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 Olha ele! Sem tranças, Tonhão faz novos planos e sofre com Palmeiras
22 de dezembro de 2011 07h55 atualizado em 26 de dezembro de 2011 às 17h26

Tonhão (3º da esquerda para a direita) ao lado de Edmundo, César Sampaio e Alexandre Rosa: paixão intacta pelo Palmeiras. Foto: Ivan Pacheco/Terra

Tonhão (3º da esquerda para a direita) ao lado de Edmundo, César Sampaio e Alexandre Rosa: paixão intacta pelo Palmeiras
Foto: Ivan Pacheco/Terra

Dassler Marques

Tonhão não tinha a técnica de Zinho, a versatilidade de Mazinho ou a frieza de Evair. Também não era explosivo como Edmundo, não marcava tão bem quanto César Sampaio, não era firme como Cléber e não defendia como Velloso. Mas era, naquele inesquecível Palmeiras das temporadas 1993/94, reserva e um dos grandes ídolos da torcida.

Raçudo, carismático e sempre pronto para substituir Antônio Carlos ou Cléber no miolo da zaga, Tonhão representava a extensão da arquibancada para dentro do gramado. "Sou palmeirense verde até hoje", conta. Em quatro temporadas, conquistou três Campeonatos Paulistas, dois Campeonatos Brasileiros e um Torneio Rio-São Paulo.

Assim como muitos jogadores, Tonhão não deixou o futebol. Aos 42 anos, depois de tentar a sorte como treinador, ele vai em busca do sucesso como empresário. "Devagar, com os pés no chão", afirma. O ex-zagueiro também nega que tenha pisado sobre a camisa da Portuguesa e que tenha tido uma dor de barriga durante o jogo. Só admite mesmo os problemas de vestiário na equipe de 93-94. Tonhão estreia a seção Olha Ele, que vai mostrar no Terra os dias atuais de jogadores marcantes do passado.

Confira a entrevista com Tonhão na íntegra:

Terra - O que você tem feito desde que parou de jogar?
Tonhão - Eu era treinador, mas parei em 2008, e agora estou mexendo com a perícia de veículos. Se o cliente compra um veículo, precisa fazer essa avaliação e é o que faz a minha empresa. Além disso, estou começando agora esse trabalho de empresário com um amigo que tem bons contatos. Estamos em Goiás e São Paulo, mas devagar, com os pés no chão.

Terra - E você parou de jogar futebol?
Tonhão - A gente joga no fim de semana com o time master do Palmeiras. Eu jogo na zaga ou no meio, mas é mais uma apresentação. Não é a mesma coisa, né?

Terra - Por que você parou de atuar como treinador?
Tonhão - Passei por Ecus Suzano e Osasco e dei uma parada. Fiquei na base e atuava como auxiliar no profissional, mas time que depende de prefeitura não tem muito jeito. Ainda pretendo trabalhar como treinador, mas depende, você precisa pegar o clube que tenha base, que seja organizado.

Terra - Você tem acompanhado o Palmeiras?
Tonhão - Claro! Sou palmeirense. Não palmeirense roxo, sou palmeirense verde (risos). Estou sofrendo com a atual realidade que o time vem passando. Hoje é um pecado, porque não tem casa, e sem união fica difícil. Antigamente você chegava ao clube, almoçava junto e ficava mais tempo com o grupo do que com a esposa e seus filhos. Hoje não tem essa dedicação, os jogadores não conhecem o clube.

Terra - Mas costuma se dizer que o time de 1993 era desunido. É verdade?
Tonhão - Tinha mais de um grupo. Tinha o pessoal do Edmundo, que era o Roberto Carlos, o Maurílio e o Jean Carlos. Os evangélicos que eram mais próximos do Evair e do César Sampaio, mas o Vanderlei Luxemburgo foi feliz porque soube controlar bem tudo isso. Se a gente não ganhasse dentro do campo, não tinha sentido.

Terra - Como as coisas funcionavam no vestiário?
Tonhão - O Evair, o Mazinho e o Sampaio eram os líderes e aquilo era um grande grupo. Ganhamos o Paulista e ganhamos o Rio-São Paulo com os reservas. Ele (Luxemburgo) colocou na nossa cabeça que o Palmeiras fica e a gente passa. Hoje falta essa identidade. O Corinthians e o São Paulo criam jogadores identificados, mas o Palmeiras não tem base.

Terra - Você precisa tirar uma grande dúvida. Você pisou na camisa da Portuguesa?
Tonhão - Não! As pessoas confundem muito isso. O Zé Maria, lateral da Portuguesa, era muito amigo meu desde a base, mas não me deu a camisa no primeiro jogo. E aí na partida de volta, me deram a camisa. Os torcedores estavam atrás de mim, me jogaram água, e eu acabei chutando a camisa. Infelizmente errei, não tem como consertar. Fechei a porta para mim em um grande clube. Mas espero ser lembrado por coisas boas.

Terra - Outra história que se conta sobre você é que saiu no meio de um jogo porque teve dor de barriga. É verdade?
Tonhão - O Sílvio Luiz (atualmente na Rede TV!), que é um grande narrador, que fez aquela história. Foi um jogo no Brinco de Ouro, contra o Guarani, e na volta do intervalo eu tive uma azia. Eu fui até o túnel para tomar um sal de fruta, mas ele falou que tinha sido dor de barriga.

Terra - Você jogou na Rússia e no Japão. Como foram essas passagens?
Tonhão - Eu tinha passado pela Rússia em 1994 com o Palmeiras e mais tarde eles foram atrás de mim. Foram 13 meses por lá. Eu tinha tradutor, vivia na Rússia, mas foi muito tranquilo. Parece o futebol alemão. Mas no Japão eu não cheguei a jogar. Fiz um teste, queriam me contratar, mas não deu certo.

Terra - Você ainda usa as tranças que ficaram famosas?
Tonhão - Agora estão meio curtas, já não se usa tanto, né?

Terra
  1. Com a paixão pelo Palmeiras intacta, Edmundo, César Sampaio, Tonhão e Alexandre Rosa, que fizeram parte do respeitável time alviverde de 1993/94, exibem a nova camisa do Palmeiras antes da segunda partida contra o Vasco, válida pela segunda fase da Copa Sul-Americana 2011

    Foto: Ivan Pacheco/Terra

  2. Ainda com as famosas trancinhas pelas quais era reconhecido em campo, Tonhão comemora ao lado de Roberto Carlos a conquista do Campeonato Brasileiro 1994, após o Palmeiras bater o rival Corinthians na partida final

    Foto: Gazeta Esportiva

  3. Tonhão e Cláudio (ao fundo), do Palmeiras; e Geovani, do Vasco, durante partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 1993

    Foto: Gazeta Esportiva

  4. Tonhão durante o treino para a partida contra o São Paulo, válida pelo Campeonato Paulista de 1992

    Foto: Gazeta Esportiva

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