
Atualizada às 13h35 Rafael Gomes
Rafael Ribeiro
Técnico do Avaí no acesso para a elite do futebol brasileiro, Silas, agora, tem outro objetivo à frente do time catarinense: manter a equipe entre as 20 melhores do futebol nacional. O comandante, famoso por ter jogado no São Paulo, na década de 80, e integrado os "Menudos do Morumbi", em alusão ao grupo porto-riquenho que encantava o público na época, já pensa no planejamento à frente do time.
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"Temos que ter pessoas de confiança, jogadores comprometidos com o objetivo do time. Você estar no São Paulo brigando pra ser campeão é uma coisa, agora no Avaí é diferente, a briga é para não cair, e o jogador precisa ter consciência disso", diz Silas confiante no atual grupo que tem em mãos.
Em entrevista ao Terra, o ex-colega de Muller, Sidney e Pita da época dos gramados também avisa que pretende contar com o apoio de Mano Menezes, técnico campeão da Série B pelo Corinthians, para manter o Avaí na elite ou, quem sabe, alçar vôos mais altos com a equipe catarinense.
"Quero ter uma conversa com o Mano Menezes, vou tentar falar com ele porque ele fez um trabalho maravilhoso no Grêmio. Considerando as diferenças entre os times (Avaí e Grêmio), ele fez um trabalho de reformulação maravilhoso no Grêmio", justifica Silas, que, como jogador, também defendeu o San Lorenzo, da Argentina.
Confira a entrevista completa:
Terra - Você assumiu o Avaí na reta final do Catarinense deste ano. O que mudou de lá pra cá?
Silas - O Avaí foi se reforçando, foi se ajustando. Eu cheguei aqui e a primeira preocupação foi ajustar a defesa. Eu acompanhei o Mano (Menezes, técnico do Corinthians) e ele disse isso também. Na Série B você precisa de uma defesa forte e essa foi a primeira medida que eu tomei. Depois fomos ajustando os atletas, pedindo pra que cada exercesse sua função.
Terra - Você encarou algum período turbulento nesta Série B?
Silas - Aqui foi maravilhoso. Um probleminha ou outro interno, mas coisa de treino, de família. O respeito sempre houve em todo o tempo, aqui temos um grupo inteligente e obediente em relação a horários e entrega. Aqui é uma cidade de praia, de mulher bonita, mas isso não foi um problema para mim. Não tive problema pra segurar os jogadores em uma cidade dessa, com a mulherada toda por aí.
Terra - O Corinthians assegurou o título da Série B no último sábado, mas antes disso o Avaí tinha chances de ser campeão. Vocês pensavam em título ou o foco era o acesso à elite?
Silas - Chegamos a ficar a três pontos do Corinthians (no final do primeiro turno), e nessa época eu pensei em título. O Corinthians começou a empatar e a gente viu que eles tinham um grande time, mas não um bicho de sete cabeças. Vimos a possibilidade de conseguir o título, mas depois vimos que não, que era quase impossível.
Terra - Seu contrato foi renovado para a próxima temporada. Você continua no cargo ou existe a possibilidade de uma troca de equipe?
Silas - Ainda não renovei, mas está tudo conversado para firmar a nossa permanência. Não discutimos sobre valores, mas vamos esperar, até pra não atropelar o processo. Todo treinador sonha em fazer um trabalho a longo prazo, mas aqui no Brasil isso é muito difícil. Aqui na primeira derrota vai o longo prazo, na segunda o médio e na terceira o planejamento inteiro. Alguns preferem ir para o exterior, mas como estou começando eu prefiro me consolidar aqui.
Terra - O Avaí foi uma equipe constante na Série B, diferente de algumas equipes que já disputaram a Série A, como Paraná, Bahia, Juventude e São Caetano. Qual foi o diferencial?
Silas - A gente trabalhou muito na atenção, nos detalhes. Mostramos pra eles que futebol é detalhe, que não tinha ninguém muito melhor ou muito pior nesta Série B. Mas não adianta falar do detalhe e não trabalhar nisso: a segunda bola, o lateral que não vai ninguém marcar... O Juventude deu praticamente adeus ao acesso com um gol sofrido aos 48min do segundo tempo (contra a Ponte Preta), é aquele tipo de coisa que o próprio Muricy (Ramalho, técnico do São Paulo) disse, que a bola pune, e a gente não pode pagar pra ver. A gente tem que se antecipar e ficar atento.
Terra - O Avaí tem em seu elenco algum jogador imprescindível? Quem?
Silas - Hoje, eu diria que o Marquinhos (ex-São Paulo, Atlético-MG e Bayer Leverkusen-ALE) é um jogador de Série A. Logicamente que os outros têm muita importância, mas se eu tivesse que apontar um, eu apontaria ele como o Moisés (profeta), levando o povo pra terra prometida.
Terra - Com o acesso garantido, qual será o próximo passo do seu planejamento à frente do Avaí?
Silas - A gente já vai começar a adiantar o planejamento. Teremos o Catarinense pra disputar e vamos ter que tirar a faixa do peito, o que vai demorar. Vai durar muito a festa, o Avaí está a muito tempo esperando por esse acesso, mas até baixar a poeira teremos que por o pé no chão e pensar em 2009. Ano que vem entramos na Série A como um provável time que vai cair, então temos que mostrar trabalho, fazer um planejamento pensando nisso.
Terra - O Estadual do ano que vem e a disputa da Copa do Brasil entram na lista de prioridades da equipe ou o foco será a disputa da Série A pela primeira vez?
Silas - O Avaí sempre luta pra ser campeão estadual. A diferença agora é que, se o Figueirense seguir na Série A, teremos dois times de elite, e isso vai igualar as forças aqui na capital. È difícil competir no Catarinense contra uma equipe que está na elite.
Terra - Nos últimos anos, equipes como América-RN e Ipatinga subiram à Série A, mas não fizeram um bom trabalho no ano seguinte. O que o Avaí precisa fazer para não repetir isso?
Silas - Quero ter uma conversa com o Mano Menezes, vou tentar falar com ele porque ele fez um trabalho maravilhoso no Grêmio. Considerando as diferenças entre os times (Avaí e Grêmio), ele fez um trabalho de reformulação maravilhoso no Grêmio e eu quero ter uma conversa boa sobre isso. Ele também vai fazer o mesmo no Corinthians e vamos pedir ajuda a ele.
Terra - Hoje, o que o torcedor do Avaí pode esperar da equipe na Série A?
Silas - O Avaí está se caracterizando pela pegada que tem. Hoje em dia, por exemplo, o Sport vai até o Palestra Itália e mete três no Palmeiras. Hoje, na Série A, não tem aquela diferença gritante de anos antes. O Atlético-PR era o melhor time do Brasil há sete anos (campeão brasileiro em 2001) e hoje está brigando pra não cair. Hoje a coisa está no detalhe. Você tem que ter pessoas de confiança, jogadores comprometidos com o objetivo do time. Você estar no São Paulo brigando pra ser campeão é uma coisa, agora no Avaí é diferente, a briga é pra não cair, e o jogador precisa ter consciência disso.
Redação Terra
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Cesar Greco/Foto Arena/Gazeta Press
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