
Rafael Gomes
Rafael Ribeiro
Assegurado o acesso e o retorno do Avaí à primeira divisão do Campeonato Brasileiro após 29 anos, a torcida da equipe alviceleste não esconde a vontade para que o principal rival de Florianópolis, o Figueirense, caia à Série B. Entretanto, apesar da vontade em substituir a equipe alvinegra na elite por parte dos fãs, o presidente da agremiação do Estádio da Ressacada, João Nilson Zunino, garante que a ambição é para que Santa Catarina conte com mais de um clube na principal competição do futebol nacional.
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"Se você for perguntar para a torcida, eles querem mais que o Figueirense vá para a Série B, C, D. Eu, como presidente, acima da paixão, tenho o interesse de que Santa Catarina tenha mais de um clube na Série A. Isso valoriza nosso futebol, nosso Estadual. Fortalece também o Avaí", disse Zunino, em entrevista ao Terra.
"Sou obrigado a ter responsabilidades. Não posso colocar a paixão à frente do clube. Seria importante não ter apenas dois, mais três, quatro clubes catarinenses no Campeonato Brasileiro", afirmou o cartola, à frente do Avaí desde 2002.
Na vitória por 1 a 0 sobre o Brasiliense, na última terça, a torcida deu o seu recado na Ressacada ao mostrar cartazes provocando o rival, vice-lanterna no Brasileiro com apenas 35 pontos.
De qualquer modo, o Figueirense está na primeira divisão desde 2002, superando o Avaí, que disputou a competição em apenas quatro oportunidades (1974, 1976, 1977 e 1979). Para repetir a trajetória do rival, o dirigente promete trabalho sério e aposta no planejamento para evitar uma queda precipitada logo na temporada de reestréia na Série A.
"Nós sabemos que a Série A é extremamente difícil para os times que sobem. Mas precisamos sonhar com alguma coisa. Talvez até dê para chegar à Copa Sul-Americana. É preciso fazer uma campanha para se chegar a algum lugar. Se não tivermos a ambição, nem deveríamos ter saído da segunda divisão", apontou o dirigente.
As parcerias - chamadas pelo presidente de cooperativas - com a Traffic, empresa de marketing que também está no Palmeiras, e o empresário Luís Alberto, o mesmo que cuidou do Paraná e revelou, entre outros, o volante Pierre e o meia Thiago Neves, devem crescer. A meta é conseguir uma receita até três vezes maior.
O primeiro objetivo será a modernização do patrimônio. Se o Avaí já havia reformulado o departamento médico, agora o foco é a própria Ressacada, que passará por obras mínimas e terá sua capacidade ampliada em 5 mil lugares.
Quanto ao elenco, principal foco da atenção do torcedor, o clube catarinense, segundo Zanini, já teria acertado com alguns reforços e mais seis jogadores estão na mira. A única contratação anunciada com antecedência é a do atacante Leonardo, ex-Paraná e Flamengo.
A base do elenco atual será mantida. O Avaí só trabalha com contratos de dois anos de duração no mínimo, o que impede a saída prematura de alguns valores da Série B como atacante William, o meia-atacante Evando, o goleiro Eduardo Martini e o volante Batista. A única preocupação é com o meia Marquinhos, grande ídolo da temporada, cujo vínculo se encerra em dezembro.
O acordo com o técnico Silas, entretanto, foi ratificado e ele permanecerá à frente da equipe catarinense por mais um ano. Novato na profissão, o treinador é demasiadamente elogiado pelo dirigente. "O trabalho dele é fantástico. Ele tem uma forma de se relacionar excepcional e acaba conquistando todo mundo", ressaltou.
Silas terá papel fundamental na indicação de reforços para a primeira divisão. Mas apesar da euforia pelo aumento das receitas e visibilidade, Zanini mantém os pés no chão e descarta loucuras para a primeira temporada na elite desde 1979.
"Vamos ver a necessidade que nós temos e considerar as despesas para o ano inteiro. Uma avaliação será feita durante o Estadual, para ver como os jogadores se comportarão. Nós não temos condições de trazer o Kaká. Precisamos ser uma equipe de porte médio. Temos que entender quem sabe jogar bola e pode evoluir, além de representar uma certa receita para o clube no futuro", concluiu.
Redação Terra
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Antônio Carlos Mafalda/Mafalda Press/Gazeta Press
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