Série B

Série B

Sábado, 24 de novembro de 2007, 18h21  Atualizada às 19h38

Coritiba volta a comemorar um título nacional após 22 anos

Elaine Felchacka
Especial para o Terra
Aldo Carneiro/Futura Press

Coritiba conquistou o Brasileiro de 1985, derrotando o Bangu na decisão
Busca
Saiba mais na Internet sobre:
Busque outras notícias no Terra:

Depois de um jejum de 22 anos, o Coritiba volta a comemorar um título de campeão brasileiro. Apesar de ser a conquista da Série B, a comemoração, na última rodada da competição, é tão grande quanto a de 1985, quando o time ficou com a taça da primeira divisão.

» Coritiba é campeão
» Relembre a campanha
» Baixe o pôster do Coritiba
» Comente a conquista

Mesmo sem toda pompa de um título da Série A, a torcida alviverde comemora a conquista, principalmente pelo retorno à divisão especial do futebol brasileiro, depois de amargar dois anos na Série B.

Mas o título não veio da forma esperada. Os 43 mil torcedores que lotaram o Couto Pereira deixaram o estádio frustrado após a derrota por 3 a 2 para o Marília, na penúltima rodada, e tiveram que esperar um pouco mais para comemorar a conquista.

Rebaixado em 2005, o Coritiba deu ares de que em 2006 sairia do martírio com um belo início de temporada. Mas depois de liderar o campeonato, ao final do primeiro turno, o sonho começou a ruir com o chamado "setembro negro". O time começou a despencar na tabela e viu o retorno à Série A escapar de suas mãos.

A derrocada em 2006 teve seu ápice com uma das imagens mais marcantes do futebol brasileiro. Indignado com a situação do clube, um grupo de torcedores foi ao aeroporto Afonso Pena realizar um protesto. O que era para ser uma manifestação pacifica terminou com muita confusão e briga entre jogadores e torcedores, imagens que rodaram o mundo.

Este panorama começou a mudar com a contratação de João Carlos Vialle, que assumiu a coordenação do futebol em dezembro de 2006. Aos poucos e com muito trabalho, o novo responsável foi planejando e montando uma equipe, que hoje entra para a história do Coritiba.

Mas a reação ainda demorou um pouco para acontecer. E se concretizou com a chegada do técnico René Simões. O ano de 2007, mesmo com o empenho de Vialle, começou de forma assustadora para a torcida.

Ainda digerindo a campanha do ano anterior, os torcedores tiveram de aceitar eliminação nas semifinais do Campeonato Paranaense e nas oitavas-de-final da Copa do Brasil. Aquela situação deixou a torcida inquieta e temerosa aos meses que viriam.

Mas, em junho, a trajetória começou a mudar. A contratação do técnico René Simões trouxe também renovação no entusiasmo e na confiança do grupo. Aos poucos aquele sentimento seria assimilado pela torcida.

Com muita psicologia, sempre usando passagens bíblicas, citações e frases de efeito, René conseguiu o respeito de diretoria e torcedores, obtendo 61% de aproveitamento em 34 jogos. Foram 19 vitórias, seis empates e apenas nove derrotas.

A boa campanha rendeu vários convites de equipes nacionais e de fora do Brasil, mas o treinador optou por cumprir seu contrato com o Coritiba e a missão que recebeu de levar o time à Série A.

E a arrancada para o título veio no final do primeiro turno. Nas sete últimas rodadas, a equipe venceu todas. A partir daí, o time se firmou entre os primeiros e na 24ª rodada assumiu de vez a liderança isolada do Brasileiro.

René ganhou de vez a torcida. Mesmo com as cobranças, protestos (como manter as faixas do estádio de ponta cabeça), o torcedor foi uma das forças da equipe nesta trajetória.

E com a ajuda de uma campanha chamando pelos torcedores, em que fazia alusão ao arqui-rival Atlético-PR, o clube passou a ter uma média de público de 33 mil pessoas por jogo, uma das melhores deste ano.

Assim René deu continuidade ao seu trabalho. Com a tática de pensar "jogo a jogo", aos poucos ele conseguiu "criar novos ídolos" no Coritiba. Jogadores experientes como Veiga e Anderson Lima, apesar da pouca aceitação quando chegaram, se tornaram referências para a torcida.

Do outro lado da tática, o treinador também trabalhava os jogadores prata da casa, dando confiança, "castigando" a indisciplina e conseguiu trazer a tona novos talentos como o zagueiro Henrique, os meias Pedro Ken e Marlos e o atacante Keirrison, que se tornaram os jovens ídolos do time.

E apesar da conquista gloriosa e de escrever seu nome na história do Coritiba, René Simões não continuará no clube. Um desentendimento na última semana com o coordenador de futebol, João Carlos Vialle, colocou fim à trajetória do treinador no Coritiba.

O futuro do treinador deve ser a Jamaica. René está acertando os últimos detalhes da sua contratação para dirigir a seleção do país.

Redação Terra