uma seleção que imponha dificuldade no confronto, que "irrite", como a Suíça que mostrou que se pode jogar fechado. Ou adversários que jogam no corpo a corpo, que não gostamos de enfrentar, para ir preparando de diferentes maneiras a Seleção.
Escolha do capitão
Não defini, eu os conheço pouco pessoalmente. Para escolher a função é preciso ir muito além, usar o trabalho talvez de uma psicóloga que defina personalidades. Um líder, como vai reagir no campo. Escolher a pessoa certa para que a função não seja decorativa.
Virtudes da equipe de Dunga
A Aeleção na maior parte de toda a passagem do Dunga sempre teve uma organização tática boa. Exceção foi o segundo tempo contra a Holanda, quando as coisas não fucnionaram. O Brasil sempre teve uma ideia clara de como queria vencer a partida. Às vezes não venceu pelas dificuldades que enfrentou. Penso isso, que se nos organizarmos bem taticamente, com o talento que temos, temos sempre uma possibilidade de vencer.
Psicólogo na comissão
Está lá no organograma que teremos psicólogo, existe uma consciência bastante avançada sobre isso.
Festa no adeus ao Corinthians
Foi muito bonito. É o segundo grande clube que eu encerro o trabalho e saio dessa forma. Foi maior ainda no Corinthians. É raro (receber tanto carinho), mas eu trabalhei todos os dias para que o torcedor do Corinthians estivesse feliz.
Relação com imprensa
Não tenho ilusão sobre essa questão, não basta ser simpático, ser agradável. Se não ganhar e não fizer trabalho com qualidade, isso passa a ser um discurso vazio. Trato todo mundo com respeito e gosto de ser tratado com respeito. Não tenho aversão à crítica.
Jogadores da Copa 2010
Nós não estamos excluindo nenhum jogador que participou da Copa, apenas se entendeu que para a maioria dos jogadores que disputou a Copa deve-se dar uma descanso momentâneo. Depois as coisas devem andar como devem andar. Se acharmos - e provavelmente vamos - que um deles deve novamente fazer parte da Seleção, eles vão estar.
Vida pessoal dos jogadores
Minha visão da vida paralela do jogador é bem objetiva. Não é possível controlar a vida individual do jogador de futebol. Não vou ficar atrás, eles precisam ter noção clara do que signifca ser jogador profissional, ainda mais da Seleção. A partir do momento que qualquer parte fora do nosso trabalho se refletir em algo negativo para o nosso trabalho, vamos ter uma conversa objetiva.
- Redação Terra


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