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Momento é de reestruturação, diz gerente do Corinthians

9 mai 2010
09h16

Diego Garcia

O Corinthians gastou milhões em reforços, possui uma folha de pagamento milionária e um ambicioso projeto para o histórico ano do centenário do clube. No entanto, os investimentos não refletiram em campo e a equipe foi eliminada do Campeonato Paulista e da Copa Libertadores - maior sonho alvinegro no ano do centenário. Mesmo assim, o clube vai continuar investindo no marketing e espera contar com os bons resultados em campo para auxiliar nesse processo. Ou seja, uma boa campanha no Brasileiro é primordial.

Caio Campos, gerente de marketing do clube, assegurou que não existem motivos para desespero e que o clube conta com um planejamento forte que pode superar as perdas. "Essa história de tragédia, de perda de milhões é verdade até certo ponto. Mas agora, o momento é de reestruturação no planejamento e manter as programações iniciais, como algumas novidades. Já lançamos a camisa nova, licenciamento de motos do centenário e tudo. Mas não é nesse ponto que estão colocando (a tragédia). Ela é muito mais sentimental do que outra coisa".

No caso da perda de milhões, segundo o próprio dirigente, não é necessariamente uma perda. É um dinheiro a mais que o clube deixa de ganhar e que não fazia parte dos planos iniciais. "Nós não podemos contar com os prêmios de campeonato nem as receitas de bilheteria no planejamento de marketing. São coisas diferentes. Esse dinheiro adicional não faz parte desse plano, como o dinheiro de arrecadação".

Para se ter uma idéia, somente na partida contra o Flamengo o clube teve uma arrecadação bruta de R$ 2.942.424,00. Na estréia da Libertadores, contra o Racing-URU, esse valor foi de R$ 2.181.742. Se chegasse na final, o time alvinegro teria ainda mais três jogos em casa. Ou seja, deixou de ganhar quase R$ 9 milhões somente em dinheiro de bilheteria. Se pensarmos que ocorreu um acréscimo no valor do ingresso para as oitavas (o mais caro foi de R$ 500 para R$ 650) e que o Corinthians poderia aumentar esses números mais ainda caso chegasse a uma eventual final, os paulistas poderiam até ultrapassar esses R$ 9 milhões estipulados.

Além desses valores, a Conmebol paga R$ 382 mil aos times que se classificam às quartas de final e o valor aumenta conforme vão avançando na competição. Os corintianos deixam de faturar também R$ 3 milhões previstos no contrato com seu patrocinador como prêmio pelo título. Se somado com os prejuízos da eliminação do Campeonato Paulista, "são R$ 700 mil por jogo (de renda) mais o prêmio do campeão. São R$ 3,5 milhões. Mas não sabemos se passaríamos (para a final)", afirmou Andrés Sanchez, em entrevista coletiva. O presidente esqueceu de mencionar o R$ 1 milhão pago pela Hypermarcas em caso de título e declarou por diversas vezes que "gastou demais" nas contratações à temporada do centenário.

No total, contando o torneio estadual e o continental, o clube deixou de lucrar quase R$ 20 milhões. É muito para um clube que tem uma dívida maior que R$ 100 milhões e uma folha de pagamento na casa dos R$ 8 milhões mensais - valor recorde entre clubes brasileiros. Ainda existem os possíveis prejuízos por um desinteresse do torcedor corintiano nas compras em produtos do clube pelo fracasso em campo, mas quanto a isso, Caio foi taxativo e apontou soluções. "É óbvio que o resultado positivo (em campo) influencia nisso, mas não é fundamental em uma torcida grande como a do Corinthians. Temos que manter o consumidor com expectativa de comprar os produtos do clube, assistir jogos e continuar com a mesma dedicação que sempre teve. Devemos continuar trabalhando para colocar todos os projetos do clube na rua".

O gerente afirmou que não existem motivos para preocupação e que o departamento de marketing vai seguir trabalhando forte. "Os únicos pontos de perda no planejamento são os jogos que fomos eliminados antes da expectativa. A perda de receita de bilheteria claro que influencia bastante, no caso esses três jogos (da Libertadores) que deixamos de faturar. O resto não, pois temos que continuar trabalhando".

Para finalizar, Caio lembra ainda da relação histórica envolvendo o a torcida do clube e a instituição quase centenária (completa 100 anos no dia 1º de setembro de 2010). "O Corinthians cresceu em 23 anos sem títulos o que nenhum outro clube cresceu dentro do Pais. A necessidade de ganhar a Libertadores não e um fator de ter mais arrecadação e nem sucesso no planejamento", disse o dirigente.

Esses "23 anos sem títulos" se referem ao período compreendendo 1954 - ano que os corintianos foram campeões estaduais do IV Centenário de São Paulo - até 1977, quando só então o time alvinegro conquistou novamente o Campeonato Paulista. Durante essas mais de duas décadas, apenas a inexpressiva conquista do Torneio Rio-São Paulo de 1966, mesmo assim dividida com outros três clubes (Botafogo, Santos e Vasco). De fato, para uma torcida que só cresceu mesmo diante dessas adversidades, seria um erro pensar que uma eliminação de um torneio seria crucial para diminuir a paixão do torcedor corintiano.

Novo uniforme do Corinthians foi lançado logo após a eliminação da Libertadores
Novo uniforme do Corinthians foi lançado logo após a eliminação da Libertadores
Foto: Divulgação
Fonte: Especial para Terra

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