Atualizada às 19h31 Os times de futebol do Acre são pouco conhecidos pelos fãs do esporte no Brasil. Boa parte das equipes ainda está na Série C do Campeonato Brasileiro, mas os jogadores levam o futebol a sério e tentam transformar o esporte em profissão, apesar das dificuldades financeiras e estruturais.
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No time Independência, vales-transportes são distribuídos para os jogadores logo após os treinos. "Aqui funciona desse jeito. Eles recebem pouco e precisam do benefício para retornar aos seus lares", explica Bujica, auxiliar-técnico da equipe da cidade de Rio Branco e ex-jogador, que chegou a atuar ao lado de Zico no Flamengo.
No último jogo do primeiro turno do campeonato, um gol no adversário valia R$ 50 para cada jogador do Independência, promessa de Silvano Santiago, que administra atualmente o clube. Mas mesmo com as dificuldades do time, a prática é condenada pelo auxiliar-técnico e não surtiu muito efeito. O Independência perdeu de 2 a 1 para o Juventus, outra tradicional equipe da capital acreana. O jogo foi no estádio Arena da Floresta, inaugurado no final de 2006, que tem capacidade para quase 15 mil pessoas.
No Acreano 2008, a média de público do primeiro turno foi de mil pagantes por jogo. A partida que mais teve espectadores envolveu os times do Náuas e do Independência, com cerca de 3,5 mil pagantes e renda de R$ 19 mil. O jogo aconteceu no estádio do Totão, em Mâncio Lima. É lá que o Náuas, estreante na competição, realiza suas partidas. Só que para o visitante chegar ao local, é necessário pegar um avião. A única estrada que liga a capital à região é trafegável somente entre junho e outubro.
Série C do Brasileiro
Outro time do interior que participa pela primeira vez do campeonato estadual de futebol profissional do Acre é o Plácido de Castro, mesmo nome da cidade em que está sediado. O município fica a cerca de 100 km de Rio Branco, na fronteira com a Bolívia.
A equipe é dirigida pelo técnico Marcelo Altino. Ele comandou o Rio Branco, time local mais conhecido no País, na maior glória do futebol acreano: a conquista da Copa Norte, em 1997.
Para Altino, que já passou por quase todas as equipes do Acre e ainda treinou times no Peru e na Bolívia, a boa campanha do Rio Branco na Série C do Campeonato Brasileiro no ano passado e a inauguração do estádio Arena da Floresta deram impulso ao futebol do estado.
Atraso de salários
A equipe da Adesg, que fica sediada em Senador Guiomard, cidade vizinha a Rio Branco, depois de sua participação no primeiro turno, não treinava há quase duas semanas devido a atrasos de salários de jogadores e comissão técnica. Classificado para o segundo turno do campeonato acreano, o time, com folha de pagamento de R$ 20 mil, estava com o dinheiro concedido pelo governo do Estado retido na Justiça do Trabalho devido a processos de ex-atletas.
O Rio Branco é, de longe, o clube de futebol mais bem estruturado do Acre. Sua folha de pagamento chega a R$ 60 mil. O salário médio do jogador do Estrelão - como é chamado o Rio Branco - é de R$ 2,5 mil, o dobro do que é pago pelos outros times aos seus atletas. O Rio Branco, por ter conquistado o primeiro turno do Acreano 2008, disputa a Série C do Campeonato Brasileiro deste ano. Em fevereiro, a equipe participou da Copa do Brasil, mas caiu diante do Botafogo na primeira fase.
Copa 2014
Alguns torcedores do Acre também torcem por times de outros Estados, mas a maioria prefere mesmo os times locais. É o caso do cearense José Idalécio Cruz, 64 anos, que há 44 anos mora no Acre. Ele torcia para o Vasco, do Rio de Janeiro. Quando chegou ao Acre, se apaixonou pelo Vasco, de Rio Branco, clube criado com as mesmas cores e símbolo do carioca. O último título estadual da equipe, em 2001, foi uma glória para o militar aposentado. "Passei mal no estádio de tanto esforço que fiz. Quase morri no último jogo", lembra Idalécio, que percorreu o gramado de joelhos, aos prantos, com a bandeira do clube, após a conquista.
Enquanto isso, na cidade de Porto Acre, pouco mais de meia hora de carro da capital Rio Branco, deu para ver bem a dimensão do interesse dos acreanos pelo futebol do sul. Das ruas, era possível verificar que os jogos transmitidos pela televisão estavam transmitindo o jogo de Flamengo e Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro.
Porto Acre não tem posto de gasolina e telefone celular não dá sinal. Na outra margem do rio, que passa ao lado da vila, a Floresta Amazônica predomina de forma majestosa e bela. É com esse apelo indiscutível que o estado pleiteia ser uma das subsedes da Copa de 2014.
O internauta José Augusto Nogueira Diniz, de Rio Branco (AC) participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.
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José Augusto Nogueira Diniz/vc repórter
No Independência, vales-transportes são distribuídos para os jogadores logo após os treinos
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18h00 » Fred elogia Adriano e deseja sorte ao "amigo"