Série A

› Esportes › Futebol › Brasileiro › Brasileiro 2008 › Série A

Série A

Domingo, 20 de julho de 2008, 08h17 Atualizada às 12h46

Grupo de Mustafá quer voto secreto em reunião sobre Arena

Bruno Ceccon
Especial para o Terra

Os trâmites para oficializar a construção da Arena Palestra Itália movimentam o cenário político do Palmeiras. Nesta segunda-feira, o Conselho Deliberativo se reúne para votar uma mudança no estatuto do clube necessária para avançar com o processo burocrático do novo estádio. O grupo político ligado ao ex-presidente Mustafá Contursi se articulou para que a votação seja secreta.

» Mais fotos da Arena Palestra
» Veja as últimas do Palmeiras

Pelo atual estatuto, o Palmeiras não pode envolver o Estádio Palestra Itália em qualquer tipo de negócio. "Constitui bem inalienável, o imóvel da Avenida Francisco Matarazzo, Estádio 'Palestra Itália', que não poderá ser por qualquer forma onerado, assim como quaisquer outros que se lhe acrescerem e a ele se incorporarem", diz o artigo 137, parágrafo 2º.

Para a existência da Arena Palestra Itália, é essencial alterar este item. A idéia é acrescentar a seguinte frase ao estatuto: "A concessão dos direitos de uso da superfície depende de prévia autorização do Conselho Deliberativo". Uma vez aprovada pelos conselheiros em sistema de maioria simples, a mudança ainda precisa ser ratificada pelos sócios em Assembléia Geral, marcada para o dia 30 de agosto.

A chamada "cessão de superfície", que regula o empreendimento do Palmeiras com a W Torre, é uma legislação ainda recente e pouco conhecida, instituída com o novo Código Civil, semelhante ao conceito de aluguel. Basicamente, a operação consiste na compra e venda de um espaço que será devolvido após um período pré-determinado. Pelo acordo, a empresa construtora ganha o direito de administrar a Arena durante 30 anos.

Nesta segunda-feira, o Conselho Deliberativo do Palmeiras se reúne para votar a eventual mudança. Um grupo de cinqüenta e oito conselheiros ligado majoritariamente ao ex-presidente Mustafá Contursi protocolou pedido na secretaria do clube para que a votação seja secreta. Desta forma, antes de iniciar a cerimônia, Seraphim Del Grande, presidente do órgão, precisará resolver com os membros a maneira de votar.

Wlademir Pescarmona, assessor especial do clube e homem forte do movimento Muda Palmeiras, acusa os defensores do voto fechado de quererem se esconder. "Eles não querem dar a cara para bater, querem fazer tudo na surdina. Eles querem evitar votar 'não' para não pareceram contrários a um projeto desse tipo. Repercutiria mal entre os sócios, entre a imprensa, em todos os aspectos. Por isso, eles vão tentar tumultuar ao máximo", diz o conselheiro, partidário do voto nominal.

Na eleição para aprovar a construção da Arena Palestra Itália, realizada no dia 30 de junho, 163 pessoas votaram a favor e apenas três foram contrárias. Boa parte dos conselheiros da oposição boicotou a votação e não compareceu. Ao lado de Mustafá Contursi e Chico Hipólito, Piraci Oliveira rejeitou a proposta. Favorável ao voto secreto, ele rebate a acusação dos defensores do novo estádio.

"Eu tenho gastado grande parte do meu tempo em exposição dos motivos do meu voto, pedindo a palavra, enviando material para meus companheiros, falei no rádio, falei na TV e gostaria de usar o seu canal para lançar o desafio de propor um debate", diz o conselheiro, que ainda apontou a existência de "inverdades" no material de divulgação do projeto da Arena.

Para Piraci Oliveira, o pleito aberto pressiona os votantes ligados de alguma forma à atual diretoria. "Em tese, essas pessoas não teriam liberdade de consciência para votar contra", argumentou. Na visão do conselheiro, a superfície da área que seria cedida à empresa não está clara. "O clube pode até virar estacionamento do Shopping Bourbon, como inclusive já foi proposto".

Como a Assembléia Geral dos sócios será com voto fechado, Piraci Oliveira defende que o mesmo expediente seja adotado no Conselho Deliberativo. Em seu artigo número 96, o estatuto do Palmeiras determina o seguinte: "As votações do C.D. (Conselho Deliberativo) serão simbólicas, nominais ou secretas a juízo do plenário, ressalvada a hipótese do artigo 94, sempre por maioria de votos dos presentes". O artigo 94 regulamenta a eleição de alguns membros da diretoria, algo fora de discussão neste momento.

Wlademir Pescarmona garante que a área em questão diz respeito apenas ao Estádio Palestra Itália, como está no estatuto do clube. Otimista para a votação desta segunda-feira, o conselheiro acredita que a ala de Mustafá pode perder o jogo antes do apito inicial. "Se eles forem derrotados na questão do voto secreto, correm o risco de perder antes mesmo da votação da mudança no estatuto. É muito perigoso", declarou.

Redação Terra

Divulgação
Construção do novo estádio palmeirense gera polêmica dentro do clube
Construção do novo estádio palmeirense gera polêmica dentro do clube

Busque outras notícias no Terra