Série A

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Segunda, 3 de dezembro de 2007, 14h48 

Alvo de piadas, corintianos têm segunda-feira dura

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
Vagner Magalhães/Terra

Engraxate Moisés Melo Mendes diz que segunda foi estranha
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O torcedor do Corinthians que saiu para trabalhar nesta segunda-feira teve dificuldades para conseguir se concentrar no que fazia. Desde as primeiras horas do dia, foi alvo de piadas dos torcedores adversários. Enquanto uns preferiram sair às ruas à paisana, outros fizeram questão de vestir a camisa do clube. Um dos corintianos, descrente de que o time pudesse se salvar, ainda ganhou uma aposta.

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"Estão falando que o Corinthians vai contratar o motorista que trabalhou para o Palmeiras em 2002 e para a Portuguesa em 2007", afirma um são-paulino. "Ele já conhece os caminhos da segunda divisão", completa.

O são-paulino é amigo do securitário corintiano Cláudio Aquino, 24 anos, que saiu para almoçar com a camisa do clube. Desde que chegou ao trabalho nesta segunda-feira, ele não teve sossego.

"Só não trabalhei com a camisa porque não posso. Mas o pessoal não me deixou quieto um minuto. É uma piada atrás da outra. Mas o corintiano não se abala com isso. Será corintiano sempre", diz.

Enquanto ele dava o seu depoimento, outro amigo já anunciava o futuro "patrocínio" do Corinthians. "Estão falando que o Corinthians vai fechar com a Ecovias (que administra o sistema Anchieta-Imigrantes). Eles são especializados na montagem da 'operação descida'", disse.

Nélson Lopes Júnior, 27 anos, também corintiano, afirma que não teve trégua nem no namoro. Depois do jogo contra o Grêmio, ele foi a um shopping, com a namorada são-paulina.

"Desde a hora que a gente se encontrou ela ficou me sacaneando. Estava em um shopping e um palmeirense começou a falar alto. Quase saiu confusão".

No domingo, nas imediações do Parque Antarctica, um buzinaço tomou conta da avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo. No carro, palmeirenses e até torcedores do Grêmio comemorando a queda corintiana.

Mas a perda da vaga na Libertadores por parte do Palmeiras também não passou em branco entre os corintianos.

"Eles estão comemorando a nossa desgraça, mas também não tem time para disputar a Libertadores. Têm mais é de ficar quietos", afirma Aquino.

O engraxate Moisés Melo Mendes, 24 anos, diz que esta segunda foi estranha. Por volta das 12h, no bairro do Brooklin, zona oeste de São Paulo, ele estava com a sua cadeira vazia, com um jornal anunciando a queda do Corinthians para a segunda divisão em cima dela.

"Tenho muitos clientes corintianos, mas hoje não apareceu nenhum. Acho que eles devem estar escondidos por aí. Se você procurar, acho que você encontra", disse.

Outro corintiano, mais descrente, afirma que conseguiu lucrar com a queda do time. Ele apostou uma caixa de refrigerantes, com um santista, na queda do Corinthians.

"Tava na cara que ia cair. O ano foi muito ruim e o time não tinha condições de se recuperar", afirma.

Redação Terra