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Ao lado de fronteira militar, CT recebe Brasil alheio a divisão política

9 out 2013
15h30
atualizado às 15h30
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<p>Soldados fazem guarda na Zona Desmilitarizada (DMZ); ao fundo, o relevo da cidade de Paju, na Coreia do Sul</p>
Soldados fazem guarda na Zona Desmilitarizada (DMZ); ao fundo, o relevo da cidade de Paju, na Coreia do Sul
Foto: Getty Images

Não é exagero dizer que a Coreia do Sul se prepara para o amistoso do próximo sábado contra a Seleção Brasileira ao lado do inimigo. Afinal, enquanto o técnico Hong-Myung Bo comanda seus treinos no KFA National Football Centre em campo vizinho ao utilizado por Luiz Felipe Scolari, o centro de treinamentos da equipe asiática é praticamente vigiado pela Coreia do Norte. Ou quase isso.

A estrutura montada pela Associação de Futebol da Coreia do Sul (KFA) se localiza na cidade de Paju, norte do país, a 60 km da capital Seul. A cerca de 8 km do local, está a chamada Zona Desmilitarizada (DMZ), área ocupada por militares das duas Coreias e que separa os dois países. É a última cidade habitada antes do Paralelo 38, que passa justamente sobre a DMZ – mais ao norte, está Panmunjon, um vilarejo desabitado que “hospeda” a fronteira militar.

<p>Paju é a última cidade habitada ao norte da Coreia do Sul antes da zona que separa o país da Coreia do Norte</p>
Paju é a última cidade habitada ao norte da Coreia do Sul antes da zona que separa o país da Coreia do Norte
Foto: Getty Images

Principal base militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, Paju tem uma população superior a 400 mil habitantes – e mesmo assim, mantém o clima pacífico. Durante a passagem da Seleção Brasileira pela cidade, a imprensa não se depara com policiais ou militares na região do centro de treinamento. Segurança mesmo, apenas a da tranquila portaria do KFA National Football Centre ou por agentes particulares dentro da estrutura.

Ao que tudo indica, porém, os jogadores convocados por Luiz Felipe Scolari não terão nem tempo para se preocupar com tal cenário. Ao ser questionado se a delegação conseguia aproveitar as viagens internacionais para se inteirar sobre os países que visitava, o volante Luiz Gustavo reconheceu que nem sempre isso é possível.

<p>Volante Luiz Gustavo (foto) admite que ainda nem sempre observa cenários dos países visitados pela Seleção Brasileira, mas quer recuperar tempo perdido: ''a viagem é longa, e dá para olhar bastante as paisagens, coisas interessantes que o país nos mostra''</p>
Volante Luiz Gustavo (foto) admite que ainda nem sempre observa cenários dos países visitados pela Seleção Brasileira, mas quer recuperar tempo perdido: ''a viagem é longa, e dá para olhar bastante as paisagens, coisas interessantes que o país nos mostra''
Foto: Mowa Press / Divulgação

"A gente olha, procura umas coisas que chamam a atenção. Mas hoje foi complicado. Pelo fuso horário, está todo todo mundo meio errado ainda", disse, admitindo o cansaço na adaptação ao horário da Coreia do Sul. "Não pude olhar muito. Mas a viagem é longa, e dá para olhar bastante as paisagens, coisas interessantes que o país nos mostra", completou.

Os arredores do local de treinos de Brasil e Coreia do Sul também pouco indicam a importância militar mundial de Paju. Na estrada que leva ao centro de treinamentos da seleção sul-coreana, diversos hotéis dividem os quarteirões com restaurantes, pequenos comércios e até mesmo um cinema drive-in que exibe produções asiáticas. Referência mesmo à DMZ, apenas a entrada para um observatório militar, do qual se pode ver o outro lado da fronteira.

A tensão, porém, passou longe dos primeiros treinos da Seleção Brasileira em Paju. Na tarde desta quarta-feira, os únicos sons que vinham de fora do KFA National Football Centre eram de patos que sobrevoavam o local e de veículos que passavam pela estrada ao lado. Do lado de dentro, brasileiros e sul-coreanos treinavam em campos lado a lado, enquanto jornalistas dos dois países dividiam a área comum à imprensa. Tensão por ali, apenas a 8 km ao norte – e até mesmo esta vem sendo administrada ao longo da última década.

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Fonte: Terra
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