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Super Nanny aconselha "puxão de orelha" em Neymar

17 set 2010
11h34
atualizado em 20/9/2010 às 11h18

Zangado por não poder cobrar o pênalti que ele mesmo sofreu na vitória por 4 a 2 sobre o Atlético-GO, Neymar fez bico e xingou o técnico Dorival Júnior em pleno gramado da Vila Belmiro. A educadora Cris Poli, protagonista do reality show Super Nanny no Brasil, acostumada a lidar com crianças mal-educadas e pais desesperados, recomenda um "puxão de orelha" no atacante nascido em 1992.

Jovem craque do Santos leva "puxão de orelhas" de educadora após polêmicas
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Foto: Santos FC / Divulgação

"Se ele não teve uma infância com limites e regras, com respeito à autoridade e à hierarquia, no momento em que se torna um adolescente ainda se sente poderoso para achar que pode tudo e que não tem que respeitar ninguém, principalmente agora que está famoso e ganhando muito dinheiro. Se ele não teve uma infância com limites, isso se reflete no comportamento e nas atitudes dele em relação aos outros", disse a educadora.

Iniciado em 2004 com a inglesa Jo Frost, o reality show Super Nanny alcançou sucesso internacional com versões em diferentes países. No Brasil, Cris Poli emprega a experiência adquirida em mais de 40 anos dedicados à educação infantil para comandar a atração às 21h25 de todos os sábados, no SBT. A cada episódio, ela visita uma família para auxiliar pais que perderam o controle sobre os filhos, algo que poderia cair bem na residência de Neymar Júnior.

"Na situação dele, acho que tem que partir de uma conversa mesmo e delegar ao pai a responsabilidade de conscientizar o filho sobre o comportamento correto, não apenas para um atleta que está em evidência neste momento e se torna um referencial de conduta para muita gente, mas para qualquer ser humano no seu cotidiano", explicou Poli.

Neymar pai acompanha a carreira de Neymar Júnior de perto desde o início e costuma aparecer nos momentos delicados para tentar contornar os atos de infantilidade cometidos pelo filho. Para a "Super Nanny", mais do que o técnico Dorival Júnior e os dirigentes do Santos, a responsabilidade de resolver o imbróglio é do pai do atacante.

"Ele deve tomar uma atitude e fazer com que o filho reflita sobre o que fez. Não sei como foi a infância do Neymar, se o pai deu exemplos de autoridade, hierarquia e respeito. Mas pelo resultado que vemos hoje, parece que ele não teve uma infância com regras e autoridade. Não conheço a pessoa do pai dele e não sei que reflexão ele é capaz de fazer com o filho", disse Poli.

Mirrado e de cabelos encaracolados, Neymar iniciou a carreira no Santos ainda criança. Com apenas 13 anos, ganhou um apartamento de cobertura como mimo do clube. Aos 17, estreou no time profissional. Hoje com um penteado moicano e brincos nas duas orelhas, mantém o corpo depilado e atingiu status de astro mundial por marcar um gol pela Seleção de Mano Menezes e recusar uma oferta milionária do Chelsea.

Confuso, Neymar não sabe como se comportar na posição que assumiu repentinamente, pontua a educadora. "Para você chegar nessa idade e ganhar o que ele ganha, precisa estar preparado, mas nem todo mundo está preparado para entender e aguentar a responsabilidade e a pressão em uma posição dessas. Acho que ele precisa se preparar para amadurecer não só como jogador, mas como ser humano", disse.

Na época em que recebeu uma oferta tentadora do Chelsea, Neymar titubeou repetidas vezes. Em meio a orientações do pai, do empresário Wagner Ribeiro e de Luis Álvaro Ribeiro, presidente do Santos, o atacante dizia ser muito cedo para sair do Brasil ao mesmo tempo em que não descartava a possibilidade de aceitar a proposta do time britânico.

Aos 18 anos, Neymar Júnior vive um período marcado por contradições. Apontado como uma das maiores promessas do futebol mundial, o atacante mora com a família e ganha uma mesada do pai, responsável por administrar as finanças do filho. Sua carteira de habilitação é provisória, mas ele sonha encher a garagem com carros importados. Ainda imberbe, participou de uma ação de marketing da Gillette.

De acordo com a "Super Nanny", é muito mais fácil lidar com uma criança pequena do que com uma criança grande imersa em um cotidiano atribulado. "Na idade do Neymar, a pessoa já tem a personalidade formada, os hábitos e referências já estão adquiridos. O referencial de família e de autoridade já está formado. Com os menores, tudo isso ainda está em formação", afirmou.

Neymar Pai e seu estafe têm uma missão complicada, mas talvez a solução seja das mais simples. "Você tem que conscientizá-lo de que tomou uma atitude errada e fazê-lo mudar de atitude. Com as crianças, você tem que criar regras e, em último caso, fazer como faço aqui no programa: tirar alguma coisa que a criança goste para ela entender que a recuperação depende do comportamento correto", sugeriu a educadora.

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