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Capitães dos últimos títulos da Liga de Dortmund e Bayern exaltam final alemã histórica

24 mai 2013
14h16

A condição de capitão de um time de futebol vai muito além da braçadeira na Alemanha. O posto é muito valorizado e o jogador que exerce a função tem uma cobrança enorme da torcida e imprensa local. Neste sábado, na final da Liga dos Campeões, um novo personagem irá levantar a taça para um clube alemão e quebrar o jejum de 12 anos sem títulos do país. Por isso, nada melhor do que buscar uma análise de quem já teve esse privilégio. E o LANCE!Net conversou com os dois últimos capitães que conquistaram a Champions por Dortmund e Bayern.

Mattias Sammer e Stefan Effenberg têm boas lembranças dos times de 97 do Borussia e do atual campeão alemão, de 2001. O caso do ex-zagueiro do Vale do Ruhr é bem emblemático. O motivo: ele atualmente é dirigente do Bayern e um dos responsáveis pela montagem do elenco que vem encantando nesta temporada. Mesmo assim, ele se mostra humilde em sua condição de importância para os dois finalistas:

- São momentos incríveis, realmente, no entanto, muito breves. São sensações agradáveis, de felicidade, é claro, mas não sou muito sentimental. Nossos torcedores podem sentir isso tudo como um sentimento para a eternidade e para a história e eu respeito isso. Mas a celebração é transitória...É algo que dura alguns dias. Depois é mais trabalho. Para mim, sempre foi um trabalho. Por isso eu não tenho nenhum tipo de problema de trabalhar com duas torcidas. Faço meu trabalho como sempre: com dedicação, honestidade, profissionalismo. Não sei...Até hoje tem dado certo - afirmou.

Já Effenberg é só coração vermelho. Descontraído, brincou com o fato do Bayern ter batido na trave nos últimos anos. Ele espera que o roteiro deste ano seja diferente:

- Já passou da hora (risos). Tivemos grandes times nesse tempo. Só nos últimos três anos o Bayern perdeu duas finais - afirmou o ex-meia, que fala sobre semelhanças entre a situação atual de seu time e do atual:

- O Bayern sempre tem um time forte, se não chega à decisão, não está muito distante dela. Então é normal que uma hora ou outra aconteça repetições, coincidências assim. Podemos comparar o fato de que havíamos sido derrotados pelo Manchester United, naquela final particularmente dolorosa. O título parecia garantido até os últimos minutos, e sofremos dois gols em menos de dois, três minutos. Foi uma decepção para todo mundo, para torcedores, dirigentes e marcou todos os jogadores. Foi algo parecido com a derrota do ano passado contra o Chelsea, já que havia grande expectativa que o título viesse em casa, em Munique - analisou.

Já pelo lado amarelo, Sammer relembra uma coincidência bem animadora e curiosa:

- A coincidência é que quando eu estava no Dortmund, fomos bicampeões da Bundesliga em 94/95 e 95/96, e em 97, o título ficou, com o Bayern, como agora. E em 97 ganhamos a Liga dos Campeões - declarou.

BATE-BOLA

Matthias Sammer - capitão do Borussia Dortmund no título de 97

- Em 1997, a Juventus era o time mais badalado, como acontece agora com o Bayern. Isso pode ser positivo para o Dortmund?

