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Sábado, 20 de agosto de 2005, 10h01 
Futebol tem década perdida após barbárie no Pacaembu
 
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Há exatos dez anos, no dia 20 de agosto de 1995, o Pacaembu, um dos estádios de futebol mais tradicionais de São Paulo, foi o campo de batalha entre torcedores de Palmeiras e São Paulo, durante jogo final da extinta Supercopa de Futebol júnior. O saldo da batalha foram 101 feridos e um morto: Márcio Gasparin da Silva, um adolescente de 16 anos. Desde então, ainda que pese o fato de o poder público e a polícia tentarem coibir ações de violência, mortes ocasionadas por confrontos entre torcidas rivais ainda são casos comuns entre as histórias de violência das grandes cidades brasileiras.

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Para Heloísa Helena Baldy dos Reis, professora da Unicamp (Universidade de Campinas) e doutora em Direito de Segurança Social, a violência saiu de dentro dos estádios e se espalhou para as ruas e arredores das arenas esportivas. "O controle maior dentro dos estádios, especialmente com a colocação das câmeras, inibiu a violência. No entanto, ela foi para fora", afirmou a especialista em entrevista ao Terra Esportes.

O caso mais recente ocorreu em Minas Gerais, quando o cruzeirense Washington Sebastião Pereira, 26 anos, morreu baleado em um ponto de ônibus por causa de uma briga entre torcedores de Cruzeiro e Atlético-MG, após partida entre as duas equipes pela Taça BH de futebol júnior. Um adolescente de 17 anos se entregou à polícia e confessou ter sido o autor dos disparos.

Fernando Capez, promotor que pediu a extinção das torcidas organizadas após o confronto de dez anos atrás, mortes como a de Washington são problemas de desajuste de segurança pública e fogem da responsabilidade das torcidas organizadas. "São marginais que cometem crimes durante dias de jogos. É mais uma questão de falta de segurança pública do que de fiscalização das organizadas."

No dia 4 de maio de 2004, Capez foi um dos críticos da falta de policiamento nas ruas quando o corintiano Marcos Gabriel Cardoso, 16 anos, morreu após conflito com palmeirenses na estação Barra Funda do metrô de São Paulo.

Em setembro do ano passado, outro torcedor, André Silva Feliciano, 17 anos, foi morto depois que corintianos cercaram um ônibus da torcida Independente após um clássico paulista. Os agressores atiraram rojões para dentro do veículo, e André foi atingido no peito.

Penas duras

Márcio Gasparin morreu no dia 28 de agosto de 1995, oito dias depois da briga entre são-paulinos e palmeirenses. Adalberto Benedito dos Santos foi identificado, por meio das imagens das câmeras de televisão que transmitiam o jogo, como o palmeirense que desferiu uma paulada na cabeça do rival. Acabou condenado a 12 anos de prisão.

"Hoje, o Adalberto não quer nem ouvir falar de futebol. Desgraçou a vida dele", afirma Fernando Capez, que defende penas duras para os agressores que forem identificados pela polícia. "Não dá para esperar colaboração deles, é preciso punir sempre."

O promotor acredita que a decisão de pedir a extinção das torcidas organizadas contribuiu para coibir atos de violência generalizada dentro dos estádios. "Agora os torcedores sabem que serão punidos se cometerem esse crime."

Heloísa Baldy concorda com a tese de que a punição exemplar ajudou na conscientização das torcidas organizadas. "Fui contra aquela decisão na época por não concordar com qualquer impedimento de uma organização social. Sou a favor, porém, de uma fiscalização dessas organizações. Por outro lado, a proibição fez com que as torcidas repensassem o seu papel", destacou.

Caos social

A adoção de medidas preventivas, como a venda de ingressos antecipadamente e a identificação de todos os torcedores presentes no estádios, é apontada por especialistas como forma de se coibir atos de violência até mesmo fora dos estádios. No entanto, há quem discorde da idéia.

"A diferença do Brasil para países que adotaram esse tipo de medida, como a Espanha, é social, econômica e cultural", afirmou Fernando Capez. "Não estamos falando de falta de fiscalização, é um problema de educação."

Para o promotor, a conscientização de torcedores é praticamente inviável sem melhorias nas condições sociais da população brasileira. "A idéia de ser contra a violência tem de partir da escola, da formação do indivíduo. E nós temos de reconhecer que, nesse aspecto, somos inferiores a praticamente todos os países europeus", disse.


 

Redação Terra