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Série A
Sexta, 9 de dezembro de 2005, 16h39  Atualizada às 16h56
Ameaças forçaram torcedor a desistir de ação
 
Rafael Prada
 
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O advogado Leandro Konrad Konflanz não desistiu da ação contra o STJD porque recebeu dinheiro do Internacional ou simplesmente porque abriu mão da disputa. As ameaças feitas pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) contra o time gaúcho motivaram o jovem advogado a desistir da manobra.

Opine: você concorda com a decisão do torcedor do Inter?
Torcedor desiste de ação

Na ação, ele pedia a revogação da anulação das 11 partidas que o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) anulou. Dentre as ameaças que o clube gaúcho sofreu estava até mesmo a exclusão da Copa Libertadores de 2006.

Sem dormir há uma semana e claramente abatido pela desistência, Konflanz conta em entrevista exclusiva ao Terra Esportes como se sente ao ver a perda da força da Justiça brasileira e o medo de ver o seu time de coração prejudicado por sua causa.

Privado de seu direito, Konflanz faz um apelo para o Ministério Público e pede ao povo que esqueça o Campeonato Brasileiro de 2005, o torneio que ameaçou tirar "todo glamour, paixão e apelo" do futebol.

O que te levou a desistir da ação, já que você estava saindo vitorioso?

Foi uma decisão muito difícil desistir. Todas as ameaças que meu clube sofreu, o pedido do presidente (Fernando Carvalho) do Inter e também as punições que meu time estava passível de sofrer me motivaram.

Eu protestei através de um processo, juridicamente aconteceu a Justiça, através dos meios constitucionais obtive vitória, mas tive que recuar em razão de ameaças sujas da CBF e da Conmebol.

Muitos te chamaram de laranja...

Laranja eu não sou, sou vermelho! Essas questões acabam enfraquecendo a Justiça, o Campeonato Brasileiro fez com que muita gente perdesse a fé e a esperança no judiciário. Essas ameaças sujas da CBF fizeram com que pessoas não acreditem mais na Justiça.

Como fica o Estatuto do Torcedor diante de todo esse caso?

O Inter obteve esse merecimento (de participar da Libertadores). Se não foi campeão, como eu acredito que foi, o regulamento garante o direito. Agora, a Constituição nos garante o direito de entrar na Justiça para brigar pelos nossos direitos. Essas ameaças que o Inter recebeu acabam esvaziando a lei do Estatuto do torcedor, vira uma lei morta.

Minha formação profissional e pessoal me leva a crer na Justiça. Eu não imaginava que esses argumentos sujos utilizados pela CBF e que mexeram com a Conmebol pudessem fazer isso. É repugnante e fere a Constituição Brasileira, não vivemos em uma democracia plenamente consolidada.

A CBF não pode ser processada por coação? Uma vez que a entidade, através do Internacional e da Conmebol, o forçou a desistir da ação na Justiça.

Eu acredito que sim. E quero aproveitar para fazer um apelo aos organismos, como o Ministério Público, que é o guardião da lei suprema, para ficarem de olho nesses casos. Foi uma lição. Eu fui tolhido do meu direito de ação, impedido de buscar a justiça no Brasil.

Para você, a "batalha" está definitivamente encerrada?

Com muita dor, pra mim a luta está encerrada. Até abri mão do resultado financeiro, mas não foi essa a motivação, o Inter não me deu nenhum dinheiro, nem para entrar nem para desistir da ação, como estão falando. Desisti porque sou torcedor e não queria dar um prejuízo maior ao Inter.

O advogado Carlos César Papaléo (ex-conselheiro do Inter e dono do escritório para o qual Konflanz prestava serviços) disse que entraria com uma ação igual caso você desistisse.

O direito é de cada indivíduo. Eu não posso opinar quanto a questão dele, não sei qual a posição, não tenho conhecimento. Deve ser questionado a ele. Como todo brasileiro, ele tem direito ao judiciário.

E como fica a imagem do Campeonato Brasileiro?

Todos devemos esquecer o Brasileiro 2005, sob a pena de o futebol perder seu glamour, sua paixão e seu apelo. A sociedade brasileira não merece isso.

Eu tenho a visão técnica do processo, achei que fosse correr tudo por aí, mas sofri pressão externa, a CBF pode contratar os melhores advogados, mas quando se trabalha com a verdade e com a justiça não se teme nada, e no processo não tinha nenhum medo.

Eu acreditava na justiça, mas as ameaças foram muitas e isso acabou forçando a desistência da ação.


 

Redação Terra