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"Riquinho da Série D", Chapecoense quer ser novo Avaí

27 out 2009 - 09h27
(atualizado às 09h39)
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Em um ano em que o estado de Santa Catarina foi vítima de sérias enchentes, o acesso da Chapecoense na primeira edição da Série D não poderia ser conquistado de outra forma que não fosse embaixo de chuva. E não foi pouca água, tanto que a partida decisiva contra o Araguaia precisou ser até paralisada por alguns minutos em razão da queda de granizos.

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No fim das contas, o clube da cidade de Chapecó, entre os mais bem estruturados da competição e inspirado no Avaí, acabou como um dos quatro que tiveram a promoção confirmada. Assolado por lesões sérias, o elenco do time conhecido como o Verdão do Oeste se superou, batalhou contra viagens esgotantes e inesgotáveis em que cruzou o Brasil e escreveu uma nova e bonita página em seus 36 anos de história.

Ao lado de Macaé-RJ, São Raimundo-PA e Alecrim-RN, a Chapecoense é um dos clubes retratados na série de quatro reportagens que o Terra traz a partir desta terça-feira. Os quatro "campeões" que conseguiram o acesso na primeira edição da nova Série D criada pela CBF têm histórias particulares, que atestam o abismo que separa os grandes clubes diante de quem brigou por um módico lugar entre os 60 maiores do país do futebol.

A odisseia da Chapecoense

O treinador Mauro Ovelha, conhecedor do futebol catarinense - onde trilhou boa parte de sua carreira como jogador -, chegou à Chapecoense em dezembro de 2008, dando início a um trabalho que tornaria a temporada seguinte um período marcante na história do clube. Já no primeiro semestre, o vice campeonato estadual, em uma decisão apertada contra o Avaí, dava o tom do que deveria ser 2009.

Na Série D, a Chapecoense ficou marcada por conseguir a melhor campanha em aproveitamento de pontos, o que lhe daria o título se o formato fosse o mesmo da Série A. Mas, no confronto de mata-mata valendo vaga na final, os catarinenses caíram diante do Macaé, que disputa a taça contra os paraenses do São Raimundo.

"Foi uma campanha complicadíssima, devido às muitas viagens para cidades sem aeroporto, e essas dificuldades atrapalham a parte física dos jogadores. Fazendo uma análise fria, faltou mesmo é chegar até a final, mas o nosso objetivo era subir de série", conta Nei Maidana, presidente da Chapecoense.

De fato, a perda de jogadores atrapalhou o clube de Chapecó. No total, o time perdeu sete titulares ao longo da competição, o que prejudicou na hora de brigar por um lugar na decisão. "Nosso grupo era muito forte, mas foi se enfraquecendo e isso fez diferença. Claro que foi por fatalidade, mas o contato físico intenso da Série D foi determinante para que isso ocorresse", afirma o treinador Mauro Ovelha.

A direção da Chapecoense se orgulha das condições que conseguiu oferecer para os jogadores, o que foi possível graças a algumas parcerias com a prefeitura de Chapecó, o governo do Estado e um acordo com a Unimed. "Contamos com uma estrutura bem montadinha. Cuidamos de alimentação, área médica e também parte emocional. Nosso estádio é superior aos outros por onde passamos. Tendo salário e premiação sempre dia, você ganha a credibilidade dos atletas", diz Maidana.

Avaí, Maracanã e o golpe no final

Depois de passar sobre o Araguaia debaixo de granizo, a Chapecoense assegurou o acesso e chegou às semifinais para enfrentar o Macaé por uma vaga na final. Curiosamente, a partida foi marcada para o Maracanã, onde os catarinenses perderam de 2 a 0. Na volta, a classificação vinha até perto do fim, mas uma vitória heroica por 3 a 0 foi frustrada com dois gols do adversário fluminense.

O título fugiu das mãos da Chapecoense, que virou só lamentações. "Hoje só tem lugar para o que vence, sabe? Tenho batalhado muito e ganhar a competição te faz uma diferença muito grande", lamenta Mauro Ovelha ao ser parabenizado pelo acesso marcante após cinco anos como treinador profissional.

Apesar disso, o acesso e uma vaga conquistada para a próxima Copa do Brasil já fazem o presidente comemorar um 2010 gordo, com os maiores patrocínios da história da Chapecoense garantidos, permitindo ampliar a folha salarial de todo o elenco que, em 2009, era de R$ 130 mil mensais.

A projeção de crescimento para o futuro é inspirada no modelo do Avaí, que caminha para terminar 2009 entre os 10 primeiros do Campeonato Brasileiro. "Temos uma amizade muito boa com o presidente do Avaí e acompanhamos como estão profissionalizando todas as áreas. Vamos aproveitar isso para melhorar nossa estrutura", conta Maidana, que espera se distanciar de episódios curiosos como o que vivenciou em uma visita para jogo no Mato Grosso do Sul.

"As equipes da Série D têm muitos problemas. No Mato Grosso do Sul, não dava pra ficar no vestiário devido ao calor. Tivemos que ficar sentados do lado de fora, embaixo de uma árvore, porque não cabiam todos os jogadores no vestiário".

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Foto: Gazeta Press
Fonte: Redação Terra
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