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Audiência do Maracanã é alvo de boicote, ovos e até fezes

8 nov 2012
18h54
atualizado às 22h10
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Giuliander Carpes
Direto do Rio de Janeiro

Movimentos sociais boicotaram a audiência pública que pretendia discutir a concessão do Estádio do Maracanã nesta quinta-feira, na zona portuária do Rio de Janeiro. A audiência foi alvo de protestos de representantes do Comitê Popular da Copa e da Olimpíada, da Frente Nacional dos Torcedores, da Escola Municipal Friedenreich e de indígenas que ocupam o prédio do antigo Museu do Índio, construções próximas ao estádio.

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Os manifestantes vaiaram, gritaram e jogaram até fezes e ovos no palanque onde o secretário-chefe da Casa Civil, Regis Fichtner, coordenava a reunião ao lado da secretária estadual de esportes, Márcia Lins.

Os manifestantes tentaram desde o começo cancelar a audiência pública, que consideraram não atingir a discussão básica da concessão do Maracanã. "Esta audiência não debate se a concessão deve ser pública ou privada, que é a discussão que precisa ser feita. O Maracanã passou por reformas que custaram mais de R$ 1 bilhão e agora o Estado quer dá-lo de bandeja a uma empresa", afirmou Gustavo Melo, líder do Comitê popular.

Como o secretário Regis Fichtner não aceitou os pedidos de cancelamento e reforçou o policiamento do Galpão da Cidadania, onde a reunião ocorreu, os ativistas saíram antes do final e deixaram os representantes do governo ouvindo manifestações mais brandas de outras entidades. No caminho, reviraram as cadeiras de plástico que estavam dispostas à plateia.

"Não interrompi a audiência porque seria ir contra a democracia. Estamos cumprindo mandamento da lei de licitações. Este pequeno grupo não representa o povo brasileiro de maneira alguma", disse o secretário.

A deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), filha do ex-governador Anthony Garotinho, ferrenho opositor do governador Sérgio Cabral, pediu a palavra e sugeriu que o governo faça um plebiscito para definir se a população aceita ou não o projeto de concessão que o governo estadual está propondo.

Durante as exposições do público, o som falhou várias vezes, o que gerou ainda mais protestos. A audiência contou com grande número de alunos da escola, que conta com 400 estudantes. Os pais reclamam que a transferência do local para São Cristóvão - do outro lado da via férrea - impediria que os estudantes continuassem frequentando a mesma escola. Pais de alunos entregaram uma petição com 15 mil assinaturas contra a remoção.

Respostas do governo
Antes de encerrar a sessão, Fichtner respondeu algumas questões levantadas pelas pessoas que falaram ao microfone. A primeira delas foi em relação ao modelo da concessão, que deve ser dada a uma empresa privada por 35 anos mediante investimentos de R$ 469 milhões em novas instalações de atletismo e desportos aquáticos.

"Investimentos que estão previstos visam a dar sustentabilidade ao estádio. Não estamos inventando. O que estamos fazendo é o que está sendo feito hoje nos maiores estádios do mundo. O governo está colocando o Maracanã entre os maiores e melhores do mundo novamente. Não é possível manter um estádio como em 1950. Proibimos os clubes de participar do edital porque o Maracanã deve estar aberto a qualquer clube que queira jogar", salientou Fichtner.

Sobre a escola, o secretário garantiu que ela será reconstruída em local próximo e mais confortável do que o atual. "O estado tem muito orgulho dela. Nos orgulha por quê? Porque tem bons alunos, bons professores, boa diretoria. Esta mesma escola pode funcionar melhor em um lugar próximo dali. As crianças só serão deslocadas quando a outra escola estiver pronta", justificou.

Agora, o governo tem 10 dias para publicar no diário oficial o edital de concessão do estádio. O secretário reafirmou que pretende manter tudo o que já havia sido apresentado antes da audiência.

O único acréscimo será a obrigação da concessionária em demolir presídio na Quinta da Boa Vista e construir outro maior em Gericinó. O terreno, próximo ao estádio, será transformado em área de lazer pela prefeitura.

Audiência pública conta com manifestações populares
Audiência pública conta com manifestações populares
Foto: Giuliander Carpes / Terra
Terra

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