
Atualizada às 08h27 Bruno Ceccon
Tossiro Yamamoto
Um homem de palavras pausadas e raro sorriso. Assim alguns definem Mano Menezes, técnico do Corinthians, que neste sábado conquistou o título da Série B do Campeonato Brasileiro de 2008 ao vencer o Criciúma por . Em entrevista exclusiva ao Terra, porém, o treinador desfez a imagem de pessoa introspectiva e comentou o que faz nos bastidores de uma das principais equipes de futebol do Brasil.
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Dentre as principais curiosidades, o comandante corintiano gosta de fazer academia e sauna após os treinamentos. "Só de vez em quando, porque sou um pouco relapso", disse. Respirando futebol sete dias por semana, Mano admitiu ainda que tem pouco tempo para curtir com a família, mas sempre procura encontrar tempo para jantar com a mulher. "Mas sou mais caseiro".
Mais que isso, ele explicou o que muitos têm vontade de saber. Como é a vida de um técnico? O que faz quando chega ao clube? Como são feitas as preleções? O que ele faz enquanto os atletas jogam videogame e cartas nas concentrações? Espontâneo nas respostas, Mano Menezes fez questão de lembrar que é uma pessoa normal, de hábitos simples e bem-humorada.
"Mesmo que momentaneamente você esteja ocupando um cargo diferente, como de técnico do Corinthians, tem uma relação forte mesmo apenas com as pessoas amigas e familiares. Eu procuro valorizar muito isso", garante o treinador, que assegurou ter contato com antigos colegas, como no Grêmio, mas que isso deve ser evitado na medida do possível para não interferir no trabalho alheio.
Confira a entrevista na íntegra:
Terra - Como é o seu dia-a-dia?
Mano - Geralmente, chego ao clube por volta das 8h, cerca de uma hora antes do treino. Eu tomo café da manhã no clube junto com o pessoal da comissão técnica no local que temos dentro do vestiário para fazer a primeira refeição. Os jogadores começam a chegar por volta das 8h30. Então, a gente começa a organizar o treino, tem as primeiras informações do departamento médico para saber se está tudo bem com os atletas e depois vamos para o campo, onde vocês podem nos acompanhar mais de perto. Geralmente, termina o treino e nós saímos do vestiário por volta das 13h. A gente almoça em um dos dois restaurantes do clube ou vamos comer com o Antônio Carlos e o pessoal da comissão técnica em algum lugar próximo quando precisamos conversar sobre alguma coisa. Quando tem treino em dois períodos, voltamos e fazemos o mesmo procedimento à tarde. Planejamos o treino com base no que aconteceu pela manhã. Quando tem entrevista, eu termino e vou para a coletiva. Quando tem não tem, às vezes eu aproveito e faço um pouco de academia. É só de vez em quando, porque sou um pouco relapso... Faço um pouco de esteira para melhorar a parte respiratória e depois vou para a sauna. No final do dia, volto para a casa. Sou mais caseiro, saio muito pouco, na maioria das vezes para jantar com minha mulher. Nosso cotidiano é muito desgastante, por isso gosto de ficar mais em casa.
Terra - Como é sua relação com a comissão técnica, com cada auxiliar, vocês sempre conversam, eles opinam na escalação?
Mano - Tenho um auxiliar direto, que é o Sidnei (Lobo), a pessoa com a qual eu troco mais idéias sobre a questão tática. Com o pessoal da preparação física e do departamento médico, nós também conversamos muito para saber o estado que cada jogador está atravessando. Às vezes tem um mais desgastado e planejamos uma recuperação no treino ou nos jogos. A opinião deles é importante, assim como a dos fisiologistas. Hoje, para quase tudo você tem dados científicos, informações que são importantes para tomar a decisão correta. Não funciona mais na base da observação. Mas sobre a parte tática, o Sidnei é a pessoa com quem eu compartilho minhas dúvidas, opiniões e conceitos. Mas, obviamente, a última palavra é minha.
Terra - Como são as preleções na prática? Uma é muito diferente da outra ou você procura seguir sempre a mesma linha?
Mano - Eu elaboro a palestra final baseado no que fizemos durante a semana e relacionando ao jogo de que vamos participar. Não é hora de fazer qualquer tipo de avaliação ou lembrar as dificuldades do jogo anterior, mas sim de estabelecer aspectos positivos para reiterar a força da equipe e a parte individual de cada jogador. Minhas palestras são predominantemente técnicas. Eu mostro o que vamos fazer no jogo e reforço também o posicionamento, que sempre é importante relembrar na última hora. Geralmente, as palestras têm 20 minutos, não mais do que isso. Costumo fazer no hotel, raramente faço no vestiário.
Terra - Como é sua identificação com o Corinthians? Dá para dizer que você se sente em casa no clube?
Mano - Estou absolutamente adaptado, não tive maiores dificuldades neste sentido. Fizemos um trabalho sério e conseguimos um bom resultado a curto prazo. Recuperar a confiança do torcedor foi uma parte importante desse processo, recuperar essa força. Estamos envolvidos nesse processo desde o começo e felizmente chegamos em novembro com uma vaga garantida na Série A.
Terra - No hotel, alguns jogadores dividem quarto e jogam cartas e videogame. E o treinador, o que faz?
Mano - Eu sempre levo alguns DVDs dos jogos que nós temos, de preferência dos rivais que vamos enfrentar. Eu levo o teipe do jogo anterior e fico vendo os detalhes para não deixar passar nada e entrar o mais bem preparado possível no jogo. Às vezes, eu também aproveito para ler um pouco. Gosto de ler livros e revistas de assuntos que fogem um pouco do futebol para não permanecer apenas voltando à nossa área e ficar meio alienado.
Terra - Como você definiria Mano Menezes fora do ambiente de trabalho?
Mano - Sou uma pessoa simples, com hábitos simples. A beleza da vivência tem a ver com a simplicidade. Mesmo que momentaneamente você esteja ocupando um cargo diferente, como de técnico do Corinthians, tem uma relação forte mesmo apenas com as pessoas amigas e familiares. Eu procuro valorizar muito isso. Eu sou uma pessoa bem humorada, apesar de o futebol não permitir que a gente seja bem humorado no dia-a-dia pelo desgaste e pela pressão. Com as pessoas que eu me relaciono de forma mais próxima, procuro ser assim.
Terra - Você teve uma passagem marcante pelo Grêmio. Está acompanhando o time na Série A? Ainda mantém contato com o pessoal do clube?
Mano - Eu procuro falar pouco. Quando você sai de um clube, principalmente se teve uma passagem marcante, a tendência às vezes é manter um pouco de contato. Você precisa tomar cuidado para que isso não aconteça e acabe prejudicando o trabalho de quem está dando seqüência, mas é claro que você fica com uma ligação com as pessoas. A Série A está indefinida. A cada rodada, tem um favorito novo, quer dizer que todos estão parelhos.
Terra - Já passou pela sua cabeça que se tivesse ficado no Grêmio, poderia estar comandando uma equipe que briga pelo título da primeira divisão?
Mano - Quando você vai tomar uma decisão, deve pesar muitas coisas para tomar a decisão correta na hora da dúvida. Depois que toma, não adianta ficar olhando para trás. Eu tenho certeza que tomei a decisão certa por tudo isso que aconteceu no Corinthians nesse ano. Espero que a possibilidade de renovação seja concretizada para darmos continuidade no ano que vem e façamos coisas melhores.
Redação Terra
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