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Brasília pede ajuda da ONU para estádio da Copa

20 mar 2013
21h55
atualizado às 22h08

Com dificuldades para concluir seu estádio antes da Copa das Confederações, Brasília está pedindo ajuda a uma fonte surpreendente: a Organização das Nações Unidas (ONU).

Construção no Estádio Mané Garrincha em Brasília. 3/12/2012
Construção no Estádio Mané Garrincha em Brasília. 3/12/2012
Foto: Gary Hershorn / Reuters

O governo do Distrito Federal assinou nesta semana um acordo de 35 milhões de reais com duas agências da ONU para que elas adquiram serviços e itens como barracas, geradores e câmeras de segurança para o estádio, disse um funcionário da entidade internacional à Reuters na quarta-feira.

O contrato é um dos mais claros sinais de que o Brasil está atrasado na construção dos estádios e de outras obras importantes para eventos esportivos que irá sediar. A Copa das Confederações, em junho, é um evento-teste para a Copa do Mundo, um ano depois.

A vantagem da ONU é que ela pode adquirir produtos e serviços sem passar pelos complexos e demorados processos de licitação exigidos pela lei brasileira.

Como o Estádio Nacional Mané Garrincha tem apenas 87 por cento das suas obras já realizadas, e a Fifa espera recebê-lo em meados de abril, o fator tempo é crucial.

"Com o curto cronograma e a necessidade de focar na conclusão do estádio, o governo do Distrito Federal não conseguiu fazer a compra a tempo por meio de licitação pública", disse Arnaud Peral, representante-adjunto do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil.

Algumas das estruturas temporárias a serem adquiridas pelas agências da ONU para a Copa das Confederações - que reúne campeões continentais mais o país-sede - continuarão disponíveis para os setes jogos da Copa do Mundo a serem disputados em Brasília em 2014, segundo Peral.

Boaz Paldi, porta-voz do PNUD em Nova York, disse que o acordo com o Brasil "não é inteiramente inédito", e que o valor do contrato ainda pode aumentar.

Ele disse que o PNUD já auxiliou no passado projetos relacionados aos Jogos Pan-Americanos, e que a agência ganhará "visibilidade" no Brasil devido à sua participação.

Um porta-voz do governo do Distrito Federal disse que o governador Agnelo Queiroz (PT) tem por regra não comentar os contratos da capital.

No entanto, por meio de sua assessoria, o governo enviou nota para esclarecer que "os convênios firmados com o PNUD não têm relação com as obras do estádio, que estão dentro do cronograma, e sim com estruturas temporárias" que ficarão ao redor da arena, conforme exigido pela Fifa.

O governou acrescentou que o estádio será inaugurada no dia 21 de abril.

Não é a primeira vez que o Brasil se vale da experiência de agências da ONU. No ano passado, para o evento ambiental Rio+20, o PNUD colaborou para garantir a transparência dos processos de aquisição, e também a acessibilidade para pessoas com deficiências, a sustentabilidade ambiental e a inclusão social.

A Fifa já alertou que o Brasil não pode mais ter atrasos nas obras. O novo estádio de Brasília, com 70 mil lugares, será o segundo maior da Copa de 2014. Ainda falta cobri-lo, instalar acessórios e plantar a grama.

Antes da Copa das Confederações, o estádio deve receber dois jogos: a final do Campeonato Brasiliense, em 18 de maio, e a primeira rodada do Campeonato Brasileiro, entre Santos e Flamengo, uma semana depois.

(Reportagem adicional de Jeferson Ribeiro em Brasília e Louis Charbonneau em Nova York)

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