
Atualizada às 16h01 Rafael Gomes
Rafael Ribeiro
"Eu o apontaria como o Moisés (profeta), levando o povo para a terra prometida". Escolhido pelo próprio técnico Silas como o melhor jogador do Avaí na campanha que trouxe de volta o clube catarinense à elite do Campeonato Brasileiro após 29 anos, o meia Marquinhos colhe os frutos de forma tardia. Revelado pela própria equipe alviceleste, o jogador diz, em entrevista ao Terra, que finalmente se orgulha de ter feito história no Estádio da Ressacada.
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"É um momento especial, sem dúvida nenhuma, o melhor da minha carreira. Eu tenho uma identificação muito grande com a torcida do Avaí e fui ídolo pelo que tinha feito em outros clubes. Eu saí daqui muito garoto e agora voltei mais experiente, tranqüilo para mostrar meu verdadeiro futebol", destacou o jogador, 27 anos, com passagens pelo Internacional, São Paulo, Flamengo, Atlético-MG, Coritiba, além do Bayer Leverkusen, da Alemanha.
Natural de Biguaçu, interior catarinense, Marquinhos não sabia das declarações de Silas e prefere dividir os méritos do momento com os companheiros de equipe. "Eu fico lisonjeado de ouvir um elogio desses de uma pessoa importante para o futebol como ele. Eu gosto desse clube e me orgulha ter um papel essencial no grupo que fez história", afirmou.
Ao apontar o que foi predominante no acesso do Avaí, Marquinhos não se contém ao dizer "tudo". E justifica a resposta genérica. "O equilíbrio da equipe foi fundamental e a diretoria está de parabéns por trazer jogadores fortes e o cara certo para dirigir o grupo. A luta dos jogadores foi grande e a torcida nunca desistiu da gente".
Opinião compartilhada por outro destaque do elenco, o atacante William. Apesar de ser bicampeão brasileiro pelo Santos em 2002 e 2004, o atleta diz que o acesso com os catarinenses ficará marcado. "Isso foi uma coisa inédita na minha carreira", destacou, comentando a ansiedade antes da vitória por 1 a 0 sobre o Brasiliense, na Ressacada, na última terça-feira, resultado que sacramentou a vaga na Série A em 2009.
"Antes do jogo eu senti uma 'dorzinha' na barriga. Envolvia muita coisa, toda uma cidade, a volta de um time que estava muito longe da primeira divisão", disse William.
Agora na primeira divisão, os jogadores não escondem a expectativa pelo convívio entre os grandes. Mas ressaltam que mudanças serão necessárias para que a frustração não supere a festa. "Nosso grupo é forte e está capacitado para jogar uma Série A. Mas precisamos de algumas peças de reposição para quando sair um jogador, outro poder entrar sem deixar o ritmo cair. A diretoria tem mais ou menos a receita. É preciso executá-la", disse William.
Planejamento e estudo dos erros que outras equipes que subiram e tiveram por apenas um ano o gosto de estar na principal competição do futebol nacional são conselhos comuns dos ídolos alvicelestes. Mas, segundo Marquinhos, é preciso pensar alto.
"A primeira coisa é não cometer loucura, manter o grupo o máximo que puder. Tem que trazer alguns jogadores de qualidade. A maioria dos nossos atletas já jogou a Série A, sabe como funciona e tem os pés no chão. Permanecer na primeira divisão já será um ganho, mas temos qualidade para pensar em uma Copa Sul-Americana. Se conseguirmos aliar a qualidade da Série A com a pegada da Série B, ficaremos na frente da tabela", explicou o jogador.
Manter o elenco, a princípio, não parece uma tarefa difícil. Silas prolongou seu vínculo por mais uma temporada e a maioria dos jogadores tem contratos de, no mínimo, dois anos. Como William, cujo acordo vai até o final de 2009 e fala abertamente em ficar. A maior preocupação é justamente Marquinhos, que chegou no começo do ano e assinou até dezembro. Entretanto o "Moisés" catarinense diz que a renovação está encaminhada.
"A gente vai conversar ainda. Quero jogar essa Série A e vou fazer de tudo para ficar aqui. Estamos definindo algumas coisas", concluiu o ex-camisa 10 do São Paulo na Copa Libertadores de 2004.
Redação Terra
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Antônio Carlos Mafalda/Mafalda Press/Gazeta Press
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