
Atualizada às 21h50 Renato Pazikas
Direto de São Paulo
Um dia depois do título do São Paulo no Campeonato Brasileiro, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, manteve nesta segunda-feira, em entrevista na sede da entidade, a postura de seguir com as investigações do caso que originou o afastamento do árbitro Wagner Tardelli da partida entre a equipe tricolor e o Goiás, no Estádio Bezerrão.
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No último sábado, a Confederação Brasileiro de Futebol (CBF) justificou a decisão para preservar o árbitro, que poderia ser ligado a uma suposta tentativa de manipulação de resultado do confronto. Para o lugar de Tardelli, foi sorteado o baiano Jailson Macedo Freitas.
"Só a história vai dizer quem tem razão ou não, quando as coisas forem apuradas", disse o dirigente, sobre o rompimento anunciado do São Paulo com a Federação na manhã deste domingo, poucas horas antes da partida no Distrito Federal.
Nesta segunda, a FPF divulgou o e-mail enviado por Del Nero ao presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, com cópia para José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), no último sábado.
No comunicado, o dirigente manifestou preocupação com o envio de um envelope que deveria chegar ao árbitro Wagner Tardelli antes da partida deste domingo.
Momentos depois de o vice-presidente de futebol Carlos Augusto Barros e Silva anunciar o rompimento, o cartola tricolor Ataíde Gil Guerreiro confirmou, no gramado do Estádio Bezerrão, que também deixaria o cargo de vice-presidente da entidade.
Mesmo depois de a relação com o clube tricolor ter estremecido, Del Nero enalteceu o triunfo são-paulino por 1 a 0 sobre o Goiás, no último domingo.
"O árbitro foi trocado porque estaria sob suspeita. A partida aconteceu normalmente e não há como ninguém reclamar da vitória e do título do São Paulo", disse.
"A minha grande preocupação era que, imagina se surgisse este fato hoje, depois de o São Paulo se sagrar campeão. Como seria o Campeonato Brasileiro, como ficaria o Wagner Tardelli? Por isso digo que faria tudo de novo", resumiu.
O dirigente fez questão de ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça (STJD) é quem decidirá os rumos da investigação. Sendo assim, ele não pode fazer juízo dos fatos.
Confira o e-mail na íntegra:
"Quero aqui ratificar oficialmente o que lhe passei via celular ontem à noite, sobre a preocupação que nos atinge em relação ao ato relatado, ontem à noite por minha secretária de nome Lilian sobre suposto envelope que deveria chegar às mãos do vice-presidente Reinaldo Bastos para ser entregue ao árbitro Wagner Tardelli. Como lhe disse, comuniquei o fato ao GAECO do Ministério Público de São Paulo na pessoa do Dr. José Reinaldo Carneiro, cujo telefone lhe passei.
A sugestão do Ministério Público, que também adoto, é a de trocar o árbitro da partida para preservá-lo. É uma questão humanitária, pois Wagner Tardelli pode não estar a par do envelope e se ocorresse um erro comum da arbitragem poderia acarretar sérias dúvidas. E a troca do árbitro iria transformar um fato delicado a nada, sem outras conseqüências, pois estaria sanada a nossa preocupação. O campeonato terminaria sem qualquer mácula ou dúvidas. Vou procurar entrar em contato com Dr. Ricardo Teixeira pra transmitir a nossa preocupação".
Marco Polo Del Nero
Redação Terra
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