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Categorias de base do Vasco reclamam de alimentação

5 jul 2009 - 09h38
(atualizado às 10h35)

Roberto Dinamite completou na última quarta-feira um ano à frente do Vasco. Durante este período, tentou dar uma nova cara ao futebol. Reestruturou o departamento e contratou uma equipe comprometida, apesar de os resultados dentro de campo estarem ainda longe do esperado. Mas entre as inúmeras promessas de campanha, Dinamite garantiu que as divisões de base seriam prioridade. A realidade, porém, está longe do seu discurso.

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Se por um lado os os altos salários dos jogadores profissionais está em dia, os candidatos a revelação sofrem com alimentação inadequada. O cardápio para mais de 180 atletas da base incluí apenas arroz, feijão, salsicha ou linguiça e salada, segundo relatam os próprios atletas.

"A comida nunca foi muito boa, mas piorou muito este ano", explica desanimado um aluno que preferiu não se identificar, temendo represárias. "Poucas vezes comi carne e quando tem é moída. A gente já reclamou, mas não deu em nada.

Segundo foi apurado, os funcionários fazem a sua parte e pedem diariamente grandes quantidades de carne, peixe e frango. Mas os itens raramente chegam à cozinha. Insatisfeita, a garotada acaba gastando a ajuda de custo - um pouco menos que metade de um salário mínimo - comprando comida.

Nos modestos restaurantes que cercam os becos da Barreira do Vasco, é possivel ver fila de alunos do clube comprando quentinhas. Um dos comerciantes da região, que também pediu anonimato, disse que a corrida ao seu estabelecimento já virou rotina. "Por volta de 10h30, eles aparecem aqui sempre em grupo e enchem bem as quentinhas", confirma.

Fartura

Por ironia do destino, o cardápio da Barreira tem mais opções do que o do refeitório da Colina. Nos dias em que a reportagem acompanhou a via-crúcis dos garotos por um almoço melhor, dava para sentir de longe o cheiro da churrasqueira dos improvisados self-services da Barreira. Para surpresa de muitos, na grelha tinha até filé mignon, além de frango assado, arroz, feijão, macarrão, batata frita, farofa, vinagrete e mais dois tipos de salada. Isso tudo por um preço bem em conta, módicos R$ 6.

"A gente escolhe junto e depois divide a quentinha para não ficar caro. Pelo menos a comida aqui é bem melhor", disse outro aluno do clube que pediu anonimato.

Mas nem sempre o almoço no clube foi assim. O cardápio já teve bife, frango, almôndegas, peixe e estrogonofe, tudo dentro do padrão exigido para atletas em formação. Mas este ano, os pedidos da cozinha passaram a não ser atendidos e gradativamente, a carne foi escasseando.

O coordenador das divisões de base do clube, Humberto Rocha, admitiu o problema, mas se defendeu. Segundo Rocha, o número de alunos que passou a almoçar no refeitório quase triplicou. No final do ano passado eram 80. Hoje são mais de 200, sendo que a maioria não é do futebol.

Apenas 20% da base almoçam no refeitório. O restante da garotada é de outros esportes, como o remo, o vôlei e o basquete. Estes alunos não recebem nenhum tipo de ajuda de custo.

"Mesmo não sendo a comida ideal, para os mais carentes esta é a única refeição do dia. Tem garoto que não tem o que comer em casa", ponderou Humberto Rocha, que disse já ter comunicado o problema à diretoria.

O presidente Roberto Dinamite se disse surpreso com o relato dos jogadores."Você está sabendo melhor do que eu, porque a base hoje do Vasco tem uma alimentação saudável", contestou o dirigente. "Temos toda a estrutura para oferecer uma alimentação balanceada".

A infraestrutura citada pelo dirigente incluiria convênios com alguns supermercados. "O Vasco tem parcerias significativas nesta parte de alimentação. São acordos com supermercados da região", disse o dirigente, dando a entender que estes convênios impossibilitariam a falta de uma alimentação adequada.

Jornal do Brasil Jornal do Brasil
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