Olha, era. Mas o Dortmund era um grande time. Mas como você disse, não era ‘badalado’, não tínhamos jogadores ‘badalados’. Talvez da vitória do Dortmund por causa da derrota improvável uma vitória na Copa da Europa, 3 anos antes, afinal, a decisão, naquele tempo disputada em duas partidas, acabou 6-1 no placar agregado para os italianos. Mas seguindo na linha das comparações, que você vinha fazendo. Eu ouço muito isso de que a Juventus era favorita, e de que o Bayern agora também é... Mas eu não me lembro que era tanto assim. Nós chegamos de quartas-de-final com duas vitórias sobre o Auxerre e depois passamos pelo Manchester United na semifinal com duas vitórias também. E tínhamos ainda seis jogadores que haviam sido campeões da Eurocopa com a Alemanha em 1996 [o próprio Sammer, que acabaria incluído na seleção da Euro e mais Steffen Freund, Andreas Möller, Stefan Reuter Jürgen Kohler e René Schneider]. Se os italianos eram considerados o melhor time da Europa na época e alguns contavam que eles levantassem o troféu, nós tínhamos Ottmar Hitzfeld no banco. Um técnico brilhante. Ele montou e treinou um time que chocou todo mundo. E ganhamos o primeiro título do futebol alemão desde a reunificação.

- Você lembra de algum jogo em especial daquela campanha?

A campanha até a final foi cheia de momentos e resultados marcantes. Na fase de grupos me lembro bem dos dois jogos contra o Atlético: vencemos em Madri, mas perdemos em casa. E chegamos à última rodada empatados com eles. Aí ficamos com a vaga por conta do saldo de gols, conquistado com muito custo, numa goleada em que marcamos cinco no Steua, nos últimos minutos do último jogo.

- O caminho do Dortmund até a final foi bem mais espinhoso e duro em comparação ao adversário. Podemos dizer que o Borussia chega mais calejado?

Não sei se eu concordo com isso. O Dortmund só perdeu agora, na semifinal para o Real Madrid. O Bayern já havia sido derrotado duas vezes. Acho que a dificuldade ou facilidade da campanha reflete a performance de cada time.

BATE-BOLA

Stefan Effenber - capitão do Bayern de Munique no título de 2001

- A faixa de capitão sempre foi muito importante no futebol alemão: em campo você era o líder daquele Bayern em 2001. Agora, provavelmente esse papel caberá a Schweisteigger. A faixa está bem entregue?

Eu acho que a situação em campo hoje é a bem diferente. Bastian Schweinsteiger é um líder do time, com certeza. Após a derrota contra o Chelsea, no ano passado, ele foi muito criticado por ter perdido um dos pênaltis na decisão, mas superou, não abaixou a cabeça e novamente tomou à frente do time e assumiu a responsabilidade de liderar. Mas também há outros jogadores-chave. Há, hoje, muitos estrangeiros no elenco, que têm estilos diferentes, um jeito diferente de ser e que renovaram a cara mais sisuda que o clube chegou a ter no passado. Em campo você percebe que alguns desses jogadores também se tornam referências importantes, presenças marcantes... Você vê o próprio Dante, um jogador que chegou esse ano, mas já é uma referência para os mais jovens e é o porta-voz do técnico para organizar a defesa.

- Qual a importância para o futebol alemão da final da principal competição de clubes da Europa acontecer entre dois times do país?

Essa final coloca um holofote gigante não só no Bayern e no Dortmund, mas na Bundesliga e nos progressos realizados por todas as equipes alemãs. A final em Munique foi vista por quase 200 milhões de pessoas em todo o mundo, número que deve ser no mínimo repetido esse ano em Wembley. Isso já está repercutindo na valorização dos jogadores alemães, que estão sendo procurados como nunca. Depois de anos passando perto do título, essa temporada o título vai ficar com um clube alemão. E essa é uma vitória da organização e do crescimento da Bundesliga, justamente nesse ano em que ela está completando 50 anos. É também uma consagração do modelo econômico praticado pelos clubes, que envolve uma maior participação dos clubes na renda da televisão, mas também o aumento dos investimentos em segurança e transportes. Hoje praticamente todos os estádios vão concluir a temporada com mais de 80% de ocupação, sendo que a média é de 96%. O que todos os alemães agora esperam é que a boa fase dos clubes se reflita nos resultados da nossa seleção.

* Colaboração de Celso de Almeida

Fonte: Lancepress! Lancepress!
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