
- Danilo Vital
Capitão da Seleção Brasileira na campanha do tricampeonato mundial em 1970, Carlos Alberto Torres relembrou Félix como um extraordinário goleiro e excelente companheiro. Félix, que morreu nesta sexta-feira por problemas respiratórios em São Paulo, foi exaltado pelo ex-lateral, que ainda minimizou as críticas dos tempos de profissional.
"O Félix foi um grande companheiro, um jogador que teve uma carreira, eu diria, brilhante", disse Carlos Alberto Torres, em contato telefônico com o Terra. Ele exaltou a participação do goleiro na campanha que culminou com o título de 1970: passou pelas Eliminatórias ganhando todos os jogos para fazer o mesmo na Copa do Mundo. "Félix teve uma participação muito importante", ressaltou.
"Ela era um dos jogadores de mais idade e experiência, e aí ajudou muito para que a gente pudesse, em muito bom termo, fazer todo o trabalho do grupo", explicou. O ex-goleiro tinha 32 anos na conquista do tri, contra 25 do capitão. "Contamos com a ajuda de jogadores experientes, principalmente o Félix, que era muito querido e respeitado", complementou Carlos Alberto.
O ex-jogador interrompeu a entrevista para atender a uma ligação de Roberto Rivellino, outro campeão com o Brasil no México, a quem chamou de "irmão" antes de lamentar a morte de Félix. Se os dois tinham status elevado na equipe que ainda contava com nomes como Pelé, Jairzinho e Gérson, Félix, por outro lado, era considerado o "patinho feio". Dizia-se que o Brasil ganhou a Copa apesar de Félix - uma injustiça, segundo Torres.
"As pessoas falavam muito isso na ocasião e até mesmo agora, mas isso é normal, porque todo o time tem isso. Sempre um é melhor que o outro", minimizou. Para ele, dois fatos credenciam o ex-goleiro como de extrema importância para a Seleção: primeiro, ter sido titular com dois grandes treinadores - João Saldanha e Mário Jorge Lobo Zagallo; segundo, a vitória por 1 a 0 contra a Inglaterra, na primeira fase.
"O Felix mostrou valor, inclusive na partida contra a Inglaterra, que foi o grande jogo daquela Copa do Mundo. Ele teve participação extraordinária. Quem viu o jogo percebeu que, no segundo tempo, depois que o Brasil marcou o gol que deu a vitória, os ingleses partiram para cima em busca pelo menos do empate, e o Felix apareceu de forma extraordinária", elogiou Torres. A mesma partida foi relembrada na homenagem feita pela CBF após a morte do ex-goleiro.
- Aos 74 anos, o ex-goleiro Félix morreu nesta sexta-feira, 24 de agosto, em São Paulo. Ídolo do Fluminense e goleiro do título da Copa de 1970, com a Seleção, o ex-jogador já estava internado com um enfisema pulmonar e não resistiu em virtude de problemas respiratórios Foto: CBF / Divulgação
- Félix Mielli Venerando nasceu no dia 24 de dezembro de 1937, em São Paulo-SP, e iniciou a carreira defendendo o Nacional-SP. Depois, passou pelo Juventus-SP e ficou por 13 anos na Portuguesa (foto). Ainda pelo time paulista, foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira Foto: CBF / Divulgação
- Jogando pela Portuguesa, disputou quatro partidas pela Seleção Brasileira. Estreou no Pacaembu, em 22 de novembro de 1965, defendendo a chamada "Seleção Azul" na vitória de 5 a 3 sobre a Hungria. Esta seleção era composta somente por jogadores paulistas. Em 1968, o goleiro participou de uma partida diante da Argentina (foto) Foto: CBF / Divulgação
- As boas atuações com a camisa da equipe paulista e as convocações para a Seleção Brasileira, acabaram chamando a atenção do Fluminense. Depois de treze anos, o goleiro trocou o futebol de São Paulo pelo Rio de Janeiro Foto: CBF / Divulgação
- Pela Seleção, Félix conquistou o bi-campeonato da Copa Rio Branco, em 1967 e 1968 Foto: CBF / Divulgação
- Pela Seleção Brasileira, Félix disputou 48 partidas, sofreu 47 gols e conquistou seu título mais importante: a Copa do Mundo de 1970, ao lado de Pelé, Tostão, Clodoaldo, Gerson, Rivellino e Cia. Foto: CBF / Divulgação
- O goleiro, que vivia sob desconfiança dos torcedores, atuou em todos jogos das Eliminatórias e também nas seis vitórias que fizeram daquela equipe a primeira campeã mundial com 100% de aproveitamento Foto: CBF / Divulgação
- Félix foi o titular na vitória por 4 a 1 sobre a Itália na final da Copa do Mundo do México de 1970 Foto: CBF / Divulgação
- O goleiro defendeu o Fluminense de 1968 a 1976 e venceu os Cariocas de 1969, 1971, 1973, 1975 e 1976, além do Robertão, em 1970. Ao todo, foram 319 jogos pelo clube carioca, sendo que, em 136, ele deixou o campo sem sofrer gols Foto: CBF / Divulgação
- Félix jogou até os 38 anos. Depois, tentou a sorte como preparador de goleiros do Fluminense, além de passar pouco tempo no comando do Madureira e do Botafogo. Além de ter sido diretor comercial de uma funilaria, o ex-jogador ainda voltou em 2007 para ser diretor técnico da Inter de Limeira. Nos últimos anos, brigou por uma ajuda financeira aos campeões mundiais. Ajuda esta que foi concedida em junho deste ano, quando o ex-goleiro já sofria de doença pulmonar Foto: CBF / Divulgação
- Em nota publicada em seu site oficial, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) manifestou pesar e condolências ao ex-goleiro. A entidade fez uma homenagem ao titular na conquista do tri mundial em 1970, no México e determinou a observação de um minuto de silêncio na rodada do final de semana no Campeonato Brasileiro Foto: CBF / Divulgação
- "O torcedor brasileiro deve ser eternamente grato pela contribuição que Félix deu à Seleção Brasileira. É um ídolo do nosso futebol e deixará saudades", disse o presidente da entidade, José Maria Marin Foto: CBF / Divulgação

