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Cerca de 25.000 manifestantes protestam em Fortaleza e entram em confronto com policiais

19 jun 2013
19h04
atualizado às 21h44

Violentos confrontos entre manifestantes e policiais ocorreram nesta quarta-feira nos arredores da Arena Castelão, em Fortaleza, palco do jogo entre Brasil e México na Copa das Confederações.

Uma hora após o início da partida, 25.000 manifestantes ainda bloqueavam a passagem das quatro vias que dão acesso ao estádio, segundo a polícia. Eles foram mantidos a 3 km do Castelão, cuja reforma para os eventos esportivos de 2013 e 2014 custou cerca de R$ 540 milhões aos cofres públicos.

O protesto contra os gastos para a organização da Copa do Mundo descambou rapidamente para a violência quando manifestantes forçaram uma primeira barreira do esquema de segurança montado ao redor do estádio.

Jornalistas da AFP presenciaram confrontos entre manifestantes, que jogavam pedras nos policiais, e as forças de ordem, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

"Um pequeno grupo de vândalos nos agrediu, mas nós mantivemos o controle. Respondemos com gás lacrimogêneo", declarou à imprensa o coronel Cláudio Mendonça, que coordena as operações policiais.

Pelo menos dois manifestantes ficaram feridos, um deles atingido por uma bala de borracha, constataram jornalistas da AFP. Um policial estava com o rosto ensanguentado após ter sido atingido por uma pedra, segundo fotos divulgadas pela imprensa brasileira.

"Nós protestamos porque o dinheiro investido nos estádios deveria ser aplicado na educação e na saúde. Eles montaram um espetáculo para o mundo", disse Matheus Dantas, 18 anos, sobre a Copa das Confederações e o Mundial de 2014.

Violando as recomendações da Fifa, dentro do estádio alguns torcedores levantaram cartazes de apoio aos manifestantes. Neles era possível ler frases como "Meu Brasil está nas ruas. O gigante acordou".

"Brasil, vamos acordar, um professor vale mais do que Neymar!", gritavam os manifestantes no início do protesto em Fortaleza. O alvo foi a estrela da Seleção, que recentemente foi vendido ao Barcelona por 57 milhões de euros.

Neymar, assim como três de seus colegas, mostrou-se solidário ao movimento social que toma conta do país. "Estou triste com tudo isso que acontece no Brasil. Sempre achei que não seria necessário ir para as ruas exigir melhores condições de transportes, saúde, educação e segurança. Tudo isso é DEVER do governo", escreveu o astro num site de rede social.

O governo anunciou na manhã desta quarta-feira o envio de guardas da Força Nacional às seis cidades-sede da Copa das Confederações: Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Brasília.

Esta força policial garante a manutenção da ordem nos estados em caso de conflitos sociais ou em situações excepcionais. "A Força Nacional tem um papel de conciliação, mediação e não de repressão", explicou o Ministério da Justiça em comunicado.

Membros da Força Nacional já haviam atuado no último domingo no Rio de Janeiro durante a partida entre México e Itália para dispersar com disparos de bala de borracha e gás lacrimogêneo os manifestantes que participavam de uma passeata nos arredores do Maracanã.

Há duas semanas o Brasil vive uma onda de protestos diários - sem precedentes nos últimos 20 anos -, liderados por jovens que reivindicam, principalmente, melhorias em diversos setores da sociedade brasileira, como transporte público, educação e saúde.

Na tarde desta quarta manifestantes começaram a bloquear avenidas de São Paulo, berço do movimento. Na noite de terça, uma manifestação reuniu cerca de 50.000 pessoas na capital paulista. A marcha seguiu pacífica durante quase todo o tempo, com atos de vandalismo no final.

Outros protestos também ocorreram nesta quarta-feira em Belo Horizonte, Rio Branco, Brasília e Niterói.

Novos atos são aguardados Brasil afora para quinta-feira, principalmente nos arredores do jogo entre Espanha e Taiti, no Rio de Janeiro, cidade que foi palco da maior passeata até o momento. Na noite da última segunda-feira, a manifestação que seguiu pela Avenida Rio Branco reuniu cerca de 100 mil pessoas.

A presidente Dilma Rousseff disse na terça-feira que ouve os manifestantes, mas não propôs uma solução concreta para solucionar o conflito que não para de crescer.

Segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira, a popularidade da presidente caiu oito pontos de março para junho, apesar de continuar alta, com 71%. A enquete foi realizada antes da onda de protestos.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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