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 Primeiro técnico aconselha Chicão e aprova castigo do Corinthians
12 de outubro de 2011 07h30 atualizado às 08h52

Para Jorginho, Chicão não pode se abalar após ser castigado por falhas no Corinthians. Foto: Edson Lopes Jr. / Terra/Divulgação

Para Jorginho, Chicão não pode se abalar após ser "castigado" por falhas no Corinthians
Foto: Edson Lopes Jr. / Terra/Divulgação

Jorge Ferreira da Fonseca, o Jorginho, fala com propriedade sobre os problemas de Chicão no Corinthians. Orgulhoso por ter estimulado o zagueiro a se profissionalizar no Mogi Mirim, há quase duas décadas, o treinador do modesto América de Estiva Gerbi acompanhou atentamente toda a carreira do seu pupilo - desde o período de dificuldades financeiras no interior paulista à fama na capital.

O estrelato de Chicão no Corinthians sofreu um abalo recentemente. O antigo capitão foi sacado da equipe titular do técnico Tite no último clássico contra o São Paulo e, ao saber da decisão, pediu dispensa da partida quando já estava na concentração. A partir de então, o castigo: ele só voltou a ser relacionado para um jogo nesta semana, contra o Botafogo, no Pacaembu.

"Olhando de fora, vejo que o Chicão se precipitou nessa história. Apesar de falar pouco, ele acabou se envolvendo nessas polêmicas. Você precisa sempre respeitar os desejos do seu técnico, da direção. Com uma faixa de capitão, então, é importante dar exemplo", ensinou Jorginho. "Às vezes, quando um time passa por um momento difícil, acaba sobrando para alguém. Mas o Chicão foi egoísta ao abandonar os companheiros", criticou o profissional de 55 anos.

Jorginho conheceu Chicão quando o atleta tinha pouco mais de 10 anos. "O André, irmão mais velho do Chicão, era meu zagueiro no América de Estiva Gerbi. O Chicão sempre ficava na beira do campo, vendo o irmão jogar, mas não tinha incentivo para fazer o mesmo. Decidi chamá-lo para o nosso time. Ele só me pediu uma chuteira", recordou o primeiro treinador do zagueiro do Corinthians.

Estiva Gerbi é um pequeno município da microrregião de Mogi Mirim - com pouco mais de 10.000 habitantes, a cidade emancipou-se de Mogi Guaçu (onde Chicão nasceu) apenas em 30 de dezembro de 1991. Foi lá que Jorginho orientou o princípio de carreira do atleta corintiano. "Naquela época, ele nem era chamado de Chicão. Era Fião, por ser um bom filho", contou o técnico.

Com o apelido de Fião, Chicão chamou a atenção como meia-atacante do América. Não marcava muitos gols de falta (sua especialidade atualmente), porém tinha uma boa mira para os chutes de longa distância. O sucesso na equipe de Estiva Gerbi foi tamanho que Jorginho decidiu levar o garoto promissor para uma série de testes no Mogi Mirim. "Quando a peneira terminou, entrei em campo para falar com os treinadores do Mogi sobre o Chicão, pedindo para ele ficar no clube. E assim foi feito."

No Mogi Mirim, o futuro jogador do Corinthians mudou de apelido e de posição. Fião passou a ser conhecido como Chicão, uma homenagem ao ex-zagueiro da Seleção Brasileira, do São Paulo e do próprio clube do interior paulista. Sob o comando de Adilson Batista (com quem voltaria a trabalhar, já no Parque São Jorge), foi recuado para volante e, depois, para a zaga.

Além de Adilson, Chicão ainda reencontrou Jorginho. Quando o seu contrato com o Mogi Mirim terminou, o zagueiro passou a treinar novamente no América de Estiva Gerbi, à espera de uma proposta para defender outro clube. "Ele ficou nove meses parado, sem acertar com ninguém. A situação financeira não era muito boa em uma época, e eu tentava apoiar, dando carona, conversando", disse o treinador. "O Chicão nem era de falar muito, sempre foi tímido, sem perguntar nada no vestiário. Ele pensou em desistir do futebol, mas foi firme para alcançar seu objetivo."

Chicão se reergueu com passagens por Portuguesa Santista, América-SP, Juventude e Figueirense. No clube de Caxias do Sul, ele se tornou amigo do então zagueiro Antônio Carlos Zago, dirigente do Corinthians no início da gestão do presidente Andrés Sanchez. O relacionamento foi importante para o defensor chegar ao Parque São Jorge em 2008. Famoso, Chicão ainda vai bastante a Mogi Guaçu para rever seus familiares.

"Ele tem uma chácara na região. De vez em quando, a gente conversa", comentou Jorginho, íntimo também de alguns parentes do zagueiro. "A família dele é de corintianos. O André, irmão, até frequenta a minha igreja evangélica e é um desses torcedores mais fanáticos. Mas evito comentar com ele e com os outros familiares sobre os problemas do Chicão no Corinthians, para não ficar chato. Isso abalou um pouco todo mundo. Ninguém gosta de falar", acrescentou.

De qualquer forma, Jorginho não recusa conselhos para o defensor superar o mau momento. "O André era o verdadeiro zagueiro do meu time, mais raçudo e agressivo do que o irmão. Mas o Chicão, embora tivesse mais classe, conseguiu se dar bem nessa posição. Só não pode continuar fazendo o primeiro combate na marcação, pois não tem recuperação para isso. Com um volante mais preso à frente, ele sabe sair jogando e funciona melhor", analisou, confiante na recuperação do "Fião".

"O Chicão não deve ficar de cabeça baixa. Ele tem que se reconciliar com os dirigentes e com a torcida, aceitando o que for imposto. É um jogador que já tem certa idade 30 anos . Se não resolver a situação, acaba ficando mais difícil uma renovação de contrato ou ir para outro clube depois. O Chicão se consagrou no Corinthians. Deveria sair de lá com as portas abertas e, quem sabe, encerrar a carreira no Mogi Mirim. Seria bonito dessa forma", concluiu Jorginho.

Gazeta Esportiva