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"Meu coração pediu para eu ir ao Vasco", diz Aloísio

24 mai 2009 - 09h10
(atualizado às 12h25)

Aos 34 anos, Aloísio não perdeu o jeito de menino. O sorriso aberto e a alegria contagiante são os mesmos do garoto que cresceu trocando a escola pela bola nos campinhos de Atalaia, interior de Alagoas. A paixão era tanta que, por isso, chegou a repetir a quarta série por quatro vezes, conta entre gargalhadas.

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"Eu sempre chegava sujo na hora da aula e a professora mandava chamar os meus pais", relembra o hoje atacante do Vasco.

Enquanto seu pai Luiz o colocava de castigo, a mãe Maria só esperava a saída do marido para aliviar a bronca. Com o apoio materno, ele despontou nos acanhados campinhos alagoanos, onde era disputado a tapa - em troca do dinheiro, de um um bujão de gás ou de outras prendas - para ganhar o mundo.

Cigano do futebol e dono de um currículo invejável - entre os seus principais títulos constam o Mundial (2005) e o tri brasileiro pelo São Paulo (2006, 2007, 2008) - o atacante resolveu aceitar o maior desafio de sua carreira.

"Meu coração pediu para vir para o Vasco. Tinha outras propostas, alguma mais vantajosas, mas tirar o clube da Série B é um desafio do qual não abro mão de fazer parte", disse o atacante, que já se colocou à disposição do treinador para estrear com a camisa vascaína.

Além de querer colocar o Vasco na elite, o atacante se prepara para fazer o maior gol de placa de sua carreira, fora das quatro linhas. Até o final do ano, ele pretende concluir as obras do Estádio Aloísio Chulapa, em Atalaia, com capacidade para 1,5 mil pessoas.

"Já comprei oito caminhões da grama do Morumbi, o prefeito da cidade vai colocar as arquibancadas e no fim do ano vou inaugurar o estádio com alguns amigos", garantiu o jogador, que já convidou para o grande dia algumas figurinhas carimbadas do futebol, como Rogério Ceni, Bebeto, Lugano, Alex Dias e Jorge Wágner.

Além do estádio, o jogador mantém uma creche para 30 crianças em sua cidade. "Quero retribuir o que ganhei com futebol", diz com simplicidade o jogador, que começou a vida como um faz-tudo em uma usina de cana de açúcar e que sustentou, durante 16 anos de carreira, os dez irmãos.

Aloísio nem estreou e já é reverenciado pelos companheiros. O meia Fernandinho contou a ele que estava no estádio japonês e vibrou quando o São Paulo foi campeão mundial. Do jovem lateral-esquerdo Pará, recém-chegado, escutou elogios.

"O Aloísio já ganhou tudo e não perdeu a simplicidade. É um exemplo para todos os que estão começando, como eu".

Parecendo retribuir o carinho dos companheiros, Aloísio segue com o discurso de qualquer jogador em início de carreira. "Estou aqui para ajudar. Tudo o que conquistarmos vai ser pela força do grupo", disse.

Se dependesse apenas dele, Aloísio teria estreado ontem (vitória por 3 a 0 sobre o Atlético-GO). Mas o caso não é tão simples. Como a janela de transferências internacionais só abre em agosto, ele só poderia, teoricamente, jogar a partir desta data.

Mesmo com a liminar que seu advogado conseguiu na Justiça, após ele se desligar do Al-Rayan, do Catar, o Vasco está se resguardando para não ter o mesmo problema que teve com Jeferson. No Campeonato Carioca, o clube perdeu seis pontos pela inscrição irregular do atleta. Escaldado, o departamento jurídico mantém a cautela.

"Pedimos ao advogado do jogador para fazer uma consulta à Fifa. Se obtivermos uma resposta favorável, ele joga imediatamente", garantiu o vice-presidente jurídico Nelson de Almeida.

Jornal do Brasil Jornal do Brasil
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