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Humilhado e de "férias", Santa Cruz analisa como se reconstruir

13 ago 2009 - 15h46
(atualizado às 17h03)
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Em três anos, o Santa Cruz saiu da primeira divisão nacional para uma prematura e dolorosa eliminação na Série D. No último domingo, quase 40 mil fanáticos estiveram no Estádio Arruda para presenciar o melancólico empate por 2 a 2 contra o CSA, tirando do tricolor pernambucano a chance de classificação já na primeira fase. Apesar de todo o cenário negativo, o presidente Fernando Bezerra Coelho prevê mais desafios e um futuro melhor.

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No cargo desde outubro de 2008, Fernando chegou ao Santa Cruz com a esperança de empresários investindo, reforma no estádio, incentivo às categorias de base e uma breve recuperação. Com média de 38 mil pessoas por jogo, o clube mais uma vez "humilhou" a sua torcida, que já sofria com três rebaixamentos consecutivos - o time estava na Série A em 2006.

Agora, em contato com o Terra, ele admite a liberação de jogadores até o restante do ano, não sabe quantificar os prejuízos por mais de quatro meses sem partidas e também tem dúvidas sobre a explicação do fracasso na quarta divisão: "Sérgio China parecia uma boa aposta", diz sobre o primeiro treinador na competição.

Fernando, 51 anos, foi duas vezes prefeito de Petrolina, em Pernambuco, deputado estadual, deputado federal e atualmente é secretário de Desenvolvimento Econômico também em Pernambuco. Hoje, sua missão é recuperar um dos clubes mais tradicionais do Nordeste - e a primeira tentativa foi falha.

Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Tudo vinha bem até o Campeonato Pernambucano, em que o Santa Cruz fez campanha regular e foi terceiro. Por que esse desvio na Série D?
Fernando Bezerra Coelho - Não entendemos também e até convocamos uma reunião para fazer essa avaliação. Colocamos um orçamento de R$ 350 mil mensais para o departamento de futebol jogar a Série D, teve dois meses de preparação, fez viagens de avião, teve concentração. Enfim, toda uma infraestrutura para ter um desempenho bem melhor do que o que apresentou.

A comissão técnica foi formada por um treinador de bom retrospecto aqui em Pernambuco (Sérgio China), com várias vitórias. Portanto era uma aposta que parecia ser boa, mas não deu o resultado que imaginávamos. Até chamamos o Márcio (Bittencourt) de volta, mas não foi possível recuperar.

Terra - E o Sérgio China foi uma grande decepção...
Fernando - Parecia ser uma boa aposta e havia sido vitorioso por oito jogos seguidos com o Náutico pelo Campeonato Pernambucano. Era uma aposta na prata da casa, em um técnico jovem, e não deu certo. Isso parece ter sido a razão do insucesso. Claro, um pouco além disso.

Terra - A saída do Márcio Bittencourt após o Campeonato Pernambucano não poderia ter sido evitada?
Fernando - Nosso orçamento para o Campeonato Pernambucano era maior, na ordem de R$ 500 mil, e não tínhamos como sustentar isso para a Série D, porque trabalhávamos com déficit. Avaliamos ser melhor diminuir o orçamento, mas que ainda era suficiente para a competição.

Terra - Mas o clube também perdeu alguns titulares após o Estadual. Não havia como segurá-los?
Fernando - Fizemos ofertas para segurar. O Marcelo Ramos apenas comunicou que estava saindo, nem deu chance para nós. O Márcio Barros ganhava R$ 24 mil e foi para ganhar R$ 25 mil no Náutico, só porque queria mesmo jogar a Série A. Thiago Mathias também. Eram jogadores que não estavam comprometidos com a Série D e não ofereceram oportunidades de cobrirmos as ofertas.

Terra - O que já deu para pensar pra 2010?
Fernando - Nós vamos continuar o trabalho. Há alguns pontos a serem discutidos em reuniões com o Conselho, de como serão os próximos meses, e vamos dar continuidade. Viabilizar isso tudo financeiramente será mais um grande desafio.

Terra - Os jogadores serão liberados?
Fernando - Emprestaremos os jogadores que interessarem a outros clubes e programar a reapresentação a partir de novembro. Vamos manter apenas os garotos da base.

Terra - Já deu para quantificar os prejuízos por essa queda? A imprensa pernambucana fala em R$ 1 milhão de receitas desperdiçadas.
Fernando - Não dá para calcular, mas certamente dependeria de quantas etapas a gente atingisse na Série D. Nosso plano era jogar até o final do campeonato, então seriam no mínimo mais 10 partidas.

Terra - E o que ficou de lição?
Fernando - Os resultados foram acachapantes. Terminamos em último no grupo e em todo o campeonato, o que traduz uma falha grave na montagem do time, na orientação técnica e isso nos remete a uma ampla reavaliação dos nossos conceitos que prevaleceram na preparação do time para a Série D. Estamos convencidos de que não basta só infraestrutura e recursos, porque dispomos do melhor orçamento da Série D e tivemos esse desempenho pífio.

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Foto: Gazeta Press
Fonte: Redação Terra
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