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Santos faz uso de "mágica" para reduzir salários de jogadores

21 jul 2009 - 16h54
(atualizado às 16h55)
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Segundo indica a lei, é proibido reduzir salários em contratos vigentes de jogadores de futebol, assim como de qualquer trabalhador. No entanto, o fato de os rendimentos dos atletas estarem atrelados a acordos paralelos, com os chamados direitos de imagem, permite uma manobra. É exatamente o que fez o Santos com pelo menos um jogador nos últimos meses, segundo o Terra apurou.

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O atacante Nelson Cuevas, que esteve no Santos em 2008, falou com exclusividade ao Terra, por telefone, a respeito do assunto. "Sim, aconteceu mesmo. O Adílson (Durante Filho, diretor de futebol) falava que teria que fazer um contrato e o presidente (Marcelo Teixeira) vetava os valores", confirma Cuevas, hoje atuando pela Universidad do Chile.

"Fui ao Santos porque falaram bem, mas não achei coisa de um clube sério. Acho que isso é normal e aconteceu com outros jogadores, como o Fabão e o Roberto Brum. Não é justo: se está assinado, tem que cumprir", explica o paraguaio, 29 anos, que jogou as duas últimas Copas do Mundo.

Também ouvido pelo Terra, Adílson Durante Filho, diretor de futebol do Santos, negou que a prática ainda aconteça no Santos. "Na minha gestão, não procuramos nenhum jogador para reduzir salários, é proibido pelas leis trabalhistas", explicou. Ao saber da confirmação de Cuevas, o dirigente retificou. "É o único caso que tenho conhecimento".

Outros ângulos

Presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo (Sapesp), Rinaldo Martorelli condena a prática de redução salarial. "Talvez não sejam inteligentes na hora de fechar contrato e estão repetindo a falta de inteligência com essa atitude. Se o atleta for até a Justiça, recebe essa diferença com a maior tranquilidade", prevê.

Martorelli também indica subserviência por parte dos jogadores. "Os atletas não viriam aqui reclamar porque estão sob contrato. E se eu questioná-los, dirão que estão bem. Há coisas que acontecem e quando a gente aciona o atleta, eles fogem. Não posso fazer nada", fala o dirigente. "Mas é irresponsabilidade de gestão. Clubes sem dono permitem gestores sem qualificação", critica Martorelli.

Citado por Cuevas como um dos que teriam sido abordados para reduzir os salários, Roberto Brum nega que tenha acontecido com ele. "Apareceu isso na imprensa, porque o Cuca não queria me utilizar. No caso dele (Cuevas) aconteceu e acho que é muito pessoal. É normal isso acontecer no futebol, te chamarem para uma renegociação se não está rendendo. Aí vai do bom senso de cada um", diz Brum.

De acordo com o advogado Gustavo Vieira de Oliveira, especializado em Direito Esportivo, reduzir salários em contratos vigentes é ilegal. "Isso é proibido por lei. Eventualmente, no fim do contrato, o jogador pode fazer uma renegociação e concordar. Durante, mesmo que ele aceite, tem discussão. Por regra, é proibido. E aí os dois operam contra a lei", diz Gustavo.

Por outro lado, com a "mágica" de reduzir os números dos contratos de imagem, a regra é diferente. "Tem várias formas de se fazer, é difícil de opinar. Não sei o mecanismo que o clube usa. Por esse caminho, é viável".

No último mês de junho, a revista Placar publicou os principais salários do futebol brasileiro. O Santos é um dos clubes com mais jogadores citados: Léo (R$ 200 mil mensais), Fábio Costa (R$ 200 mil mensais), Kléber Pereira (R$ 174 mil mensais), Fabão (R$ 110 mil mensais), Fabiano Eller (R$ 100 mensais), além de Lúcio Flávio, que se transferiu para o Botafogo, e ganhava R$ 185 mil mensais, segundo a reportagem.

Em entrevista ao Terra, Cuevas admitiu ter tido o salário reduzido no Santos
Em entrevista ao Terra, Cuevas admitiu ter tido o salário reduzido no Santos
Foto: Agência Lance
Fonte: Terra
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