
Dassler Marques
Brigas, calotes, bebida e fome são ingredientes indispensáveis para qualquer filme de drama, mas também fizeram parte da realidade do homem que acabou com o São Paulo no domingo. Jobson, responsável por dois gols, uma assistência e um verdadeiro carnaval contra a melhor defesa do Campeonato Brasileiro, tem uma história no futebol que renderia roteiro cinematográfico.
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Jobson, 21 anos, aprontou tanto no Brasiliense que foi enviado por empréstimo para a Coreia do Sul, até reaparecer no futebol brasileiro como reforço do Botafogo para o returno. Ao que parece, o período de reclusão fez bem ao jogador, que acumula uma boa sequência de grandes exibições.
"O Jobson teve brigas, teve tudo que você pode imaginar. Andou me dando muito trabalho, mas é um garoto fácil de levar", conta Reinaldo Gueldini, que foi treinador do atacante nos juniores do Brasiliense, o promovendo logo em seguida assim que foi nomeado para o comando dos profissionais. "Valeu a pena o esforço, até porque era um jogador que compensava dentro de campo", acrescenta, contando histórias incríveis sobre o pupilo.
No Brasiliense, fome, bebida e brigas
De acordo com Reinaldo, que defendeu o Flamengo quando jogador, Jobson chegou em Taguatinga vindo de Conceição do Araguaia, no interior do Pará, cidade de seus familiares. Enquanto jogava nos juniores do Brasiliense, morou de favor na casa de funcionários do clube. "Passou muitas dificuldades nessa época. Até fome", testemunha.
Mesmo com os problemas, Jobson mostrava serviço, apesar da dificuldade em alguns fundamentos, especialmente a finalização. "Houve um jogo, final da segunda divisão, em que ele deve ter perdido uns oito gols incríveis e, no fim da partida, o goleiro adversário fez um gol. Queriam detoná-lo, mas eu disse ao presidente (Luiz Estevão, ex-senador) que o Brasiliense teria um jogador de futuro", conta.
Em seguida, Jobson recebeu as primeiras chances na equipe profissional, assim que Reinaldo Gueldini acabou promovido também dos juniores. Em menos de um ano, o garoto mostrou suas garras e ganhou fama de craque "bad boy" e problemático. Foi eleito para a seleção do torneio Estadual.
Rapidamente, arrumou confusões com os experientes Dimba, então seu companheiro de ataque, e Iranildo, o maior ídolo local - às vezes, por querer cobrar os pênaltis. Também fugiu de carro para o interior do Pará e ficou por lá, ao lado da família, durante oito dias, sem dar notícias. "Bebi tanto que quebrei a cidade", chegou a afirmar para a imprensa na época.
Por duas vezes, trocou agressões físicas com o lateral Patrick, hoje no Náutico. A gota d'água foi ter aparecido embriagado para um dia de treinos. Luiz Estevão, o presidente do clube, puniu Jobson, descontando uma porcentagem de seu salário. No fim de 2008, foi decidido pelo empréstimo do atacante, que se transferiu para o Jeju United, da Coreia do Sul.
Quase no Flamengo, Jobson foi parar no Botafogo
Aposta do treinador Estevam Soares, Jobson esteve muito perto do Flamengo antes de acertar com o Botafogo. "O Andrade me ligou pedindo informações sobre ele. Eu disse que era um menino bom, que precisava de ajuda. E ele tá dando mostras disso", conta Reinaldo.
Quem comemora a boa fase do companheiro é Renato, meia botafoguense, que contra o São Paulo marcou um gol após passe de Jobson. "Você sempre pode esperar dele uma jogada que a defesa adversária não prevê e vai resultar em gol. Ele me chama muito a atenção por causa da velocidade", afirmou o colega de Botafogo.
"Nós dois moramos na concentração do Botafogo. É um menino super humilde, que a cada dia surpreende todo mundo com sua forma de jogar e também de agir fora de campo. Todos torcem por ele, porque é um garoto bom, que vem de família humilde. Foi aprendendo com a vida e todos tentam ajudá-lo", explica Renato.
Um pouco mais experiente, 24 anos, Renato fala como quem conhece dos problemas que Jobson causou. "Ele aprendeu da pior forma possível, batendo a cara na parede. Início de carreira é assim e muitos se iludem com a fama. Tem tempo e ele já está dando a volta por cima", crê Renato, que assegura que o companheiro de equipe não causou qualquer problema em General Severiano.
De Taguatinga, Reinaldo Gueldini comemora o sucesso do pupilo. "Teve momentos que precisei trabalhar como pai e mãe. O presidente deu a oportunidade de ele sair e o pensamento era que o Jobson crescesse. Espero que ele utilize essa fase boa. Que Deus o ilumine".
Redação Terra
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Satiro Sodré/AGIF/Gazeta Press
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