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Segunda, 8 de dezembro de 2008, 18h04 Atualizada às 21h50

"História vai dizer quem tem razão", diz Del Nero

Renato Pazikas
Direto de São Paulo

Um dia depois do título do São Paulo no Campeonato Brasileiro, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, manteve nesta segunda-feira, em entrevista na sede da entidade, a postura de seguir com as investigações do caso que originou o afastamento do árbitro Wagner Tardelli da partida entre a equipe tricolor e o Goiás, no Estádio Bezerrão.

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No último sábado, a Confederação Brasileiro de Futebol (CBF) justificou a decisão para preservar o árbitro, que poderia ser ligado a uma suposta tentativa de manipulação de resultado do confronto. Para o lugar de Tardelli, foi sorteado o baiano Jailson Macedo Freitas.

"Só a história vai dizer quem tem razão ou não, quando as coisas forem apuradas", disse o dirigente, sobre o rompimento anunciado do São Paulo com a Federação na manhã deste domingo, poucas horas antes da partida no Distrito Federal.

Nesta segunda, a FPF divulgou o e-mail enviado por Del Nero ao presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, com cópia para José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), no último sábado.

No comunicado, o dirigente manifestou preocupação com o envio de um envelope que deveria chegar ao árbitro Wagner Tardelli antes da partida deste domingo.

Momentos depois de o vice-presidente de futebol Carlos Augusto Barros e Silva anunciar o rompimento, o cartola tricolor Ataíde Gil Guerreiro confirmou, no gramado do Estádio Bezerrão, que também deixaria o cargo de vice-presidente da entidade.

Mesmo depois de a relação com o clube tricolor ter estremecido, Del Nero enalteceu o triunfo são-paulino por 1 a 0 sobre o Goiás, no último domingo.

"O árbitro foi trocado porque estaria sob suspeita. A partida aconteceu normalmente e não há como ninguém reclamar da vitória e do título do São Paulo", disse.

"A minha grande preocupação era que, imagina se surgisse este fato hoje, depois de o São Paulo se sagrar campeão. Como seria o Campeonato Brasileiro, como ficaria o Wagner Tardelli? Por isso digo que faria tudo de novo", resumiu.

O dirigente fez questão de ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça (STJD) é quem decidirá os rumos da investigação. Sendo assim, ele não pode fazer juízo dos fatos.

Confira o e-mail na íntegra:

"Quero aqui ratificar oficialmente o que lhe passei via celular ontem à noite, sobre a preocupação que nos atinge em relação ao ato relatado, ontem à noite por minha secretária de nome Lilian sobre suposto envelope que deveria chegar às mãos do vice-presidente Reinaldo Bastos para ser entregue ao árbitro Wagner Tardelli. Como lhe disse, comuniquei o fato ao GAECO do Ministério Público de São Paulo na pessoa do Dr. José Reinaldo Carneiro, cujo telefone lhe passei.

A sugestão do Ministério Público, que também adoto, é a de trocar o árbitro da partida para preservá-lo. É uma questão humanitária, pois Wagner Tardelli pode não estar a par do envelope e se ocorresse um erro comum da arbitragem poderia acarretar sérias dúvidas. E a troca do árbitro iria transformar um fato delicado a nada, sem outras conseqüências, pois estaria sanada a nossa preocupação. O campeonato terminaria sem qualquer mácula ou dúvidas. Vou procurar entrar em contato com Dr. Ricardo Teixeira pra transmitir a nossa preocupação".

Marco Polo Del Nero

Redação Terra

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